
Salve, família.
Se tu passou os últimos meses na internet, tu viu. Um cara com Tourette soltando foguete de verdade na frente de um prédio, com carro de som, balãozinho e pétala de rosa voando pro lado errado por causa do vento. E a timeline inteira rachada no meio: metade jurando que é armação pra engajamento, metade torcendo igual torce pra novela das nove.
Pois é. A Dra. Dani sentou aqui na mesa do Flow. Com o Dileira do lado, o Samuel jogando gasolina em tudo e eu no meio tentando entender que porra tá acontecendo.
E vou te falar: eu era o mais desconfiado da sala. Sério. Eu sou aquele cara chato que acha que tudo hoje em dia é rage bait, que tudo é roteiro. Aí o papo foi pra um lugar que eu não tava esperando. Foguete, tá. Mas também parada de fumar, irmão mais velho cobrando intenção, sete anos trancado dentro de casa e uma mensagem que um pai mandou pro Flow que me deixou bobo aqui.
Bora?
Começou com um foguetinho na academia
O bagulho é o seguinte: nada disso foi combinado. A origem da história é dia de perna.
O Dileira tava treinando com o Julião, sem nenhuma intenção, e a Dani entrou na academia. Ele olhou e falou pro amigo que aquela ali era bonita pra caralho. Só isso. Comentário de vestiário, aquela coisa que morre em cinco segundos.
Só que o Julião é wingman de verdade. Foi lá e chamou a mulher.
E qual foi o primeiro xaveco do cara? Um foguetinho. Literalmente. Ele soltou um rojão pra ela na frente de todo mundo e emendou dizendo que ela não tinha defeito, que não parecia a idade que tinha, que a pele era hidratada, viçosa.
Ela achou lindo.
Cara, eu preciso aprender. Na moral. Eu fico impressionado com a capacidade de xaveco do PCD, porque eu no lugar dele ia chegar gritando qualquer merda e sair correndo.
O carro de som que ninguém avisou pra ela
Aí veio a parte que virou o meme.
A Dani tinha avisado o condomínio dela. Falou "ó pessoal, vai ter uma gravação rapidinha aqui na frente, nada demais, não estranha". Na cabeça dela ia chegar um cinegrafista, gravar dois minutos e ir embora.
Aí ela ouviu o nome dela ecoando na garagem. No microfone.
Ela desceu já pensando "meu Deus, a hora que eu abrir esse portão, já era". E era mesmo. Tinha carro de som, tinha um Uno, tinha um velhinho torto, tinha dona Florinda, tinha até criança no colo. O Julião estourando rojão do lado da criança. E os caras jogando pétala de rosa contra o vento, então a pétala nem chegava perto dela.
Ela olhou aquilo e ficou com vergonha. Só que ela ficou.
Ela podia ter voltado pro prédio, tá ligado? Podia ter mandado todo mundo tomar no cu, e ninguém ia culpar ela. Ela atravessou a rua e foi ouvir o cara.
Antes disso teve o boteco, que foi o primeiro date. Ele levou ela num boteco de espeto, sem cardápio, e ela sacou na hora que aquilo era teste. Teste de humildade, pra ver se ela ia torcer o nariz. Sabe o que ela respondeu quando perguntaram o que ela achou do lugar? Que o que importa é a companhia.
Massa. Passou.
"Parei de fumar por dois motivos"
Agora vem a parte que eu não esperava.
O chat do Flow encheu o saco do Dileira durante meses por causa do cigarro. Todo programa era a mesma coisa, todo mundo cobrando. E aí, quando o cara faz quatro dias sem fumar, ninguém fala nada. É sempre assim, né? A gente crucifica rápido e elogia devagar.
Aí eu perguntei por que ele parou.
Primeiro motivo: pra beijar ela. Segundo motivo: pra namorar ela.
Foi isso. Sem rodeio, sem discurso de coach.
E tem um detalhe aí que muita gente perdeu no meio da zoeira: o cara tem TDAH e ele mesmo falou abertamente que tem uma facilidade absurda pro vício. Já passou por coisa pesada, já trocou um vício por outro, já foi parar em hospital. Então quando ele fala "parei de fumar", não é um adesivo de nicotina. É uma parada de guerra.
E o ritmo dele nisso tudo é o que eu chamaria de conto da igreja: conversa, dá a mãozinha, beijinho, calma. Ele escolheu esperar. Falou uma frase que eu anotei: ninguém ganha do homem impaciente.
Ah, e teve o irmão dela. O cara chamou o Dileira pra conversa, daquele jeito irmão mais velho mesmo, "que que tu quer com a minha irmã". Resposta do Dileira: 39 anos, quer casar e quer ter filho, não tá pra brincadeira.
Tu imagina responder isso na cara do cunhado, ao vivo, sem gaguejar? Pois é.
A parte que ninguém clipa
Aí o papo virou pra Tourette e essa parte foi a que mais me pegou.
Tem uma galera na internet que jura que é tudo encenação, porque assiste corte de dois minutos que é só tique. Aí a pessoa vê ele conversando normal por quarenta minutos e grita "tá vendo, é mentira".
Não dá pra dar tique o tempo inteiro, mano. Não é assim que funciona.
O Dileira explicou que quando ele tá num ambiente confortável, ele solta. Quando o clima tá pesado, ele segura, se morde, transfere pra outro lugar do corpo. E perto da Dani os tiques diminuem, porque o corpo relaxa. O Samuel confirmou a mesma coisa por conta própria.
E eu fiquei tentando achar uma tradução pra isso, porque eu não manjo porra nenhuma de neurologia. Aí me veio uma bobagem minha: eu não consigo deixar o volume do carro num número ímpar. Tem que ser par ou múltiplo de cinco. Parou no 13, me incomoda, eu tenho que mexer.
Eles falaram que é mais ou menos isso, só que um conjunto de mil dessas ao mesmo tempo. Ou, como o Samuel resumiu melhor: é tipo potencializar o soluço.
Faz sentido, saca? Tu não escolhe o soluço. Ele vem.
Agora o número que me derrubou: foram sete anos trancado dentro de casa até ele se aceitar. Sete. E ele fez questão de deixar claro que aceitação é processo, não é chave que tu vira.
O pai que mandou mensagem pro Flow
E aí teve uma hora que eu contei uma parada que aconteceu comigo.
Um pai mandou mensagem pro Flow agradecendo por a gente ter contratado o Dileira. Porque a filha dele tem Tourette, e na escola ela era "a esquisita". Hoje ela é "tipo o Dileira". E aí ela tem a turma dela.
Porra.
Eu tenho filha. Eu não vou nem fingir que eu recebi isso como profissional de mídia, porque eu não recebi. Eu li aquilo pensando na minha casa, num pátio de escola, numa criança que fica sozinha no recreio porque ninguém sabe o nome do que ela tem.
E o Samuel, que tá ali do lado, falou que ele mesmo nem sabia o que era Tourette. Descobriu vendo vídeo do Dileira.
É por isso que eu não consigo mais tratar esse quadro como só zoeira. É zoeira, é. Mas por baixo tem um cara virando referência pra um monte de gente que tava se escondendo. Isso não é pouca coisa não.
E a Dani, o que ela ganha com isso?
Essa é a pergunta que a internet faz de forma torta: "ela só quer hype".
Deixa eu te perguntar uma coisa: quem é a Dani fora da novela?
Biomédica, citopatologista, esteta. Passou anos estudando antes de pensar em qualquer outra coisa. Treina sério, tá num projeto no CT, anda com marmita na bolsa, tá com o percentual de gordura na faixa de atleta amadora e cogita competir, mas sem entrar no extremo que ela não quer entrar.
Ela não precisa de views do Flow. É isso.
E a resposta dela pros comentários foi de uma calma que me irritou de tão boa: o tempo é a melhor resposta pra tudo e o silêncio dela também é resposta, porque ela não precisa ficar se justificando.
Cara, teve um momento ali que era todo mundo gritando, foguete, tique, palavrão, eu berrando, o Samuel jogando bomba. E ela falando baixinho, no mesmo tom. E todo mundo abaixando o volume pra ouvir.
Mulher é foda, viu.
A tatuagem de 2020
Agora o soco.
A Dani tem uma tatuagem escrita assim: são seus defeitos que fazem de você uma pessoa única.
Frase de A Bela e a Fera, filme que ela ama. Ela fez em 2020. Seis anos antes de conhecer o cara.
Eu não sou o cara mais crente da mesa, ou não era, sei lá. Mas eu tô cada vez mais convencido de que tem coisa que não é coincidência. Tu não escreve isso na própria pele e seis anos depois esbarra num cara que passou sete anos escondido justamente por causa dos defeitos dele. Não fecha por acaso.
Tem um destino que Deus aproxima, tem um que a galera copia. Esse aí não copiaram, não.
E o beijo?
Não rolou. Duas vezes o cara perdeu o timing.
Ela chegou perto, ele congelou. Ela chegou de novo, ele achou que ela ia falar alguma coisa, travou, ela recuou. O chat inteiro gritando. Eu gritando. O Samuel gritando.
E sabe o que eu achei mais bonito nisso? O nervosismo é a prova. Cara que tá atuando não fica com a mão gelada e o coração a mil.
Aí ainda teve a parte em que ele calçou a luva do Popó e a gente ficou trocando murro no braço um do outro, o que definitivamente não foi minha ideia mais inteligente do ano. Meu braço ficou Red Velvet também.
E o beijo tem endereço marcado: a novela começou lá no canal do Cariane, então é lá que tem que acontecer. Não vai ter spoiler aqui, tá bom? Promessa é promessa.
No fim das contas
Eu entrei nesse papo achando que ia rir duas horas e sair igual entrei.
Saí anotando umas coisinhas. Que aceitação leva o tempo que leva, e o do cara levou sete anos. Que quando uma pessoa importa de verdade, tu para de fumar sem precisar de discurso. Que elogiar quem acertou custa nada e a gente não faz. E que às vezes o que tu acha que é teu defeito é exatamente a parada que faz alguém te enxergar no meio da academia.
Se não servir pra tu no amor, serve pro teu trabalho. Serve pro teu filho que tá se achando esquisito na escola.
O papo completo tá lá no canal do Flow no YouTube. Dá o like, comenta aí se tu acha que vai rolar o beijo, compartilha com aquele teu amigo que perde o timing igual o Dileira.
A gente se vê depois.
