
Salve, família.
Tu já viu dois caras de jaqueta personalizada falando num podcast e pensou "esses aí tão ricos"? Pois é. Os caras do 3 Irmãos sentaram aqui com jaqueta bordada e tudo. Era propaganda. Só que a real, contada por eles mesmos, é que o Robertinho ganha mais grana com restaurante e fazenda do que com podcast. Aí zoaram que parecia jaqueta de pintor.
(Eles saem de Araguari, lá em Minas, e comem estrada todo mês pra gravar em São Paulo. Guarda isso, que volta no fim, junto com um bife.)
Do meu lado, o Arthur Petry. Uma mesa inteira de gente que ganha a vida falando. Numa semana em que falar custou caro.
Porque o papo foi pra lugares pesados. Teve bote na live do Nando Moura aqui no Flow, e eu te explico como a gente sabe. Teve recado chegando no meu celular antes do programa. E teve uma hora em que eu fiquei tão puto falando do Alexandre de Moraes que esqueci o que ia dizer. Duas vezes. Ao vivo.
Vou te contar tudo. Com o aviso de que eu tava bravo, e bravo eu falo mais do que devia.
O Mercado Livre cobrou 450 mil de aluguel. E o YouTube, vai cobrar quanto?
A primeira briga foi sobre a nossa própria profissão.
Os caras do 3 Irmãos vendiam videogame no Mercado Livre desde 2009. A plataforma foi apertando: etiqueta dela, pagamento dela, depois o Full, "vai pra praia que eu trabalho por ti". Todo mundo encheu o galpão deles de estoque. Aí veio a cobrança por produto parado, e a conta, segundo eles, foi de R$ 450 mil.
A tese deles é que o YouTube faz igual. Faz três episódios por semana?
Massa. Agora faz cinco.
Eu discordei. E olha que eu passei metade da vida brigando com o YouTube. Mas no Mercado Livre sempre vai ter outro cara vendendo pilha. No YouTube não tem outro Petry. E quem manda é o hábito de consumo, que muda sozinho: a galera foi pro vídeo curto, o YouTube correu atrás, e agora tá voltando pro longo, muito pela TV da sala.
O Petry foi mais cru: se derrubarem o canal dele, cai amanhã. E mesmo se não derrubarem, a audiência vai cair, porque tá em alta e toda alta desce. O que segura é a comunidade que continua contigo quando tu cai um pouquinho.
Aí o Robertinho puxou saúde mental, e alguém me perguntou se eu já bati uma bad. Cara. Eu vivo na bad. Ou melhor... eu vivo alerta. Já vi vagabundo muito maior que eu sumir, e não porque parou de criar. Parou de se adaptar.
Não existe estabilidade na internet. Existe corda bamba.
O Petry apanhou dos dois lados. E pra ele, um bate mais baixo
í o Petry contou uma que eu não sabia.
Ele passou uns dez anos zoando a esquerda, pauta de minoria, piada pesada. O pior que aconteceu, segundo ele, foi xingamento e aparecer em programa de TV. Na época ele achou que a carreira tinha acabado. Hoje ele acha que aquilo não era nada.
Porque depois que ele começou a bater forte em figuras da direita, vieram outras paradas. Um vídeo desmonetizado por "nudez" num trecho de um segundo e meio em que ele só assistia a outro vídeo, em silêncio. E bot comentando criptomoeda, voltando toda vez driblando o filtro de palavras dele.
A leitura do Petry é que a direita que ele enfrenta hoje é bem mais ardilosa do que a esquerda que ele enfrentava, e ele usou palavras mais pesadas que essa. É a experiência dele, e ele mesmo disse que não tem como saber de onde vem cada ataque.
O que tu tá falando então é que o cancelamento morreu e nasceu uma coisa pior. O cara não quer tua reputação. Quer teu canal.
A live do Nando bateu 100 mil. Só que não bateu
E aí a gente caiu no assunto da semana.
Quando o Nando Moura veio aqui, o pico da live marcou 100 mil pessoas. Eu olhei e pensei: que porra é essa? Porque bote tem um desenho que eu conheço. O cara contrata dez mil por duas horas, sobe um platô, acaba o contrato, despenca. E o YouTube limpa no dia seguinte.
Só que esse não era um platô. Eram picos, um atrás do outro. Eu jurava que não era bote.
Era. O YouTube limpou e o número real ficou na casa dos 51 mil. Que já é absurdo pra podcast hoje, tá ligado? Aprendi mais uma: tem bote que se disfarça de orgânico.
Os caras do 3 Irmãos viram a mesma coisa na live deles com o Nando. De 22 mil pra 40, depois pra 50. Avisaram no ar que tavam vendo, e parou.
E na mesa a lógica foi simples: quem ganha com isso? O convidado que mexe com internet sabe que bote derruba a entrega do vídeo e prejudica a casa que abriu a porta pra ele. Não faz sentido ele pagar pra se sabotar. Quem botou, ninguém ali sabe. E eu não vou chutar.
Me mandaram uma decisão judicial. Eu não desmarquei ninguém
Agora o bastidor que eu nunca tinha contado.
Eu soube pela produção que ia rolar o Nando e que tinha uma treta. Aí veio o papo de que tinha gente ameaçando dar porrada no cara. Mandei um salve pro Nando, ele disse que tava suave. Depois chegou pra mim uma mensagem com uma decisão judicial sobre vídeos do caso.
Meu irmão, o que que eu tenho a ver com isso? Se era pra eu não fazer o programa, falhou. Com todo respeito.
Com os 3 Irmãos foi parecido, segundo o Tiorró. Pediram direito de resposta antes, e um membro do grupo mandou uma decisão do TSE com o conselho de passar pro jurídico. O advogado deles explicou que, pra algum vídeo cair, quem é parte na ação teria que voltar ao tribunal e pedir. O Tiorró ficou pistola na hora.
E ele quer fazer essa pergunta pro pessoal do Missão: tu nem é presidente, é candidato, e já usa uma ferramenta de candidato pra mandar recado. E com trinta vezes mais poder?
A minha posição foi essa, e eu falei com todas as letras. Não tenho interesse em defender o Nando nem em foder o MBL, e não tenho má convivência com nenhum deles. Pra mim a reação foi desproporcional, porque o Nando fala pra própria base faz tempo e ele mesmo reclama que não cresce. Mas eu não quero imputar nada a ninguém antes de trocar ideia com os caras aqui na mesa.
Na mesa, a leitura dos 3 Irmãos foi de imaturidade: quem funda partido e quer ser presidente deixou de ser o indivíduo que brincava no mesmo campo que a gente.
Só que tem o outro lado, e ele chegou por mensagem de espectador. O argumento do MBL é que associar alguém a nazismo põe um alvo nas costas dessa pessoa, e o espectador lembrou do Charlie Kirk. A mesa reconheceu que isso é sério. A resposta dos 3 Irmãos foi que o Nando mandou pra eles posts apagados de um perfil que a imprensa já tinha associado a exaltação ao Hitler e que elogiou o Renan Santos. Também leram no ar uma mensagem dura do neurocientista Miguel Nicolelis sobre o Curtis Yarvin, que já citou o Missão como exemplo. Deram o benefício da dúvida, mas cobraram um repúdio claro.
Essas são as leituras deles. O MBL tem a sua, e a porta daqui tá aberta.
Esqueci o que ia falar. Duas vezes. De tão puto
Aí o papo foi pro Vorcaro, e eu me perdi. Literalmente.
O Tiorró, que eu chamei de gordão o episódio inteiro (com carinho), defendeu que o Lula quer investigar todo mundo. E eu apertei. Quem pediu vista no julgamento que decide se o Alexandre de Moraes vai ser investigado por ligação com o Vorcaro? O Flávio Dino. Indicado por quem? Pelo Lula. Vista empurra pra depois da eleição, que é dia 4 de outubro. O discurso não bate com a prática.
Ele concordou. Alguém na mesa ainda zoou que ele tomou esporro e mudou de ideia.
Mas aí eu fui falar do Moraes de 2022, o guardião da democracia, e travei. Esqueci. Voltei, esqueci de novo. A mesa rindo e eu tremendo.
O que eu queria dizer era isso: o cara que foi a cara da justiça num julgamento midiático não explica um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master ligado à família dele, nem as mensagens que a investigação diz terem sido trocadas com o banqueiro. Até que se explique, tá tudo em aberto. Mas quem julga precisa parecer justo. E isso aqui não tem lado. É dinheiro.
Pois é.
Revolução brasileira, time B do Grêmio e o bife do Robertinho
Pra respirar, a gente brigou sobre debate.
O Petry defendeu que Lula e Flávio fogem de debate no primeiro turno pelo mesmo motivo que o Grêmio manda o time B no Gauchão: perder ali é vexame, ganhar não muda nada. Eu acho que faz diferença, porque em 2022 a diferença no segundo turno foi de uns 2 milhões de votos e só branco e nulo passou de 5 milhões. O Petry não comprou.
Aí o Tiorró veio com a solução dele: revolução brasileira. E o Petry, seco: tu confia na massa? Eu puxei o problema do sucessor. Tu pode ter um estadista liderando, mas o próximo pode ser um filho da puta com todas as ferramentas na mão.
O Tiorró defendeu a China, onde esteve: robozinho entregando comida no hotel, trem-bala pra todo lado. O Petry falou que parecia panfleto. E os caras trouxeram pro chão: o bate-volta de Araguari, de trem-bala, seria coisa de uma hora e meia.
Eu fico mais com uma constituição nova do que com revolução. Mas por um bife do Robertinho a uma hora e meia de distância, eu topo discutir.
O que eu levei desse papo
Perguntaram como foi o Nando fora das câmeras. O Robertinho achou ele cansado, meio triste com tudo. Eu acho que ele tem umas visões de Estado cristãs demais pro meu gosto. Mas sinto que ele acredita no que fala. E isso tem valor.
No fim eu pedi desculpa porque me passei em alguns momentos. Os caras disseram que foi o highlight. O Petry fechou com um "mãe, tô no Flow", como se fosse a primeira vez.
O que eu anotei foi o lance do "sempre alerta". Serve pra quem faz internet, mas serve pra tu também, com a plataforma de onde vem o teu dinheiro, seja ela qual for. E teve outra: quando chega recado pra tu não fazer alguma coisa, geralmente é sinal de que vale fazer.
O papo completo tá aqui:
Dá o like, comenta, manda no grupo da família que briga de política no almoço de domingo. E segue os caras do 3 Irmãos e o Petry, os links tão no comentário fixado.
A gente se vê depois. Beijo.
