Felipe Moura Brasil e Igor 3K receberam o advogado Alberto Rolo no Flow News para explicar a candidatura relâmpago de Pablo Marçal
Foto: Divulgacao
Felipe Moura Brasil e Igor 3K receberam o advogado Alberto Rolo no Flow News para explicar a candidatura relâmpago de Pablo Marçal

Salve, família.

Tu acordou essa semana, abriu o celular e leu "Pablo Marçal é candidato à Presidência da República", né? Pois é. Eu também. E a minha primeira reação foi tipo... peraí, como assim? O cara não tá inelegível? Tem três processos nas costas, todo mundo sabe disso, e mesmo assim o nome dele aparece na disputa presidencial de um jeito que parece que tá tudo certo?

Então eu fiz o que eu sempre faço quando eu não manjo do assunto: chamei quem manja.


Sentou aqui comigo no Flow News o Felipe Moura Brasil, que tu já conhece, e a gente puxou o Dr. Alberto Rolo, advogado que vive disso, pra explicar o que tava acontecendo. E cara, o papo rendeu muito mais do que eu esperava. Começou em direito eleitoral e terminou em Discord, diploma de jornalismo e um contrato de quase 4 milhões por mês. Vou te contar tudo.

Calma que o bagulho é mais simples do que parece

O Rolo abriu o jogo assim: começou com uma liminar.

O Marçal conseguiu, na primeira instância da Justiça Eleitoral, o direito de se filiar ao PRTB com data retroativa a 4 de abril. O argumento dele, segundo o Rolo, foi que ele queria estar filiado lá atrás, mas houve demora na liberação da senha do partido, e por isso ele só conseguiu concluir a filiação na semana passada, fora do prazo. O juiz entendeu que a demora não tinha sido culpa dele nem do partido, e deferiu.

E isso importa por quê? Porque filiação partidária dentro do prazo é uma das condições de elegibilidade. Com a liminar, ele cumpriu essa. Uma. Faltam as outras.

Aí tem uma confusão que muita gente fez e o Rolo cortou na hora: o Marçal não registrou a candidatura. Ele pediu o registro. É diferente. Ele protocolou o pedido, e agora a Justiça Eleitoral vai analisar as outras condições e a Lei da Ficha Limpa. Quem julga não é a primeira instância, não é o TRE de São Paulo. É o TSE, porque é candidatura a presidente.

E aí vem a parte que resolve tudo.

"Zero." Foi essa a resposta

Eu perguntei direto pro Rolo quais eram as possibilidades de o Marçal ser candidato. Ele respondeu: zero. Nenhuma.

O motivo, na explicação dele: são três condenações do TRE de São Paulo, que é órgão colegiado. E a Lei da Ficha Limpa diz que a inelegibilidade vale ou quando a condenação transitou em julgado ou quando ela veio de um órgão colegiado. É o caso. Oito anos contados a partir da eleição de 2024. Ou seja, 2032.

Eu perguntei uma coisa que eu achei que ia pegar: e os três processos, empilham? Vira 8 + 8 + 8?

Não. O Rolo explicou que os prazos correm juntos, não somam. São 8 anos no total, ainda que sejam três condenações diferentes.

E teve mais. O Rolo disse que ouviu de uma fonte dele (que ele não revelou, e eu não vou ficar cutucando) que o pedido teria sido protocolado às 19h41 de sábado, sendo que o prazo terminava às 19h. Isso ainda vai ser verificado, mas se for, complica ainda mais o lado dele.

O Felipe leu ali no ar uma matéria da Folha dizendo que ministros do TSE devem rejeitar a candidatura e enxergam nela uma tentativa de tumultuar a eleição. A reportagem citava a avaliação de que ele saberia estar inelegível e quereria usar a janela entre o pedido e a negativa pra fazer atos de campanha. A relatora do caso é a ministra Estela Aranha.

Tá. Então se é zero, por que fazer?

O aluno malandrinho da sala

Vou te falar uma coisa. Eu fui professor de inglês. E tem um tipo de aluno que qualquer professor reconhece na hora: o malandrinho.

Ele não fez o dever de casa. Tu sabe que ele não fez. Ele sabe que tu sabe. Só que ele nunca te dá uma resposta que te obrigue a ligar pra mãe dele. Ele é liso. Escorregadio. Ele te fala uma coisa que parece outra, tu fica ali processando, quando tu percebe a aula acabou e ele continua sem ter feito o que devia.

Eu sabatinei o Marçal em 2024, quando ele tinha quase um terço das intenções de voto em São Paulo. E teve um momento que ficou marcado pra mim. Ele vinha contando de lançamento, tantos milhões, depois mais tantos, depois mais e chega num número absurdo. Eu cutuquei. Aí veio o "não, calma, isso aqui foi um empreendimento imobiliário".

Então não era lançamento. Era outra coisa.

Pois é. É isso que eu quero dizer com liso.

Agora, uma coisa é o cara ser bom nisso. Outra coisa é usar a regra do jogo só pra tumultuar o jogo. Porque a presidência da República é sério. Ou pelo menos deveria ser, né?

E aqui eu preciso registrar o meu incômodo com o outro lado dessa história, que é o partido. Na minha opinião, o PRTB fez um papelão. Ceder espaço numa corrida presidencial pra quem, segundo o próprio advogado que a gente entrevistou, tem chance zero... cara. Vale tudo por número?

O Felipe discordou de mim. E ele tem um ponto

Aí aconteceu uma coisa boa no programa: o Felipe me contestou.

Eu falei que o Marça l é um bom vendedor. Que nisso ninguém consegue dizer que ele é ruim, que o produto dele é ele mesmo, que tudo comunica alguma coisa: o azul, o palco, o discurso depois da corrida. E o Felipe travou ali.

Pra ele, chamar de "bom vendedor" já é conceder demais. Ele argumentou que a eficácia existe, mas funciona sobre um público específico, gente que ainda não desenvolveu ferramenta pra checar o que tá ouvindo. E que quando a pessoa desenvolve, a lábia para de funcionar. A palavra que ele preferiu foi outra: marqueteiro.

Eu escutei. Não sei se eu concordo 100%, mas entendi o ponto dele e acho que a diferença entre as duas leituras diz muita coisa.

O Felipe listou o que embasa a posição dele e aqui é análise dele, deixando claro: as acusações que o Marçal fez ao Boulos em 2024, com um documento sobre uso de cocaína cuja assinatura seria de um médico já falecido, a ponto de a filha do médico precisar vir a público explicar que aquilo não era a assinatura do pai (ela tinha a assinatura tatuada). O Felipe também lembrou que o Marçal foi condenado por estelionato antes de tudo isso, num caso de fraude bancária em que a defesa dele alegou que ele só fornecia lista de e-mails e teria sido enganado. E citou ataques recentes de cunho pessoal, mexendo com sexualidade de adversário, coisa que os dois ali na mesa acharam baixo.

E eu entro nessa lista também, na condição de quem levou. Ele disse na TV aberta que eu teria recebido quase R$ 500 mil da prefeitura pra fazer um debate que o atrapalharia. Não recebi. Ponto.

A parte que ninguém quer ouvir: o problema não é só o Marçal

Aqui o papo subiu de nível e eu anotei.

O Felipe fez uma leitura sobre polarização que me pegou. A ideia é a seguinte: hoje as pessoas desenvolveram um ódio tão grande a um lado que passaram a relativizar toda a sujeira do outro. Aí qualquer figura, com qualquer histórico, se chegar apontando o dedo só pra um dos grupos, ganha curtida, ganha compartilhamento, ganha tribo.

E ele soltou uma inversão que eu achei sinistra de boa: chamam de "em cima do muro" quem aponta a sujeira de todos os lados. Só que quem tá em cima do muro é quem não aponta a sujeira de ninguém, quem coloca pano quente e fica protegido. Quem aponta pra todos os lados tá é embaixo do muro, tomando porrada dos dois.

Faz sentido, saca?

A conclusão dele foi essa: não adianta olhar só pro discurso. Tem que olhar pro histórico e ver se, em momentos de tensão, quando dava pra ganhar mais dinheiro ou mais visibilidade mudando de lado, a pessoa manteve o princípio. Se tu não faz essa análise, tu vai ser manipulado.

Do Discord ao diploma: quando o remédio é pior que a doença

Depois a gente virou a chave pra tecnologia e aí eu tive que me posicionar.

Rolou um caso gravíssimo envolvendo uma menina de 13 anos e a partir disso veio a discussão de tirar o Discord do ar. A ANPD acabou determinando a suspensão das transmissões ao vivo na plataforma enquanto ela não demonstrar uma série de medidas de mitigação de risco.

E cara, eu jogo. Eu conheci o Discord porque ele substituiu o TeamSpeak, onde a galera entrava pra se falar durante o jogo. E o meu ponto é: ninguém cai por acaso num servidor onde acontece atrocidade. Não acontece sem querer. Tem que procurar.

Isso não diminui em nada a gravidade do que aconteceu. Diminui a eficácia da canetada. Porque proibir live no Discord não faz a live sumir do Instagram, do YouTube, de qualquer outro lugar. É bandeide. E o Felipe puxou pro lado que eu acho certo: tem toda uma camada anterior ali, de família, de acompanhamento, de contexto, que não se resolve desligando um botão.

Ele usou uma comparação boa: tu não proíbe piscina porque existe afogamento. Tu não proíbe carro porque existe acidente.

E aí ele conectou com uma preocupação maior. A de que casos com forte apelo emocional venham a ser usados como porta de entrada pra medidas de controle que depois se ampliam pra outras finalidades. Como exemplo, ele citou a discussão sobre voltar a exigir diploma pra exercer jornalismo, num momento de atrito com a imprensa.

E eu, que sou formado em jornalismo, falo o seguinte: não foi a faculdade que me ensinou a escrever. Foi meter a cara em livro e praticar. Conheço gente diplomada que não sabe nada e gente sem diploma que é muito melhor jornalista.

Ah, e o manual de ética de quase 4 milhões

Antes de fechar, uma última que eu preciso comentar, com toda a data máxima vênia.

Saiu no noticiário um contrato milionário, na casa dos R$ 3,6 milhões por mês, que envolveria a revisão de um manual de ética pra um banco que tá no meio de um esquema de fraude financeira. Manual de ética. Pra um banco naquela situação. Já é cômico. Só que, segundo o que saiu, o tal manual ainda tinha erro de revisão.

Mano.

Eu falei ali na hora, meio de brincadeira e meio a sério: eu tenho filhas, elas tão crescendo, e eu preciso saber quais carreiras sugerir. Advocacia tá parecendo excelente. Aí o Felipe corrigiu: talvez não seja exatamente a carreira de advogado. Talvez seja outra especialidade.

Tá bom. Entendi.

Fechando

Cara, eu saí desse programa com um monte de coisa anotada, e a que mais ficou não foi nem jurídica.

Foi o negócio de olhar o histórico antes de se emocionar com o discurso. Isso serve pra política, mas serve pra tudo, tá ligado? Serve pra quem tu contrata, pra com quem tu faz sociedade, pra quem tu escuta na internet. Discurso é barato. Histórico é caro.


E teve o Rômulo perguntando se a gente vai declarar voto em alguém. Não vamos. O Flow é neutro, a gente tá aqui pra expor todos os lados de todo mundo e deixar cada um formar o próprio juízo. Perguntaram também se eu convidaria o Marçal pra debate. Meu critério é relevância e é legítimo qualquer veículo somar a isso a exigência de estar elegível. Todo mundo que vier pra debate aqui vai ser tratado igual, sem arapuca e sem privilégio.

Se tu quer ouvir o papo inteiro, com o Dr. Alberto Rolo explicando cada prazo com calma, corre lá no YouTube.

Dá o like, comenta aí o que tu achou, compartilha, manda no grupo da família que sempre discute política no almoço de domingo. E segue o Felipe Moura Brasil no Instagram e no canal dele, o cara publica análise dos fatos de segunda a sexta.

A gente se vê depois. Beijo.

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