<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><lastBuildDate>Fri, 25 Sep 2026 11:14:17 +0000</lastBuildDate><title>Flonews IG | Flow Podcast, Notícias, Política e Curiosidades</title><description>Cortes do Flow Podcast, notícias, curiosidades virais e política sem filtro. O Flonews IG traz debates, bastidores e temas que movimentam o Brasil. </description><link>https://flow.ig.com.br</link><atom:link href="https://flow.ig.com.br/rss/v1/feed" rel="self" type="application/rss+xml" /><item><guid isPermaLink="false">6aada9ef913ea0d8648b323e</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 21:15:31 +0000</pubDate><title>&quot;Impossível pagar&quot;: Raul Sena explica o sistema financeiro</title><description>Raul Sena voltou no Flow e abriu o jogo sobre juros, bets, Banco Master e STF. Teve hora que eu chamei ele de doente. Corre ler.</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/0h/l6/z8/0hl6z8jk3y9qe1htq4khhbml0.jpg"><figcaption>Raul Sena é o convidado de Igor 3K no Flow Podcast #651<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p><strong>Raul Sena</strong> voltou aqui na mesa do <strong>Flow</strong>. Segunda vez. E me sacaneou antes de eu terminar a apresentação: quando o convidado vem uma vez só é porque deu merda. Filho da p*ta.</p><p>Eu não manjo porra nenhuma de mercado financeiro, tá ligado? O combinado foi ele falar e eu interromper até entender.</p><p>Teve o Banco Master explicado com o Flow de cobaia. Teve a conta das bets, que não fode só quem aposta, fode a minha empresa também. E teve uma cena no centro de São Paulo que fez ele voltar pra Goiás.</p><h2>A gente conseguiu uma coisa que nem país em guerra consegue</h2><p>O Copom tinha acabado de cortar 0,25 e botar a Selic em 13,75%. Quinto corte seguido. Eu falei que pelo menos é melhor que aumentar. Ele riu da minha cara.</p><p>Porque pro empresário isso muda quase nada, saca? Tu tava pagando 28,65 de juro, agora paga 28,30. E em 2020 a taxa daqui foi a 2%. Dois.</p><p>Vice-campeões mundiais, ele disse. Tem país em guerra com juro melhor que o nosso, né?</p><p>Mas o ponto dele não é o juro. É o que a gente faz com o dinheiro. Ferrovia produz depois, vale-gás tu queima e acabou. Só que ninguém faz projeto que rende em 30 anos precisando de resultado em dois. Daí a pergunta que eu fiquei repetindo sozinho depois: tem como assinar teu nome num cano de esgoto?</p><p>Não tem. Por isso o poste aqui é virado pra fora.</p><p>E aí veio a que me virou do avesso. Ele adoraria que o problema daqui fosse corrupção, porque se fosse só isso os caras fariam obra grande, país grande, tudo pra ter mais de onde tirar.</p><p>Não é que roubam. É que roubam mal.</p><p>Aí ele contou um papo de bêbado que teve na China, e aqui eu preciso ser claro: a tese é dele, não minha. Ele quis dar uma lacrada num chinês, falou que lá ninguém escolhe quem manda. E o cara devolveu uma que o Raul não rebateu: se fosse esse o sistema lá, ele, bêbado daquele jeito, votaria no primeiro que prometesse 500 pila pra beber.</p><p>O Raul saiu de lá achando que o doido é a gente. E resume o coeficiente eleitoral assim: tu vota no palhaço e elege o marginal.</p><p>Eu não fui junto. Falei na cara dele que isso é conclusão grande demais pra caber numa mesa de bar em Xangai. Ele não recuou. Seguimos discordando.</p><h2>As bets não ferraram só quem aposta. Ferraram a minha empresa aqui</h2><p class="   ">Essa parte me pegou no bolso.</p><p class="  ">A lei que liberou aposta de quota fixa é de 2018, e segundo ele ninguém que votou respondeu por nada: família endividada, gente se matando, jogo de futebol que tu não sabe mais se tá limpo.</p><p>Mas a conta que ele fez foi outra. Pensa que o mercado de publicidade tinha 100 reais. Chegaram as bets e o bolo virou 125. Só que os 100 de quem vende produto de verdade viraram 70. Por quê? Porque eu, pra vender um pack de água, tenho que fabricar, encher a lata, entregar na tua casa. A bet entrega o quê? Uma tela. E pode pagar 500 pila pra te adquirir, porque tu vai perder dois mil.</p><p>Aí o custo de anunciar subiu pra todo mundo, e o dinheiro vai embora: paraíso fiscal, dois funcionários, nenhum garçom.</p><p>Ele comparou com o jogo do bicho, que segue ilegal. O tiozinho da banca junta o dinheiro do bairro, alguém do bairro ganha, o resto ele gasta na mercearia dali. Circula. E o tiozinho vai preso. A bet nas Bahamas patrocina a camisa do teu time.</p><p>Olha o tamanho disso.</p><h2>Ele comprou metade do Flow por 50 milhões e vendeu pra ele mesmo por 500</h2><p>Aí eu puxei o Banco Master. E cara, ele explicou usando o Flow de cobaia, com o Jean rindo atrás da câmera.</p><p>Funciona assim, na versão dele. O banco emite CDB pagando 130% do CDI, taxa que ninguém honra de pé. Com esse dinheiro ele chega aqui e fala: "Igão, quanto vale esse boteco? Cem milhões? Compro metade por cinquenta." Três meses depois vem outro fundo, do mesmo dono, e compra aquela participação por dez vezes mais. O Flow agora "vale" um bilhão, os cinquenta viraram quinhentos no balanço, e com esse papel dá pra emitir mais CDB.</p><p>Dinheiro que não existe comprando dinheiro que não existe.</p><p>E aí veio a frase que eu não queria ter entendido: é matematicamente impossível quitar as dívidas desse país. Tu deposita dez no banco, o banco empresta sessenta. Se todo mundo fosse pagar no mesmo dia, esse dinheiro não existe.</p><p>Eu perguntei como é que essa porra fica de pé. Ele: fica porque ninguém puxa.</p><p>E o desfecho, na tese dele, é seco. O cara cometeu o único erro que não se comete no Brasil, que é roubar de banqueiro: quem pagou a conta foi o Fundo Garantidor de Créditos, que é privado. Itaú, Bradesco, Santander, BTG, todo mundo. Ninguém arruma confusão com todos os banqueiros do país e sai da cadeia.</p><h2>"Tu é completamente doente, Raul"</h2><p>Essa frase é minha, na cara dele. Ele gostou.</p><p>Ele defende que ministro do STF devia entrar por concurso. Pesado, tipo Itamaraty, salário alto pra não compensar roubar, mandato de cinco anos, sem rede social, sem entrevista, sem comentar caso na TV. Decide calado e vaza.</p><p>Beleza, até aí eu acompanho. Aí veio a segunda parte.</p><p>Pra ele, a única forma de o Congresso aprovar moralização é oferecendo anistia geral. Passa a régua em tudo até 2026, ninguém investiga pra trás, e a regra nova vale daqui pra frente. Porque nenhum deputado vota lei que pega nele mesmo.</p><p>Foi aí que eu chamei ele de doente. E ele: não sou doente, tô pensando num jeito que funcione, porque o que eles falam que vai resolver não resolve.</p><p>Sobre o contrato do Banco Master com o escritório ligado à família de um ministro do Supremo, ele foi específico: o que choca não é o valor, é o que tá sendo comprado ali, que pra ele é proximidade. Eu discordei na hora. O valor choca, sim, quando tu olha o trabalho entregue e tem coisa escrita errada.</p><p>Ele não me convenceu e eu não convenci ele. Tá valendo.</p><p>Jogaram criolina no chão pra mendigo não dormir</p><h2>Agora a parte que mudou o clima na sala.</h2><p>Ele morou em São Paulo em 2019, perto da República. Primeiro dia, viu lixo na calçada onde o povo come e ligou pra prefeitura. A produtora inteira riu dele. No dia seguinte tava limpo e ele saiu mandando foto pra todo mundo, tipo criança.</p><p>Dois dias depois sentiu um cheiro forte na rua e foi perguntar pro cara do salgado que merda era aquela.</p><p>Era criolina. Jogada no chão pra morador de rua não conseguir deitar ali.</p><p>Ele falou que foi a coisa menos civilizada que já ouviu na vida. E fez questão de dizer que não tava julgando o cara do salgado, que também tem o problema dele. Só que não deu conta. Voltou pra Goiás.</p><p>Teve também a noite em que foi andando pra casa e caiu no meio de uma cracolândia. Um maluco começou a gritar que ele era policial por causa do sapato. Tinha gente armada. Quem tirou ele de lá foi uma travesti, que pegou na mão dele e disse que era cliente antigo.</p><p>Ele contou rindo. Eu não achei graça nenhuma.</p><p>E sabe o que mais me incomodou? Uma que ele falou de passagem: aqui a gente levanta da mesa do restaurante e dá um baculejo no próprio corpo pra ver se tá tudo no lugar.</p><p>Tu faz isso. Eu faço todo dia e já nem percebo mais.</p><h2>O irmão dele comprou dez ar-condicionados e quase levou dois tiros</h2><p>Pra não terminar com o nó na garganta, ele emendou uma do irmão. Também não é leve, mas tem outro sabor.</p><p>O irmão é doutor e escolhe dar aula em escola pública, por vocação. Fez uma horta pra molecada levar hortaliça pra casa e a prefeitura arrancou tudo. Depois foi pra secretaria de educação, montou uma planilha que travou o desvio das verbas e começou a receber ameaça.</p><p>O Raul ficava de madrugada tentando convencer o cara a largar. E aí, num colégio quilombola onde os alunos passavam mal de calor, o irmão ligou pedindo ajuda. Ele achou que ia ser um ar-condicionado. Dois, no máximo.</p><p>Foram dez. Pagos do bolso.</p><p>O jeito que ele fechou resume o episódio: esse tipo de gente não quer virar político, quer resolver com a mão.</p><p>E depois, pra não passar vergonha de ter se emocionado no ar: "salve, Caio. Mas não presta não, é comunista."</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Antes de fechar ele cravou um alerta: o split payment cobra o imposto na hora em que o dinheiro cai na conta, e pega quem hoje é isento na prática e não na lei. Taxista, diarista, a tia do biscoito.</p><p>Aí eu perguntei se dá pra sonhar que essa porra melhora. Depois de duas horas demolindo tudo, ele disse que tem certeza que sim.</p><p>O argumento é esse: a geração nova de político, dos dois lados, acredita no que tá falando. Ele citou nome de gente que odeia e de gente em quem votaria, e disse que o que importa é que nenhum deles tá de sacanagem. Porque com quem tá de sacanagem tu apresenta o melhor argumento do mundo e não muda nada. Quem não tá, pode ser convencido.</p><p>Pois é. A esperança dele não é que os caras concordem. É que eles ainda possam mudar de ideia.</p><p>Eu anotei um monte, como sempre. Levei a conta das bets, que eu uso em reunião essa semana. E levei a do Caio, a mais difícil de aplicar e a única que interessa: tem gente que resolve o problema com a mão, sem plateia.</p><p>Ah, e ficou uma imagem. Eu falei que o gênio já tinha saído da lâmpada. Ele corrigiu: gênio tu enfia de volta, o certo é pasta de dente. Tu aperta o tubo e não puxa mais.</p><p>Papo completo tá lá no canal: </p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/DBc68IpXt5U" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí se tu acha que o split payment vai dar merda e manda no grupo do trabalho, que esse aqui rende discussão.</p><p>Muito obrigado pela moral, Raul. A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/-impossivel-pagar---raul-sena-explica-o-sistema-financeiro.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Raul Sena, Selic, split payment, investidor, Banco Master, Bets, Economia, Igor 3K</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad9ce9913ea0d8648b3234</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 20:19:57 +0000</pubDate><title>Caiado: anistia no primeiro dia e fim da reeleição por PEC</title><description>Sabatinei o Caiado no Flow News. Anistia no primeiro dia, fim da reeleição e um plano pro STF</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/3b/xd/ww/3bxdww5xqf0iokcjwhi967pr3.jpg"><figcaption>Ronaldo Caiado é sabatinado no Flow News<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Quem sentou aqui comigo no <strong>Flow News</strong> foi o <strong>Ronaldo Caiado</strong>, governador de Goiás e <strong>candidato</strong> à Presidência pelo <strong>PSD</strong>. Ele ficou duas horas na cadeira. E falou uma coisa que me pegou: que foi a primeira vez na campanha inteira que ele teve tempo de conversar de verdade.</p><p>Pensa nisso. <strong>Candidato</strong> a presidente sem espaço pra falar mais de cinco minutos seguidos, né?</p><p>Eu não manjo de regimento de Supremo nem de política de presídio. Meu papel aqui é apertar onde dá e traduzir o resto.</p><p>Ele falou de anistia, falou de reeleição, falou do Vorcaro, e teve uma hora que ele me fez um convite que eu não esperava. Bora.</p><h2>"Graças a Deus a população enxergou"</h2><p>A gente gravou no dia seguinte àquela sessão do STF. E aí não teve como começar por outro lugar.</p><p>O Caiado não amenizou. Pra ele, o Brasil viu um colegiado se acusando por dentro, num nível que ele diz não ter visto nem no Legislativo. E a leitura dele é que a exposição foi boa: graças a Deus a população enxergou, foi a frase.</p><p>Aqui eu topei e completei. Porque eu prefiro ver aquilo do que não ver, tá ligado? Por mais desconfortável que seja, o cidadão descobriu na marra que aquelas indicações são políticas e que existem alas ali dentro. Isso é didático.</p><p>Ele apontou uma saída que eu não conhecia: não é só o Supremo que pode se autocorrigir. Na omissão da Corte, o Senado teria a prerrogativa de instalar comissão de ética e afastar ministro. E aí ele perguntou onde está a voz do Senado.</p><p>Sobre como se escolhe ministro, a proposta dele tem quatro pernas: notório saber, idade mínima de 60 anos, varredura completa da vida pregressa antes da indicação, e quarentena ao sair. Oito anos antes de poder ser candidato a qualquer coisa.</p><p>A lógica dele é simples e meio dura: hoje se escolhe jovem porque jovem fica mais tempo, e se escolhe amigo porque amigo é leal a quem indicou, não à Constituição.</p><p>É tipo montar time de futebol escalando quem é teu chegado em vez de quem joga. Funciona no domingo com os parceiro. Não funciona quando o campeonato é o país.</p><h2>Anistia no primeiro dia. Sem meia palavra.</h2><p class="   ">Essa é a parte mais pesada do episódio e eu vou entregar sem enfeite.</p><p class="  ">Eu perguntei se ele mantém o que já tinha dito antes, que não sabe se o 8 de janeiro foi golpe. Ele manteve. E emendou que vai encaminhar anistia a todos no primeiro dia de governo, deixando claro que a palavra final é do Congresso, não do presidente.</p><p>O argumento dele é que isso só alimenta uma briga que não entrega nada pro cidadão.</p><p>É posição dele, e é uma das mais contestadas do debate público brasileiro hoje. Eu registrei ali e registro aqui. Tem gente que vai ler isso e fechar o Flow com raiva. Tudo bem, é pra isso que serve perguntar.</p><p>Na mesma lista do primeiro dia ele colocou o fim da reeleição, e aí ele foi mais longe do que eu esperava: quer PEC promulgada encerrando o próprio mandato em 2030, sem chance de continuar. A frase que ele usou foi que ninguém governa sendo soldado do rei e soldado do papa ao mesmo tempo.</p><p>Ou tu governa, ou tu se reelege. Escolhe.</p><p>E olha, vindo de um cara que tá disputando justamente essa cadeira, é uma promessa cara de fazer.</p><h2>Vorcaro, Lula e Flávio: a tese mais grave que ele soltou</h2><p>Agora a parte que exige cuidado, e eu vou ser bem explícito.</p><p>O Caiado afirmou que Daniel Vorcaro comprou os dois lados da política brasileira, com dinheiro pra cá e dinheiro pra lá, e que por isso a certeza dele seria sair solto depois da eleição, ganhe quem ganhar.</p><p>Isso é tese do candidato. Ele não apresentou prova no programa e eu não confirmei nada. O caso corre no STF.</p><p>Ele também listou, pelo nome, o que considera pendências do Flávio Bolsonaro e do Lula. Mesma régua: acusação de candidato contra adversários, em período eleitoral, três semanas antes do voto. Trata como tal.</p><p>O que eu acho justo destacar é outra coisa. Quando eu puxei o Bolsonaro pai, ele não desceu a lenha. Reconheceu que manter a direita unida fora do mandato e sem ser candidato é algo inédito na política brasileira, e disse que não gosta de falsear o que precisa ser reconhecido.</p><p>Aí separou as divergências, que são concretas: a vacina e a quarentena dos brasileiros repatriados da China. Ele é médico, acredita em ciência, e ali não deu.</p><p>O cara elogiou o pai e detonou o filho na mesma resposta. Isso não é comum, né?</p><h2>Presídio, facção e o embaixador de El Salvador</h2><p>Segurança é a bandeira dele e foi onde ele ficou mais à vontade.</p><p>O que ele diz ter virado o jogo em Goiás não foi patrulhamento: foi assumir o controle das penitenciárias. Cela de no máximo oito, scanner corporal, monitoramento ambiental, fim da visita íntima pra faccionado, audiência com advogado gravada.</p><p>E a separação física entre faccionado e não faccionado, com galpões de marcenaria, mecânica e confecção do outro lado, onde preso trabalha e sai com carteira assinada.</p><p>Segundo ele, o embaixador de El Salvador foi duas vezes a Goiânia ver o presídio.</p><p>Duas, mano. O cara do país que virou referência mundial em presídio veio aprender aqui, tá ligado?</p><p>O plano dele prevê 40 unidades no modelo, a R$ 3 bilhões, divididas pelos estados. E tem a parte mais polêmica: quer enquadrar faccionado como terrorismo, o que liberaria Marinha, Exército e Aeronáutica na Amazônia.</p><p>Eu cutuquei no ponto que me incomoda. Se o PCC chegou na Europa, ele já não está dentro do próprio Estado brasileiro? Ele não fugiu: disse que sim, que hoje tem em todo nível, e usou a palavra metástase.</p><h2>O absorvente e o prato de vidro</h2><p>Esse foi o bloco que mais me pegou, e não tem nada a ver com ideologia.</p><p>Ele contou que foi atrás de entender por que adolescente faltava aula em Goiás. A resposta era que menina não ia à escola por não ter absorvente. Ele passou a distribuir.</p><p>E teve o que ele chama de turno da fome, moleque que ia pra aula sem ter o que comer.</p><p>Aí veio o detalhe que eu anotei. Ele mandou servir a merenda em prato de vidro, com talher de inox, sentado à mesa com toalha. Não é frescura: a ideia dele é que a criança aprenda o que é uma refeição e leve isso pra casa, corrigindo os pais.</p><p>Porra. Isso é governar olhando pra gente, não pra planilha.</p><p>Ele diz que hoje sete dos dez colégios estaduais mais bem avaliados do país estão em Goiás, e que na alfabetização na idade certa o Ceará é primeiro e Goiás vem em segundo. São números que ele soltou de cabeça e que eu não conferi na hora.</p><p>E eu devolvi o meu incômodo: no Brasil a gente já põe dinheiro pra caramba na educação. O problema não é repasse, é regra velha e é desvio. Ele concordou, e contou de uma gravação em que um parlamentar ensinava um prefeito a desviar justamente a merenda e o transporte escolar.</p><p>Roubar a comida de criança em escola pública. É esse o nível.</p><h2>As bets, e a parte que doeu</h2><p>Aqui o papo ficou pesado de outro jeito.</p><p>Ele defende apertar as apostas online, e não pelo lado moral. Lembrou que a ludopatia é doença classificada internacionalmente, e trouxe o caso de um pai que viu o gasto do filho no extrato e ouviu de volta que aquilo não era droga nem era proibido, tanto que patrocina o time e aparece no evento inteiro.</p><p>Ele contou também que perdeu um integrante da própria equipe de segurança por causa de dívida de aposta. Não vou entrar em detalhe. Só registro que ele trouxe isso como experiência própria, não como estatística.</p><p>Mas eu discordei na prática. Proibir não resolve, porque ludopata faz VPN e joga em servidor de fora. Ele concordou na hora e ofereceu outro caminho: tributar na entrada, do jeito que se faz na Índia, onde boa parte da aposta já vira imposto antes de virar aposta.</p><p>Ou seja, em vez de proibir, encarecer até não valer a pena. Faz sentido, saca?</p><h2>"Me empresta a sua coragem"</h2><p>Teve uma hora que eu comentei aquilo que todo brasileiro fala no boteco: que político é tudo igual, que é tudo bandido.</p><p>E ele parou.</p><p>Falou que isso é o que mais dói nele. Ouvir na cara, depois de quatro décadas de vida pública, que tanto faz. Não sei te dizer se foi performance. Só sei que a pausa foi real e que eu preferi deixar ela acontecer a atropelar com outra pergunta.</p><p>Aí ele virou e fez um convite: se chegar à Presidência, quer despachar do bairro mais violento de cada cidade que visitar. Falou em Complexo do Alemão. E me chamou junto.</p><p>Eu ri e falei que ele só quer ir pros lugares sinistros. Mas o argumento não é piada: pra ele, presidente acobertado enquanto o povo fica exposto é o contrário do que o cargo deveria ser.</p><p>Depois me perguntou por que eu não me candidato. Respondi o que eu penso mesmo: provavelmente nunca vou. Meu jeito de contribuir é esse aqui, sentar e ter tempo de acessar o que tem na cabeça de vocês. Meu papel não é te dizer em quem votar.</p><p>E o episódio inteiro ele voltou numa figura que é invenção dele: a dona Irene. A mulher que no dia 15 já ficou sem salário, que faz a conta dentro do carrinho e sai do mercado com menos comida do que entrou pra comprar. Ele fechou falando direto pra ela, e a frase foi essa: me empresta a sua coragem.</p><h2>O que eu levo desse papo</h2><p>Uma coisa dele eu anotei e não tem nada a ver com eleição.</p><p>É aquele critério de escolher gente por lealdade em vez de competência. Ele falou daquilo pensando em ministro do Supremo, mas cara, isso vale pra quem tu contrata, pra quem tu faz sociedade, pra quem tu bota na tua equipe. Lealdade a ti é uma coisa. Lealdade ao trabalho é outra. Quando tu confunde as duas, tu tá montando um problema pro teu futuro.</p><p>Agora, o resto: não é pra tu acreditar em mim nem nele. É pra tu chegar no dia 4 sabendo mais do que sabia ontem. A gente contratou a Agência Lupa justamente pra checar o que é dito nessas conversas e no debate do dia 21, porque promessa de campanha tem que passar por peneira.</p><p>Se tu quer as duas horas completas, corre lá: </p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/rgZoXeD9BYw" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí o que tu achou e manda no grupo da família, no grupo da igreja, no grupo do bairro. Manda onde tu quiser. E se tu discorda de tudo isso, comenta também.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-09-18/caiado--anistia-no-primeiro-dia-e-fim-da-reeleicao-por-pec.html</link><dc:creator>Rian Fernandes</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Rian Fernandes</author><keywords>Eleições 2026, Ronaldo Caiado, PSD, STF, segurança pública, Goiás, Igor 3K, Flow News</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad998f913ea0d8648b322f</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 20:05:40 +0000</pubDate><title>Cury: fim da reeleição, presidencialismo e mandato no STF</title><description>Sabatinei o Augusto Cury no Flow News. Ele quer acabar com a reeleição, com o presidencialismo e com o mandato vitalício do STF</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/3d/v3/rl/3dv3rlg25c67mfx0g4or60ixr.jpg"><figcaption>Augusto Cury é sabatinado no Flow News<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Tu já viu na estante da tua mãe, da tua tia ou da tua avó um livro com o nome <strong>Augusto Cury</strong> na capa?</p><p>Pois é. Chance grande de sim. O cara vende livro nesse país feito água há mais de vinte anos.</p><p>E ele sentou aqui no <strong>Flow News</strong>. Só que não foi pra falar de mente humana, não. Foi porque tá concorrendo à Presidência pelo Avante, e a eleição é dia 4.</p><p>Minha primeira pergunta foi mais ou menos essa: então tu tá me dizendo que o Brasil precisa de um psiquiatra?</p><p>A resposta veio sem rodeio. Que Brasília, com as devidas exceções, virou um manicômio. A palavra é dele, tá ligado? Eu só tô reproduzindo.</p><p>Agora, eu não manjo de direito constitucional nem de macroeconomia. Meu papel aqui é apertar onde dá pra apertar e traduzir o resto. O papo foi de reforma do STF a inteligência artificial, passou por Banco Master, por uma acusação pesada sobre algoritmo, e teve uma hora que eu saí do script pra perguntar uma coisa que tava entalada. Bora.</p><h2>Os três "cânceres" da América Latina, na conta dele</h2><p class="   ">O Cury chegou com uma tese fechada, e ela é mais radical do que eu esperava.</p><p class="  ">Pra ele, a América Latina tem três problemas estruturais que travam o continente. Ele chama de câncer, e o termo também é dele.</p><p>O primeiro é a reeleição. O argumento é que reeleição namora com a autoperpetuação no poder, e que quem entra já entra devendo favor a quem ajudou a chegar lá. Aí o cara governa pensando na próxima candidatura em vez de pensar no país. Faz sentido, saca?</p><p>O segundo é a vitaliciedade no Supremo. Ele quer provocar o Congresso já na primeira semana pra trocar o mandato até os 75 anos por um de 8 anos. Ir embora e nunca mais voltar. O raciocínio dele é que uma Suprema Corte deveria ser discreta, e que a exposição do STF hoje virou escândalo.</p><p>E o terceiro é o presidencialismo. Ele defende semipresidencialismo, com um primeiro-ministro cuidando da gestão do dia a dia e o presidente no estratégico e na política externa. O dado que ele usa pra sustentar isso: dos 20 países que mais se desenvolveram, só um seria presidencialista.</p><p>Eu ouvi e fiquei pensando. Não sei se eu concordo com tudo, mas o cara tem argumento montado, o que já é mais do que a média por aí, né?</p><h2>"Como é que passa uma reforma dessas se a gente não passa nem reforma política?"</h2><p>Foi mais ou menos assim que eu cutuquei.</p><p>Porque é fácil chegar com três revoluções constitucionais no papel. Difícil é olhar pro Congresso brasileiro e explicar como é que sai qualquer uma delas.</p><p>É tipo assumir um time que tá em último lugar e anunciar que vai trocar o esquema tático, vender metade do elenco e reformar o estádio. Tudo junto. Na primeira semana.</p><p>A resposta dele é que justamente por não querer carreira política, ele não seria ameaça pra nenhum partido, e isso lhe daria margem pra negociar sem ser negociado. Quer ficar quatro anos, arrumar a casa e sair.</p><p>Mas beleza, digamos que passe. E a economia?</p><p>Aí vem o miolo da proposta dele, que ele chama de economia distribuída. A ideia é financiar pelo menos 10 milhões de microempresas, dividir o BNDES em dois (um banco pra empresa grande, um pro micro) e botar agência de banco do empreendedor dentro de comunidade e favela.</p><p>E foi aqui que eu apertei de novo. Porque o próprio Cury tinha acabado de dizer que empresa mal gerida quebra. Então eu perguntei o óbvio: como é que 10 milhões de pessoas vão gerir empresa sem nunca terem sido educadas pra isso?</p><p>Ele respondeu que junto da agência vai uma escola do empreendedor, em escola pública, com gente do alto nível dando aula de graça, e o Sebrae puxando.</p><p>Bonito no papel, né? Eu continuo achando que o buraco é mais embaixo.</p><p>Só que aí ele encostou o papo num lugar que eu não esperava. Contou que pai, mãe e mais seis filhos moravam num quarto só. Que a mãe mandava um filho pra escola num dia e outro no outro, porque não tinha roupa pros dois irem juntos. Que depois de casado passou um ano sem comprar carne, e que num ano só empurrou o carro sem gasolina quinze vezes, de roupa branca, na rua, já sendo médico.</p><p>Porra.</p><p>Relato dele, tá? Não tenho como conferir. Mas muda o peso de quem tá falando de Bolsa Família na tua frente.</p><h2>Banco Master, Moraes e o pedido que ele fez olhando pra câmera</h2><p>Essa é a parte mais delicada do papo e eu vou contar com cuidado.</p><p>O caso do Banco Master e do Daniel Vorcaro é, na minha opinião, o maior escândalo que o Brasil já viu. Levei isso pro Cury junto com um medo que é da população inteira: o de que tudo seja empurrado pra depois da eleição e vire acordão.</p><p>E eu fiz questão de deixar claro ali, como deixo aqui: eu não tô falando em punir ninguém. Eu tô falando em investigar.</p><p>O Cury foi na mesma direção. Segundo ele, o julgamento tem que ser rápido, televisionado e antes do dia 4, porque caso contrário estariam furtando do eleitor o direito de decidir com informação. Ele disse que quer olhar nos olhos do ministro Fachin e dos membros da Corte e pedir que não coloquem a investigação debaixo do tapete.</p><p>Sobre o ministro Alexandre de Moraes, o Cury afirmou que ele vai ter que explicar muitas coisas, citando ligações que teriam partido de Vorcaro. Essa é a leitura do candidato, não uma conclusão do Flow. O caso corre no STF e não há decisão sobre isso.</p><p>E ele foi além, dizendo que grupos ligados tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro estariam envolvidos com o Banco Master, e que por isso não seria do interesse deles a investigação andar antes da eleição. Também é afirmação dele, sem apresentação de prova no episódio.</p><p>Registrei ali e registro aqui: isso é acusação de candidato contra adversários em período eleitoral. Trata como tal.</p><h2>Aí eu saí do script</h2><p>Teve uma hora que eu parei a sabatina.</p><p>Porque o Cury já tinha vindo aqui no Flow antes, a gente já tinha conversado sobre os livros dele, sobre a carreira de psiquiatra. E quando eu vi que ele tinha se candidatado, a pergunta que me veio não era sobre proposta.</p><p>Eu falei pra ele mais ou menos assim: cara, tu tá entrando num jogo que tem umas características perversas. Tem gente nessa disputa disposta a abrir mão de muita coisa pra ganhar. O que que tu tá disposto a abrir mão?</p><p>Ele respondeu na hora que não perderia a essência por uma eleição. Nunca.</p><p>Pode ser resposta de campanha. Pode não ser. Eu não tenho como saber, e tu também não. Mas eu preferi fazer a pergunta e deixar ela gravada do que ficar só na tabela de propostas, tá ligado?</p><p>E aí, já que o clima tava aberto, eu provoquei de novo. Perguntei do Manuel Gomes, o Caneta Azul, que é candidato pelo mesmo partido dele. Falei que eu não sei em que medida aquilo me representa.</p><p>Ele desconversou com elegância. Disse que a beleza da democracia tá na divergência e que se o povo escolher mal, a consequência é do povo.</p><p>Ou seja: não me respondeu. E eu acho justo tu saber disso, porque a pergunta era sobre o time dele, não sobre o adversário.</p><h2>A acusação sobre o algoritmo (e o que ele mesmo disse que faria se estiver errado)</h2><p>Agora a parte mais pesada, e eu preciso te dar o contexto completo.</p><p>O Cury afirmou no programa que teve um crescimento explosivo depois do debate da Band e que, do dia pra noite, as redes pararam de entregar o conteúdo dele. Ele falou em "forças ocultas" e disse que há indícios fortes de tentativa de sabotagem da candidatura.</p><p>Ele anunciou uma coletiva na Associação Paulista de Imprensa pra apresentar o que tem, e disse que se for investigado e não houver comprovação, ele pede desculpas públicas. Se houver, disse que vai cobrar centenas de bilhões de dólares, que não iriam pro bolso dele.</p><p>Ou seja: é uma suspeita que o próprio candidato classifica como não comprovada. Tô contando porque foi dito no meu programa e porque é grave dos dois lados. Se for verdade, é bomba. Se não for, também diz alguma coisa.</p><p>Ele comparou os valores de impulsionamento: uns R$ 100 mil da campanha dele contra dezenas de milhões dos dois primeiros colocados. Números dele. Não conferi na hora.</p><h2>O psiquiatra apareceu no fim</h2><p>E cara, teve um momento que o candidato saiu e o autor dos livros voltou.</p><p>Ele soltou dados sobre saúde mental que, se estiverem certos, explicam muita coisa do Brasil de hoje. Falou que uma em cada duas pessoas terá um transtorno psiquiátrico em algum momento da vida, e que no Brasil a fração que consegue tratamento é ínfima, seja por falta de médico, por custo ou por medo de admitir a fragilidade.</p><p>Depois falou da intoxicação digital, e aqui ele conectou com uma coisa que eu vejo em casa: criança que para de dar atenção pro próprio bichinho porque a tela entrega estímulo mais barato e mais rápido.</p><p>E soltou um conselho que serve pra qualquer pai, independente de eleição: elogie três vezes mais do que critica. A frase dele foi que apontador de falhas não conserta máquina nenhuma.</p><p>Essa é a parte que não tem lado. Eu anotei.</p><h2>O que eu levo desse papo</h2><p>Antes de qualquer coisa, o de sempre, e eu repeti isso no ar: o Flow não tá te dizendo em quem votar. Não apoiamos candidato A, B nem C.</p><p>O que a gente faz é sentar com o cara, deixar ele expor como enxerga a realidade, apertar onde dá, e devolver isso pra tu formar teu próprio juízo. Inclusive contratamos a Agência Lupa pra checar o que é dito nessas conversas e no debate do dia 21. Porque afirmação em campanha tem que passar por peneira.</p><p>Eu falei pro Cury no fim, e é verdade: eu acho curioso quando aparece alguém que, à primeira vista, não devia estar ali. Na minha opinião ele é um cara desses. Mas não vou ficar falando bem dele, não adianta.</p><p>O que eu levo pra mim é a pergunta que eu fiz fora do script. Vale pra política e vale pra tua vida: o que tu tá disposto a abrir mão pra conseguir o que tu quer? Porque todo mundo paga alguma coisa. A diferença é quem sabe o preço antes.</p><p>Se tu quer ver a sabatina inteira, com os números e as propostas na íntegra, corre lá:</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/GgQJ4ggCzAA" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí o que tu achou e manda no grupo da família que discute política no almoço de domingo. E se tu discorda de tudo que leu aqui, comenta também. É disso que a democracia vive.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-09-18/cury--fim-da-reeleicao--do-presidencialismo-e-mandato-no-stf.html</link><dc:creator>Rian Fernandes</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Rian Fernandes</author><keywords>Eleições 2026, Flow News, Augusto Cury, Avante, STF, Banco Master, política, Igor 3K</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad943a95fe3db46cfa375d</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 19:43:23 +0000</pubDate><title>Tinoco: 8 anos postando vídeo sem chegar a mil inscritos</title><description>Tinoco sentou no Flow e o papo foi pra filosofia, jeitinho brasileiro e a época que ele caiu no niilismo. Tu precisa ler essa!</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/53/0z/vs/530zvsm4h2wxv9azhnqpsahsc.jpg"><figcaption>Tinoco é o convidado de novo episódio do Flow com Igor 3K<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Fala, galera.</p><p>Tu já usou carteirinha de estudante vencida pra pagar meia no cinema? Ou pediu pro amigo da loja aquele descontinho por fora, só dessa vez?</p><p>Pois é. Eu também.</p><p>E olha que eu passei o programa inteiro defendendo que é exatamente isso que fode a gente.</p><p>Quem sentou aqui pra destrinchar isso comigo foi o <strong>Tinoco</strong>. Se tu já parou num vídeo de um moleque explicando Nietzsche melhor que teu professor do ensino médio, tem chance grande de ter sido ele. Tinocando TV.</p><p>Eu queria saber o que um cara de 25 anos pensa de umas paradas que eu venho remoendo. O que sobra do jeitinho quando ele vira sistema. Por que moleque com foto de anime no perfil virou estoico. E teve uma hora que eu perguntei uma coisa e ele simplesmente falou que não ia responder.</p><p>Como eu não manjo porra nenhuma de <strong>filosofia</strong>, meu papel ali era puxar o fio e traduzir. Bora.</p><h2>O jeitinho não é o cara na esquina. É o cara que compra um táxi pra furar fila</h2><p class="  ">Eu abri contando de mim, porque era mais honesto assim.</p><p>Com 15, 16 anos eu morava numa realidade em que aquele era o mundo inteiro, e ali valia quase qualquer coisa pra se manter vivo. Um golpezinho na passagem. Cobrar um pouquinho mais caro.</p><p>Aí eu contei a outra ponta: o cara que compra uma placa de táxi só pra levar o filho na escola pela faixa exclusiva. Não é crime. É o mesmo jeitinho, em outra escala, com dinheiro em cima, tá ligado?</p><p>A resposta dele veio por onde eu não esperava. Pra ele, a cultura molda o jeito que a gente funciona mesmo depois que a gente sai da realidade que criou ela. Ela fica. Ela se perpetua.</p><p>Aí eu joguei a clássica: o homem é bom por natureza?</p><p>Respondi na minha régua de ogro: pra mim ele não é bom nem mau, é uma besta. Tá além do bem e do mal. O Tinoco discordou, dizendo que nunca viu um caso que não tenha sido moldado pelo ambiente.</p><p>Provoquei: então tu tá propondo o quê, que a gente imploda essa porra?</p><p>Disse que não. Que o primeiro passo é enxergar que é assim. E isso é mais difícil do que parece, porque ninguém acorda se achando parte do problema.</p><h2>Ele caiu no niilismo com uns 15 anos e demorou pra sacar que aquilo tava fazendo mal</h2><p>Essa parte me pegou.</p><p>O <strong>Tinoco </strong>contou que há uns dez anos entrou fundo na ideia de que nada importa. E foi direto: não era pose intelectual, aquilo mexeu com ele de verdade e ele passou um tempo bem mal.</p><p>O raciocínio era assim. O mundo existiu esse tempo todo sem tu, tu aparece numa fraçãozinha, depois continua tudo sem tu. Então pra que fazer qualquer coisa?</p><p>A diferença entre ele naquela época e ele agora é uma vírgula.</p><p>Antes era: nada importa, então não vou fazer porra nenhuma. Hoje é: nada importa, então vou aproveitar o máximo que der.</p><p>Pensa nisso. Mesma premissa, dois destinos opostos, né?</p><p>Aí ele puxou o Albert Camus, autor preferido dele, e o absurdismo. Bebe da mesma fonte do niilismo, mas chega noutro lugar: talvez nada tenha sentido, e mesmo assim tua existência tem peso. Tu pode atribuir o sentido.</p><p>O Mito de Sísifo, do Camus, abre discutindo se a vida vale a pena. E o Tinoco tirou de lá um conceito que eu achei sinistro: o suicídio intelectual. É o cara que não se mata, mas decide que se nada tem sentido, então não quer mais conhecer nada.</p><p>Apagou a luz interna.</p><p>Ele disse que hoje prefere ver os moleques na onda do estoicismo do que na do "nada importa". Mesmo raso. Mesmo modinha. Porque um caminho leva o cara a cuidar do que ele controla, e o outro levou ele pro buraco.</p><p>Mas eu cutuquei: tá cheio de adolescente que é estoico de bio de Instagram e nunca leu uma linha. Ele riu e disse que tudo bem, melhor começar raso do que não começar. Faz sentido, saca?</p><h2>"Não lê o filósofo." Como assim não lê o filósofo?</h2><p>Perguntam pra ele o tempo todo por qual filósofo começar. A resposta é contraintuitiva pra caramba.</p><p>Não lê o filósofo.</p><p>Se tu quer estudar Platão, não vai na República. O cara escreveu num contexto de 2.500 anos atrás, com ideias que já vinham dadas pra ele e não são as tuas. Lê alguém que leu Platão e vai destrinchando de trás pra frente.</p><p>É tipo pegar um save no meio de um RPG que tu nunca jogou. Tá tudo lá, os item, o mapa, a party montada. Só que tu não faz ideia de por que tu odeia aquele personagem, então nada tem peso nenhum.</p><p>Só que eu não deixei passar batido.</p><p>Falei na cara dele que tem livro merda, e que não é porque alguém leu, analisou e publicou que a análise presta. E completei com o que faltava: ler caras que se contradizem. Não um intérprete. Vários, brigando entre si.</p><p>Ele topou na hora, e emendou um ponto que eu anotei: aprendizado não pode ser passivo. Foi isso que virou a chave dele, quando parou e se perguntou por que tava sentindo a mesma merda ano após ano.</p><p>Deve ser alguma coisa que eu tô fazendo, né?</p><h2>Um santo roubou peras aos 16 anos e jogou todas fora</h2><p>Agora vem a história que eu não esqueci mais.</p><p>O Tinoco falou do Santo Agostinho, e o motivo dele gostar não é religioso. É que o Agostinho é um santo que não tem história de santo. Passou a vida brigando com os próprios defeitos e rodou por um monte de religião antes do cristianismo.</p><p>E nas Confissões ele conta que, com 16 anos, saiu com uns amigos pra roubar pera do pomar do vizinho. Modelo Chico Bento mesmo.</p><p>Só que peraí, tem um detalhe: ele escreve isso já velho, olhando pra trás pro moleque que ele foi. Não é confissão de adolescente. É um cara maduro remoendo uma pera.</p><p>Aí eles roubam todas as peras. E jogam fora.</p><p>Não comem nenhuma. O cara escreve, séculos atrás, que fez aquilo pelo puro prazer de fazer o errado. Não tava com fome. Não queria pera.</p><p>Caraca.</p><p>E tem outra que o Tinoco soltou de passagem, a coisa mais humana que eu ouvi essa semana. O Agostinho pedia pra Deus torná-lo uma pessoa melhor. Mas não hoje.</p><p>Eu me identifiquei rápido demais com essa.</p><h2>"Eu trabalho pra caralho e não tenho direito nenhum de reclamar"</h2><p>Aí ele me trouxe o Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha que escreveu a Sociedade do Cansaço.</p><p>O resumo tosco: talvez a vida não precise ser útil. Essa pira de evoluir sempre, nunca descansar sem culpa, talvez seja o problema.</p><p>E o papo virou pessoal, porque ele perguntou se eu consigo viver o presente.</p><p>Abri o jogo. Tô num setembro filho da puta. Dez programas na semana, montagem no sábado, ensaio no domingo, debate na segunda. E falei a coisa mais honesta que eu disse no episódio: eu não tenho direito de reclamar, porque eu construí isso.</p><p>Esse cansaço aqui eu encomendei. Eu pedi e agi, tá ligado?</p><p>Tem hora que eu penso que queria ter ido pra praia. Que queria viajar com minhas filhas. Mas eu tô exatamente no lugar que eu trabalhei pra estar.</p><p>O Tinoco cutucou de volta: e aí o trabalho vira tua vida inteira.</p><p>Vira. No meu caso é escolha. E tem uma parada que me segura no chão: não existe estabilidade nisso aqui. Se eu sumir três meses, voltar já é difícil. Se eu sumir três anos, sei lá se volta.</p><p>Então baixa a bola, né.</p><h2>Oito anos postando vídeo sem chegar a mil inscritos</h2><p>Essa é a parte que mais serve pra tu, na moral.</p><p>O Tinoco faz vídeo desde 2015. Ele tinha 14 anos. E passou oito anos sem bater mil inscritos.</p><p>Oito, mano.</p><p>O que virou foi o TikTok estourar na pandemia com ele já tendo sete anos de estrada. Ele levou o público de lá pro YouTube. Chama isso de sorte?</p><p>Eu falei que o TikTok sempre ia existir. Se não fosse ele, ia ser outra coisa. A plataforma chega. O que não chega sozinho é o cara com sete anos de repetição nas costas pronto pra usar.</p><p>É igual quando tu compra um carro e de repente começa a ver aquele modelo em toda esquina. Não apareceram mais carros. Tu que tá enxergando agora, tá ligado?</p><p>No fim das contas, sorte é a oportunidade passando na frente de quem já tinha feito o dever de casa.</p><h2>A hora em que eu perguntei e ele falou que não ia responder</h2><p>Teve um momento que eu achei o mais honesto do episódio inteiro.</p><p>A gente discutia se dá pra mudar o ambiente ou se a maioria só corre na rodinha de hamster pra pagar o aluguel. Eu argumentei que a jogada acaba sendo trocar de ambiente em vez de consertar aquele.</p><p>Aí eu joguei: e como o niilismo se encaixa nisso?</p><p>E o Tinoco falou que não sabe. Que não é prepotente o suficiente pra responder aquilo.</p><p>Cara, eu respeitei mais ele nessa hora do que em qualquer outra do programa. Porque é muito mais fácil inventar uma resposta bonita.</p><p>E foi daí que saiu o que eu levei pra casa. Ele falou pra não se apegar a ideias. Ideia é pra passar. Ele mesmo assiste o episódio que gravou aqui há dois anos e discorda de si mesmo.</p><p>Falei que isso é desconfortável pra caralho. Como assim tu não tem convicção nenhuma?</p><p>Ele ajustou: pode ter, sim. O ponto é que a conclusão número zero, aquela que vem antes de todas, tem que ser "tudo isso aqui pode mudar". Aí tu constrói o resto em cima.</p><h2>O que eu anotei desse papo</h2><p>Cara, eu anotei bastante, como sempre.</p><p>Levei a do "não se apegue a ideias", porque eu tenho a mania de achar que já resolvi um assunto. E levei a mais barata de aplicar e a mais difícil de fazer.</p><p>Toda vez que tu for tomar uma decisão, pergunta: será que eu tô errado?</p><p>Serve pro filme que tu vai escolher com tua mulher e serve pro que tu acha que o Alexandre de Moraes falou. Na hora que tu faz essa pergunta, tu sai do piloto automático. Filosofia pura, primeira aula.</p><p>O meu primeiro choque desses veio tarde. Eu já trabalhava na Cultura Inglesa e fui trocar uma ideia com uma colega mineira que pensava o oposto de tudo que eu ouvia onde eu morava. Saí de lá de cabeça virada. Eu não imaginava que o outro lado era capaz de fazer sentido.</p><p>O Tinoco teve o dele mais novo, pela internet, sacando que existia gente discordando da mãe dele. E que essa gente podia estar certa.</p><p>Se não servir pra resolver nada grande, serve pra segurar a resposta automática na próxima treta de grupo de WhatsApp. E vai por mim, isso já muda muita coisa.</p><p>Ah, e tem surpresa: a gente já gravou uma série de cinco vídeos junto, Flow com Tinocando TV, e o primeiro já tá no ar. Link na descrição.</p><p>O papo completo tá lá no canal:</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/WieKRj-1L6k" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí qual filósofo tu quer ver destrinchado na série e manda no grupo da família. No da igreja também, que esse rende.</p><p>Obrigado pela moral, Tinoco.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/tinoco--8-anos-postando-video-sem-chegar-a-mil-inscritos.html</link><dc:creator>Rian Fernandes</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Rian Fernandes</author><keywords>Flow Podcast, Tinoco, filosofia, estoicismo, pensamento, Igor 3K</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad7ef1a0d35b3b440d3fdb</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 18:12:09 +0000</pubDate><title>&quot;O Neymar não pensou no Casagrande quando sonhou em ser jogador&quot;</title><description>Maurício Meirelles sentou no Flow em plena temporada de eleição e o papo foi parar num iate em Miami. Tu precisa ler essa!</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/83/27/1w/83271wbwe5ydvfsm0iv41fjga.jpg"><figcaption>Maurício Meirelles é o convidado do episódio 648 do Flow Podcast<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Deixa eu te perguntar uma coisa antes de tudo. Tu já parou pra pensar que quando a gente sonha com alguma coisa, a gente nunca sonha com a parte ruim dela?</p><p>Pois é. Foi o <strong>Maurício Meirelles</strong> que me colocou nessa.</p><p>Ele falou que o moleque que sonha em ser jogador de futebol imagina o gol e a namorada. Não imagina a lesão, a cobrança, o não poder errar nunca. E soltou a frase que virou o título disso aqui: quando o <strong>Neymar</strong> sonhou em ser jogador, ele não tava pensando no <strong>Casagrande</strong>.</p><p>Cara. Eu fiquei quieto uns segundos.</p><p>E olha que eu chamei o cara no meio da temporada mais política do ano, achando que a gente ia falar de eleição e rir. A gente falou de eleição. Só que o papo desandou pra um lugar que é o oposto de engraçado, e foi o melhor episódio de comediante que eu fiz em muito tempo.</p><p>Bora.</p><h2>"Todo político é gente boa, esse é o trabalho deles"</h2><p>Primeiro o assunto que tá na boca de todo mundo, porque eu tô entrevistando candidato atrás de candidato e ele também.</p><p>E ele começou com um alerta que eu assino embaixo: todo político é gente boa no off. Chega, aperta a mão de todo mundo, elogia o estúdio, é simpático pra caralho. Isso não é bondade. É o trabalho deles.</p><p>Segundo o Maurício, os dois lados operam de jeitos diferentes. Um deles funciona como líder de matilha, ninguém manda nele, ninguém diz quanto tempo ele fica nem o que ele fala. O outro vem com uma estrutura de partido em volta, gente ao lado cuidando do que entra e do que não entra.</p><p>Aí eu contei uma de bastidor. Numa das entrevistas que a gente fez aqui, ao vivo, alguém da comitiva pediu pra parar o programa. Mais de uma vez. Com quarenta minutos de conversa.</p><p>Eu não parei.</p><p>E teve a outra, que é a mais reveladora: numa rodada antiga de entrevistas em que eu fiz exatamente as mesmas perguntas pra todos os candidatos, num formato de entrevista de emprego com uma RH na mesa, quem mais deu trabalho foi o candidato mais à esquerda da fila. Pediu todas as perguntas antes e vetou tema.</p><p class="    ">E o cara até era legal. Só que tinha medo.</p><h2>O problema não é ser cancelado, é desagradar</h2><p class="  ">Aí o Maurício fez uma distinção que eu achei precisa.</p><p>Ele falou que o medo não é do cancelamento. É de desagradar. É de pisar fora da cartilha que o teu público espera de ti. O cara não vai tocar em gordo porque tem eleitor gordo, não vai tocar num tema porque tem eleitor daquele grupo, e no fim ele não fala nada.</p><p>E o efeito disso é o que ele chama de autocensura. Não é que censuraram ele. É que a galera da internet é chata, então ele não fala. Aí outro não fala. Aí ninguém fala.</p><p>Ele falou que esse é o primeiro ano em que ele vê uma porrada de gente que gritava em 2022 simplesmente sumida do debate.</p><p>E aqui eu concordo com ele e vou além. O que mais me irrita hoje é que tu não consegue mais fazer uma crítica sem ser rotulado. O cara é o síndico do prédio, o elevador quebrou, eu preciso cobrar o síndico. Aí me respondem que o síndico anterior fez a escada.</p><p>A gente tá competindo com a gente mesmo.</p><h2>Ele bate em todo mundo, e é de propósito</h2><p>Já que a gente tava falando disso, eu perguntei como é que ele faz pra não virar comediante de time.</p><p>O método é bem pensado. No show dele, o público responde um questionário por QR code antes de começar. Ele descobre quem já foi preso, quem separou, quem é de direita, quem é de esquerda, quem é evangélico, quem é vegano. E monta o show em cima daquilo.</p><p>E aí ele bate em todos. No Lula, no Bolsonaro, no evangélico, no vegano, na umbanda, e nele mesmo.</p><p>Ele deu o nome da coisa, que ele aprendeu vendo South Park: iconoclastia. Bater no poder, seja de onde for. Tudo que é poderoso merece piada.</p><p>O que ele não suporta é o jornalista que comemora quando aparece crise de um lado e fica quieto quando aparece do outro. Porque aí não é análise, é torcida.</p><p>E o mais honesto do bloco inteiro: ele admite que tem um viés pessoal, que no dia a dia dele a opinião tem lado. O que ele tenta é tirar esse véu na hora de fazer a arte.</p><p>Isso é mais do que a maioria admite.</p><h2>Se o Brasil fosse uma pessoa, seria um moleque de 16 anos</h2><p>Pra aliviar, porque essa parte é engraçada pra caralho e ao mesmo tempo dolorida.</p><p>Ele tem um exercício de transformar país em pessoa, e eu entrei junto.</p><p>O Brasil pra ele é um moleque de 16, 18 anos. Vaidoso, com boné de marca, invejoso e hipócrita. Moralista com o que o outro fez e faz igualzinho.</p><p>Os Estados Unidos são um babaca de 30 anos que acha que o dele é o maior. A China é um velho que treina, corre mais que o moleque brasileiro e ainda chama todo mundo de otário. O Japão é um senhor de 70 que chega às cinco da manhã e reclama que às seis e meia ninguém apareceu. A Alemanha é um cara de 50 que não sorri e não tá pra brincadeira.</p><p>E aí ele emendou a parte que doeu: a gente é vira-lata com quem tá acima e grosso com quem tá abaixo. Chega um europeu, a gente oferece a casa. Chega um vizinho nosso do continente, a gente mal puxa conversa.</p><p>Pensa nisso. É piada até tu perceber que é um retrato.</p><h2>Em Angola ele correu na rua de manhã</h2><p>E aí veio o bloco de viagem, que foi onde ele mais me surpreendeu.</p><p>Ele levou o quadro dele pra Angola e ficou dez dias gravando. E a leitura que ele trouxe foi essa: lá tem gente com muito e gente com quase nada, e quase nada de meio termo. Só que o celular dele não corria risco, porque quem tá na pior não teria pra quem vender.</p><p>Ele corria de manhã no meio de Luanda com o celular na mão. Coisa que ele não faz em Pinheiros.</p><p>E teve o detalhe que me pegou: ele diz que não viu carro blindado.</p><p>Tem também uma sacada de método ali. O quadro junta um brasileiro, um angolano, um francês e um chinês, e ele contou que criou isso porque estava de saco cheio do policiamento em cima da comédia. Cada um fala da própria cultura e ninguém pode enquadrar ninguém.</p><p>E o melhor: o integrante que mais tirava sarro da África foi o mais assediado quando pisou lá. Todo mundo querendo foto com ele.</p><h2>O iate em Miami e a pizza com o filho</h2><p>Agora a parte que fez o episódio virar outra coisa.</p><p>Ele passou 50 dias fora cobrindo a Copa. Cinquenta. Perdeu a rotina, perdeu o fuso, perdeu o chão, e virou o cara que reclama de ir pra Nova York pela quarta vez no mês.</p><p>Aí, em Miami, uns amigos chamaram ele pra dar um rolê num iate alugado. Open bar, jogo passando na TV, numa quarta-feira à tarde.</p><p>O Maurício de 16 anos estava em êxtase. Ele falou isso com essas palavras.</p><p>E aí ele parou e reparou numa coisa: aquela felicidade não era diferente da que ele sentiu levando o filho pra fazer pizza.</p><p>Ele falou que aquilo foi um alívio, e eu entendo. Porque se a felicidade precisasse de um iate em Miami, a vida dele seria insustentável. Já que não precisa, ele pode parar um pouco.</p><p>E a conclusão é dele, não minha: ele parou de planejar dez anos pra frente. Não porque virou coach de presente, mas porque o filho nasceu dente e ele não viu o dente nascer.</p><h2>A gente bate palma pra obsessão</h2><p>E aí ele fechou com a crítica mais afiada do papo.</p><p>A tese é essa: a gente olha pro cara que acorda às três da manhã pra treinar e chama de obstinado. Se esse mesmo cara chegar às quatro da manhã no escritório da tua empresa, tu ia querer demitir ele.</p><p>Tem alguma coisa ali que não é normal, e a gente aplaude assim mesmo.</p><p>E aí vem a parte que serve pra quem tá comprando curso de gente assim: ninguém te vende a fatura. Ninguém abre o curso avisando que tu vai ficar um ano sem ver tua mãe, que talvez pegue um burnout, e que se der certo tu fica rico e não almoça mais com tua filha.</p><p>Ele resumiu de um jeito que eu levei: tu tá tentando copiar o método de alguém cujo cérebro funciona diferente do teu. Funcionou pra ele. Não quer dizer nada sobre ti.</p><p>E ele ainda se implicou junto, contando que fica vendo tutorial de como levantar muro porque acha que não sabe fazer nada de útil. A esposa pergunta por que, se ele já achou a profissão em que é bom. Ele não sabe responder.</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Anotei minhas coisinhas.</p><p>Levei o negócio do político gente boa, que serve pra qualquer um que vai sentar na frente de alguém que quer alguma coisa dele. Simpatia no off é ferramenta de trabalho.</p><p>Levei que autocensura não começa com censura. Começa com preguiça de aguentar a chateação.</p><p>E levei o iate, que é a que eu vou lembrar daqui um ano. Porque a gente passa a vida montando uma felicidade complicada quando a simples já tava resolvendo.</p><p>Ah, e uma que eu roubei descaradamente: o preço do sonho vem sempre depois do sonho, e ninguém te mostra ele na hora de sonhar.</p><p>Se não servir pra tu na carreira, serve pro próximo curso que te prometerem.</p><p>O papo completo tá lá no canal: </p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/6pHakxO1ojQ" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí qual seria o teu país se ele fosse uma pessoa, compartilha e manda no grupo daquele teu amigo que tá planejando os próximos dez anos.</p><p>A gente se vê depois. Tchau.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/mauricio-meirelles-abre-o-jogo-sobre-como-e-entrevistar-candidato.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Maurício Meirelles, Igor 3K, comédia, standup, eleições, Achismos, Angola</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad7bdf261943e85c5d1ef3</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 17:59:00 +0000</pubDate><title>&quot;Quando comecei falar de amores que dão errado, a carreira andou&quot;</title><description>Ferrugem sentou no Flow e contou o que ninguém conta: o pai caminhoneiro, o dinheiro que sumia e o dia em que ele chorou em vez de cantar</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/bw/mk/2a/bwmk2a0d8c9oeopbm5o8o3jnj.jpg"><figcaption>Ferrugem é o convidado de novo episódio do Flow Podcast<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Deixa eu te perguntar uma coisa antes de tudo. Tu já reparou que a <strong>música</strong> que tu mais canta alto no carro quase sempre é a da história que não deu certo?</p><p>Pois é. Eu reparei nisso ouvindo o <strong>Ferrugem</strong> falar.</p><p>O cara tem 11 álbuns e passou a carreira inteira apostando no <strong>amor</strong> que dá certo. Aí, dois discos atrás, ele resolveu se dar licença pra falar dos que não dão. E a carreira andou.</p><p>Ele contou isso na mesa com uma cara meio de quem não sabe se comemora ou não. E eu entendo.</p><p>O papo foi parar em uns lugares que eu não esperava: o pai caminhoneiro, o dinheiro que sumia, o dia em que ele subiu num elevador no Rock in Rio com medo do que ia ver lá em cima, e uma noite em que ele chorou em vez de cantar.</p><p>Bora.</p><h2>O pai rodava de caminhão e ele atendia o cara do frango</h2><p>Ele veio de Campo Grande, zona oeste do Rio. Três irmãos.</p><p>O pai foi caminhoneiro por mais de 30 anos, e ele lembra do valor: alguma coisa perto de mil reais por mês, pago em quinzena. Ele mesmo ia no banco buscar 500. Quinze dias depois, buscar os outros 500.</p><p>E aí tem a cena que eu acho que qualquer pessoa que cresceu apertada reconhece na hora. Batia o cara do frango na porta, e ele tinha que dizer que o pai não tava, que só voltava semana que vem porque tava em Recife. Depois batia o cara que vendia as panelas. Depois o cara da luz.</p><p>Tu já foi a criança que atende a porta pro cobrador? Então.</p><p>Ele começou a tocar com 12 anos. Com 15 já tinha agenda. Trabalho de carteira assinada ele nunca teve, e falou isso com um certo orgulho: entregou lanche, vendeu jornal no sinal, sempre um bico que desse dinheiro sem tomar o tempo da música.</p><p>E aí eu perguntei quando é que virou. Com 28.</p><p>Treze anos de estrada até a primeira música tocar no rádio. Pensa nisso.</p><h2>"Ganhava 20 mil e devia 10"</h2><p class="   ">Aí veio a parte que eu mais ri, porque é tão clássica que dói.</p><p>Quando a coisa começou a andar, ele tava tirando uns 20 mil limpos por mês. E devia uns 10 no banco.</p><p>Não ia em casa. Só passava pra tomar banho. Guardava as coisas dentro do carro, era aquele cara que mora no porta-malas. E comprou uma BMW 320 que até hoje ele não sabe explicar como conseguiu comprar. Falou que vai ter que perguntar pro pai.</p><p>Não tinha entrada, não tinha nada. Comprou.</p><p>E ele resumiu numa frase que eu vou roubar: não tinha nem uma gotinha de mel, mandaram um pote, e ele se lambuzou inteiro.</p><p>Quem arrumou isso foi a Thaís, a esposa. Ela sentou e perguntou quanto ele ganhava. Ele falou. Ela perguntou como é que ele conseguia não ter nada. Ele falou que não sabia.</p><p>Ela pediu licença pra organizar a vida dele. A partir dali ele começou a ver dinheiro na conta.</p><p>Cara, eu admiro quem não pirou quando pegou a primeira grana. Mas é raro, e ele não foi um desses. A diferença é que ele assume.</p><h2>Três nãos antes de um sim</h2><p>Já que a gente tava falando de virada, eu puxei como é que a música chegou no rádio.</p><p>E a resposta é uma corrente de gente.</p><p>Primeiro o Lincoln, que é cavaquinista e que o Ferrugem considera o melhor do Brasil pelo jeito de tocar, uma coisa mais limpa e mais leve que mudou a batida do instrumento. Eles se conheceram gravando o disco de um grupo que nem vingou. O grupo acabou, e o Lincoln não deixou ele ir embora.</p><p>Aí o Lincoln tentou apresentar ele pro Sérgio, que era empresário. O Sérgio disse que não tinha tempo nem grana. Tentou de novo. Não de novo.</p><p>Na terceira, o Ferrugem é que não queria ir. Falou que não ia perder tempo com aquele cara. O Lincoln pediu por amor, ele pegou um ônibus e foi pro Rio.</p><p>Deu certo. A trinca tá junta até hoje, e depois entrou o investidor que bancou o disco.</p><p>E ele fez questão de dizer a parte que ninguém gosta de ouvir: talento é o carro-chefe, mas antes de tu ser alguém, tu precisa de um megafone. Sem alguém pondo dinheiro, a música boa fica tocando na sala de casa.</p><h2>"Fazer o simples é o que é foda"</h2><p>Agora o bloco que me pegou, porque eu não fazia ideia do trabalho que dá.</p><p>A obsessão dele é simplicidade. Acordes que qualquer banda consegue reproduzir. Música mais curta. Menos distância entre o começo e o refrão. Quando chega uma melodia torta dos compositores parceiros, o time senta pra desentortar.</p><p>Ele comparou com futebol e com roupa: o jogo do Ganso é simples e é bonito, e o cara de camisa branca e calça jeans tá bonito. Se é simples, tem que ser bem feito, senão vira só pobre.</p><p>E aí ele soltou a frase: fazer o simples é que é foda.</p><p>Porque a régua fica menor, saca? Se tu se esconde atrás do complicado, ninguém repara. No simples, o erro fica exposto.</p><p>Teve uma parada técnica que eu achei sensacional. O pagode é o gênero mais difícil de mixar que existe, e ele explicou por quê. Tantã é grave. Surdo é grave. Repique de anel é grave. Baixo é grave. A bateria tem três, quatro tambores graves mais o bumbo. É tudo empilhado na mesma faixa de frequência.</p><p>Ele bota 11 músicos no palco. Onze.</p><p>E tem uma hierarquia ali dentro: a banda faz o simples justamente pra ele poder deitar os cabelos por cima. No disco ele canta contido. No palco ele solta o aço, e é a banda segurando a onda que permite isso.</p><h2>O elevador do Rock in Rio</h2><p>Pra aliviar, uma das melhores histórias do papo.</p><p>Ele foi chamado pro Palco Sunset depois de já ter feito o Espaço Favela dois anos antes. E surtou. Porque no mesmo dia tinha nome grande no cartaz e ele ficou sem saber o que fazer pra segurar aquele público.</p><p>Montou o show, divulgou, chegou o dia. Ele e o sócio no camarim, os dois nervosos, a mão pingando.</p><p>E aí eles entram num elevador que sobe direto pro palco.</p><p>Ele contou que a vontade que deu foi de sair do elevador e deixar ele subir sozinho, pra não ter que ver a praça vazia. Era esse o medo. Subir e não ter ninguém.</p><p>Subiu. Tinha gente até onde a vista alcançava, com cartaz, com o nome dele, família inteira, e o Rock in Rio virado pro palco dele.</p><p>No dia seguinte ele acordou com as colunas de música dizendo que o melhor show da noite tinha sido o do pagodeiro.</p><p>Porra.</p><p>Ele chama esses momentos de beliscão. Cada degrau que sobe, a vida belisca e manda prestar atenção no que tá acontecendo. Eu achei bonito demais.</p><h2>Ele chorou em vez de cantar</h2><p>E aí veio o bloco dos ídolos, que é onde o cara desmonta.</p><p>O Péricles ia participar de um pagode do grupo em que ele tocava, e a rapaziada escondeu dele até uma semana antes justamente porque sabiam do tamanho da fanzice. Ele foi no shopping, comprou roupa nova, viveu seis dias de expectativa.</p><p>Quando chegou a hora, ele não conseguiu cantar direito. Chorou.</p><p>Hoje os dois têm uma turnê juntos. Tratam de igual pra igual, se desafiam no palco, um manda um agudo e o outro responde. Ele falou que a maior bênção que a música trouxe foi a amizade dos caras que ele idolatrava.</p><p>Teve o Roberto Carlos também, que ele jurava que era impossível. Cantou no navio dele, foi levado ao camarim, e o cara abriu a porta e elogiou o canto dele de cara.</p><p>E teve o Caetano Veloso, que topou fazer um especial de TV com uma condição: só se fosse com o Ferrugem. Botaram ele de volta na apresentação só pra aquele programa. Ele ainda passou uma madrugada no estúdio do cara pedindo música e ouvindo ele tocar.</p><p>Agora vem o que eu acho o mais bonito: em dezembro ele vai gravar uma homenagem à Alcione com ela presente, assistindo. Ela participou do primeiro disco dele, lá em 2015. Ele foi pessoalmente na casa dela fazer o convite, e a conversa não durou cinco minutos. Ela perguntou a roupa, o dia e a hora.</p><p>Homenagem com o homenageado vivo e na plateia. Deveria ser sempre assim.</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Anotei minhas coisinhas.</p><p>Levei a régua dele pra própria vida, que é a mesma da música. Ele falou que quer ser colocado sempre na caixa que cabe nele. Nem apertada demais, nem larga demais. Se tem 38, que seja visto como alguém de 38. Não quer levar nada além do que é dele.</p><p>Levei o lance do médico. Ele foi num cardiologista aos 33 e ouviu que a idade biológica dele era de 78 anos. Hoje treina e corre todo dia, sem exceção, e falou que se não fizer nem dorme.</p><p>E levei a melhor punchline do episódio, que ele soltou quase de passagem: o problema não é vacilar, é vacilar no mesmo vacilo. Se tu cagou num buraco, tampa. Faz outro buraco.</p><p>Cara, eu não tenho como melhorar isso. Tá bom do jeito que tá.</p><p>Se não servir pra tu na música, serve pro teu trabalho. E serve pro próximo vacilo.</p><p>O papo completo tá lá no canal:</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/3Q-HSve2_QQ" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí qual música de amor que deu errado tu canta mais alto no carro, compartilha e manda no grupo dos pagodeiros.</p><p>A gente se vê depois. Tchau.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/-quando-falei-dos-amores-que-dao-errado--a-carreira-andou-.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Ferrugem, Igor 3K, pagode, samba, música</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad7906261943e85c5d1ef1</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 17:46:50 +0000</pubDate><title>&quot;Eu fui hipócrita&quot;: o Leo Stronda sentou no Flow e pediu desculpa</title><description>Leo Stronda fala sobre &quot;treta&quot; com o Mister Olympia, início de parceria com marca, suas academias e mais no Flow</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/66/2t/m2/662tm249a8af1rzy45t5kxwt6.jpg"><figcaption>Léo Stronda é o convidado de novo papo no Flow <span class="copyright">Reprodução/Flow </span></figcaption></figure><p>Tu já entrou numa briga na internet defendendo alguém, se sentindo o cara mais certo do mundo, e dois dias depois parou, releu o que tu escreveu e pensou "porra, o que que eu tava fazendo"?</p><p>Eu já. E é exatamente por isso que esse papo aqui me pegou.</p><p>Porque o <strong>Leo Stronda</strong> sentou nessa mesa no meio de uma polêmica com a galera do fisiculturismo, e eu esperava que ele viesse sustentar o barraco. Ele veio fazer o contrário.</p><p>E o papo abriu pra um monte de coisa: como ele construiu 70 academias em dois anos, por que passou três anos sem pegar um real de um patrocínio já assinado, e um mês no Japão em que perdeu 9 kg e achou que valeu a pena.</p><p>Bora.</p><h2>A treta, explicada pra quem não é da bolha</h2><p>Primeiro o contexto, porque se tu não é do meio, tu não tem obrigação de entender.</p><p>O <strong>Mister Olympia</strong> é a Copa do Mundo do fisiculturismo, e a transmissão sempre foi pay-per-view pago. Nunca foi direito de patrocinador nenhum decidir isso.</p><p>Aí começou a rodar na internet que a marca que patrocina o evento é que estaria segurando a transmissão fechada. Segundo o <strong>Leo</strong>, é o oposto: a negociação pra liberar a live de graça vem sendo tentada desde 2020, 2021, e esse ano saiu.</p><p>Ele ficou puto e gravou um vídeo. E aí veio a enxurrada de comentário dizendo que ele tava defendendo a marca que teria mandado expulsar ele do Olympia anos atrás.</p><p class="  ">Isso também não bate, e eu chego lá.</p><h2>"Eu criei a briga e no final do vídeo pedi união"</h2><p class="   ">Agora a parte que eu não esperava.</p><p class="  ">Ele parou no meio do papo e pediu desculpa pro próprio público. Falou que a reação foi impulsiva, sanguínea, que levou pro pessoal e que não precisava.</p><p>E aí veio a frase que ficou aqui comigo. Ele falou que foi hipócrita. Porque o vídeo era uma reclamação sobre desunião no meio, e no final ele fazia um apelo pra galera se unir. Só que no mesmo vídeo ele foi justamente quem criou a contenda.</p><p>Ele resumiu assim: o país inteiro em crise, todo mundo pensando em como vai pagar as contas, e ele brigando na internet pra decidir quem assinou qual contrato.</p><p>Porra.</p><p>Sabe quantas vezes eu vi alguém fazer isso em público? Quase nenhuma. Todo mundo dobra a aposta.</p><p>E o mais interessante é o que fez ele parar. Não foi ninguém da mesa dele. Foi o público, comentando que ele tinha razão mas não precisava.</p><h2>Ele foi expulso do Olympia com ingresso comprado do próprio bolso</h2><p>Já que a gente tava falando disso, eu puxei a história antiga.</p><p>Uns meses antes, ele tava num palco de uma federação concorrente, contratado pra um show. O dirigente de lá subiu, pegou o microfone e falou mal da federação do Olympia. O Leo tava do lado, ficou quieto, tentou amenizar e seguiu o show.</p><p>E a conta caiu no colo dele.</p><p>Quando ele foi pro Olympia, já estava combinado que ele ia ser barrado. Ele não tinha contrato com ninguém, não era convidado, comprou o ingresso como qualquer pessoa. E ele diz que ouviu um áudio de alguém da federação falando pra deixarem ele vir, gastar o dinheiro dele e assistir do sofá.</p><p>Isso é o que mais dói. Não é a expulsão, é a torcida contra.</p><p>Só que tem a outra metade, e ela é boa. O cara que organiza o evento não mandou recado. Foi pessoalmente, olhou no olho dele e disse que ele tava sendo expulso porque ele queria. Sem grito. E tempos depois chamou o Leo de novo pra pedir desculpa e assumir que errou.</p><p>O Leo aceitou na hora. Falou que respeitou porque o cara veio como homem nas duas vezes.</p><p>Cara, é isso. O problema nunca foi a discordância, foi o bilhete anônimo.</p><h2>Três anos sem pegar um real</h2><p>E aí veio o bloco que eu mais anotei, porque é aula de negócio.</p><p>Em 2012, 2013, a palavra "influenciador" não existia. As marcas de suplemento patrocinavam atleta campeão e ponto. O Leo era cantor, tinha um físico e falava de fisiculturismo, e uma marca apostou nele. Foi a primeira contratação do tipo no Brasil.</p><p>Aí olha o que ele fez.</p><p>Pediu pra empresa não pagar o cachê pra ele. Pediu pra pegar aquele dinheiro e reinvestir em publicidade com a cara dele. Banner, outdoor, vídeo. Três anos assim. O raciocínio: ele já ganhava bem com show, então aquele valor não mudava a vida dele, mas mudava o tamanho dele num mercado onde queria virar referência.</p><p>E aí veio a segunda jogada, mais esperta ainda.</p><p>Ele pegou a própria agenda de shows e transformou em máquina de venda. Ia tocar em Goiânia no sábado? A marca avisava os lojistas da cidade: quem comprasse mais, ganhava a presença dele na loja. Ele já ia estar lá, então não tinha passagem, não tinha hospedagem, não tinha custo.</p><p>Virou comissionado. Zero real saiu do bolso da empresa antes da venda acontecer.</p><p>Lojista vendo 3.000, 5.000 pessoas na porta querendo autógrafo. Faz sentido, saca? Deu quatro, cinco anos disso.</p><h2>"Você não vale o que você ganha"</h2><p>Depois vieram oito anos numa outra marca, e a saída foi por uma frase.</p><p>O Leo tava pedindo orçamento pra montar uma equipe de conteúdo, porque a empresa tinha acabado de perder dois criadores grandes e ia ficar sem produção. Não era aumento pra ele, era time.</p><p>E o executivo novo sentou na frente dele e falou que ele não valia o que ganhava, e que queriam diminuir.</p><p>Ele diz que nem foi uma conversa acalorada. Foi tudo em tom calmo. Ele só respondeu que então não fazia mais sentido, e saiu.</p><p>E aqui tem uma coisa que eu acho importante: ele tinha proposta de outra marca pagando o dobro. Não foi pra lá. Voltou pra primeira, a que tinha apostado nele em 2012.</p><p>Cara, se tu sai de um lugar e a porta de onde tu começou ainda tá aberta dez anos depois, isso diz mais do que qualquer número de contrato.</p><h2>As cinco primeiras pessoas que entraram na academia dele</h2><p>E aí tem o negócio de hoje, que é o que mais cresceu.</p><p>São mais de 70 unidades em dois anos, e ele diz que 80% inauguram no verde. Tem franqueado com seis unidades. Ele vendeu a parte dele nas academias próprias pra não se afogar em obra e fornecedor e cuidar só da marca.</p><p>A gestão é um mundo que eu não conhecia. Ele paga uma ferramenta americana de geomarketing: tu joga um endereço e ela devolve quantas farmácias tem no raio, quantos condomínios, quanta gente passa a pé, de carro, de bicicleta. A partir disso ele decide qual dos três formatos de academia abre ali.</p><p>E teve uma frase que resume o negócio inteiro: a melhor academia do mundo é a mais perto da tua casa. Pra alguém pegar 20 minutos a mais de trânsito, a tua tem que ser muito melhor que a do vizinho.</p><p>Mas o que me pegou foi outra coisa.</p><p>Quando ele abriu a primeira, no Rio, ficou apavorado com o nome. Fábrica de Monstros. Achou que só ia entrar marombeiro e que ia dar 60 alunos.</p><p>As cinco primeiras pessoas que se cadastraram e entraram pela porta foram cinco mulheres. Três idosas e duas obesas. E abraçaram ele agradecendo por ter aberto uma academia daquele nível perto da casa delas.</p><p>Todas as cinco melhoraram. Ele contou isso e a voz mudou.</p><h2>Perdeu 9 kg no Japão e achou que valeu a pena</h2><p>Pra aliviar, porque o papo tava ficando denso, eu puxei a viagem.</p><p>Ele passou um mês no Japão e voltou 9 kg mais leve, porque quase não treinou e porque a comida de restaurante de lá tem pouquíssima proteína. Vivia de conveniência: ovo cozido pronto, onigiri, barrinha de frango.</p><p>E não se importou. Falou que queria viver o país.</p><p>A primeira coisa que fez foi ir na casa onde o criador de Dragon Ball morou. Porque foi Dragon Ball que fez ele querer ficar forte, quando era criança e ia fazer barra com o pai só pra ficar igual o personagem.</p><p>Tu já parou pra pensar nisso? Uma das maiores marcas do fitness brasileiro nasceu de um moleque assistindo desenho.</p><p>Teve a parte chata também: chegou na academia e mandaram cobrir as tatuagens, porque lá aquilo ainda é associado à máfia.</p><p>E teve a parte doida. Ele foi caçar cobra peçonhenta de madrugada no mato com um brasileiro que mora lá e cria bicho dentro de casa, incluindo um jacaré e um corvo criado junto com os cachorros, que acha que é cachorro.</p><p>Levou a esposa junto. Claro que levou.</p><h2>Aí eu chamei ele de cheater</h2><p>Pra fechar, a parte onde a gente discordou, e eu acho que é a melhor do papo.</p><p>O Leo é cristão convertido e fala disso abertamente. E ele soltou uma frase que eu anotei: o poder da liberdade não tá no que tu faz, tá no que tu não faz.</p><p>Aí eu provoquei. Falei que ele é cheater.</p><p>Porque ele viveu tudo. Teve o auge da música com 15 anos, teve o dinheiro, teve os excessos, e só depois renunciou. Aí ele chega pro moleque que não viveu nada disso e diz que não vale a pena. Como é que convence?</p><p>Ele devolveu que enxerga honra justamente aí. Que o cara que vai pro fundo do poço e se agarra em Deus é uma história, e que quem tinha tudo e largou porque quis é outra.</p><p>E aí a gente foi pra criação do universo, que é um papo que eu adoro. Eu falo que pra mim Deus é a regra, é de onde saem as constantes que fazem tudo isso aqui ser possível. Ele devolveu que pode até ter sido uma explosão, mas que isso não elimina Deus, é só o modo de operar dele.</p><p>A gente não fechou. E tá tudo bem, porque não era pra fechar.</p><p>Ele emendou uma que me calou: querer ter certeza absoluta sobre tudo isso te afasta do que tu tem que fazer hoje. O que muda a tua vida é a escolha de agora.</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Anotei minhas coisinhas, como sempre.</p><p>Levei o pedido de desculpa, que é a parte mais rara. Não porque ele errou, todo mundo erra. É porque ele parou no meio da própria narrativa e disse que tinha sido hipócrita, com a câmera ligada.</p><p>Levei a jogada dos três anos sem pegar dinheiro. Tem gente que chama isso de investir em si mesmo. Eu acho que é outra coisa: é ter paciência num mundo que não tem nenhuma.</p><p>E levei a cena das cinco mulheres na porta da academia. Porque o cara passou a vida inteira querendo ser o ícone de um esporte de gigante, e o que mudou o jeito dele de olhar foi três senhoras e duas mulheres obesas dizendo obrigado.</p><h2>No fim das contas é sempre isso, né?</h2><p>Se não servir pra tu no treino, serve pra próxima vez que tu for entrar numa briga na internet que não é tua.</p><p>O papo completo tá lá no canal:</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/f6miXpEjayM" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí qual desenho fez tu querer alguma coisa na vida, compartilha e manda no grupo da academia.</p><p>A gente se vê depois. Tchau.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/-eu-fui-hipocrita---o-leo-stronda-sentou-no-flow-e-pediu-desculpa.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Reprodução/Flow </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow, Leo Stronda, Mister Olympia, Igor 3K, Flow 646</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad7516261943e85c5d1eea</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 17:30:00 +0000</pubDate><title>Um brasileiro foi a primeira pessoa do mundo a ver o GTA VI</title><description>Davy Jones conta sobre como foi na Rockstar e voltou sem uma foto sequer após ver o aguardado game sendo ajustado na sua frente</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/0m/pb/w1/0mpbw1hndmt73tfbdi0y7t03c.jpg"><figcaption>Brasileiro foi um dos quatro escolhidos pela Rockstar Games para ver GTA VI rodando<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Deixa eu te perguntar uma coisa. Tu lembra de onde tu tava quando jogou <strong>GTA</strong> pela primeira vez? Eu lembro. E se tu é brasileiro e já pegou num controle, tu jogou, nem que tenha sido no PC do primo com código de tanque voando.</p><p>Pois é. Agora imagina o seguinte: a <strong>Rockstar</strong>, que é a empresa mais fechada que existe nesse mercado, resolve escolher quatro criadores no mundo inteiro pra ver o<strong> GTA 6</strong> rodando antes de qualquer pessoa. Quatro. Nenhum americano.</p><p>E um deles é o <strong>Davy Jones</strong>, que sentou aqui na mesa do <strong>Flow</strong>.</p><p>O papo foi pra uns lugares que eu não esperava. Ele entrou na <strong>Rockstar</strong> pela garagem. Ele viu um desenvolvedor mexendo no jogo na frente dele, ao vivo. E ele voltou de lá com uma informação privilegiada que vazou na internet uma semana depois, e teve que decidir o que fazer com isso.</p><p>Eu jogo, mas eu não manjo porra nenhuma do mercado. Então meu papel foi puxar o fio. Bora.</p><h2>Ele foi pra Paris só pra despistar</h2><p>O bagulho começou com uma ligação no meio de uma live.</p><p>Ele tava assistindo um jogo, o cara da Rockstar no Brasil pede pra ligar, ele sai da live e atende na garagem. Convite feito. E era no meio da Copa, que é o pior momento possível pra sumir uma semana.</p><p>Aí tem um detalhe que eu achei o máximo. Ele assinou o tal do NDA antes de saber do que se tratava. No escuro, porque quando alguém te manda um contrato de sigilo, tu já sabe que vem informação boa por aí.</p><p>E olha o tamanho da paranoia. Ele não podia ir direto pra Escócia, porque se alguém tirasse foto dele num aeroporto indo pra lá, fechava a conta. Então o voo foi pra Paris primeiro. Em Paris ele encontrou um brasileiro, tirou foto, e o cara só foi entender o que tava rolando meses depois.</p><p>Ele contou que aeroporto é onde ele mais é reconhecido. São 20, 30 fotos do check-in até o portão.</p><p>E lá na Rockstar ele achou que ia entrar pela porta da frente, aquela que tá em toda foto da internet. Não entrou. Entrou pelo subsolo, pela garagem, porque tem gente que fica camperando na calçada esperando pra fotografar quem entra.</p><p>Ele viu aquela porta famosa. Por dentro.</p><h2>Lá dentro não tem museu nenhum</h2><p class="   ">Agora a parte que quebra a fantasia, e eu adorei.</p><p class="   ">Tu pensa num estúdio de videogame e imagina o quê? Ele mesmo contou que já foi na NetherRealm, do Mortal Kombat, e lá tem praticamente um museu, porque aquele estúdio foi feito pra receber visita.</p><p>A Rockstar não recebe ninguém. Então lá dentro é um hall gigantesco e vazio, uma mesa de recepção, o logo, e do resto é estação de trabalho até onde a vista alcança, tudo com divisória. A prateleirinha de colecionáveis é menor que a estante do nosso estúdio. E tem um R em neon rosa, por causa do GTA 6.</p><p>Ele nem viu direito a galera que faz o jogo.</p><p>E teve uma cena que eu não tiro da cabeça: ele foi no banheiro e cruzou com um desenvolvedor no corredor. Um cara normal. O cara olhou pra ele com uma cara de quem tava perguntando por que que tinha um estranho ali dentro.</p><p>Porque nunca teve mesmo, né.</p><p>Só que o que me pegou mesmo foi outra coisa. Ele falou que os caras ficaram emocionados de verdade vendo a reação dele. Tu trabalha num negócio por mais de dez anos, ninguém de fora nunca viu, tu não sabe mais se aquilo é bom ou ruim. Aí chega um brasileiro e reage.</p><p>Eles ficaram bobos. Isso diz muito sobre por que o jogo deles é o que é.</p><h2>O cara tava ajustando o jogo na frente dele</h2><p>E aí vem a parte mais insana do papo inteiro, na minha opinião.</p><p>Não era um vídeo pronto. Tinha um cara jogando ao vivo. E no meio da sessão ele começou uma perseguição com a polícia, ficou ali brigando um tempão, e virou pra alguém da equipe técnica pra falar que tava fácil demais e que precisava aumentar a dificuldade.</p><p>Aí o outro respondeu que na semana passada tava difícil demais.</p><p>Tu sacou? Um jogo colossal desse tamanho, e o cara tá calibrando o nível da polícia na frente de um visitante, tipo chef provando o molho no meio do almoço.</p><p>Teve mais. Num outro momento o cara olhou pra tela e falou que a distância entre dois botões do comando tava antiintuitiva, e que ia mudar a posição do prompt. Ali, na hora.</p><p>E tem as decisões que vieram da galera. Abrir o mapa no touchpad do PlayStation, porque eles viram que as pessoas ficam nervosas quando isso não existe. Correr no L3 em vez do X, que é o padrão da indústria e que o GTA nunca seguiu. Voltaram mecânicas de San Andreas que o público pedia há anos, tipo treinar habilidade.</p><p>Isso tudo pra um jogo que, segundo ele, já tava tão polido que qualquer outra empresa teria dito que estava pronto. Ele viu em julho. Ele até se enrolou na data na mesa, falou junho, foi conferir a passagem e era julho mesmo, 7 de julho.</p><h2>Os vazamentos e o que ele decidiu não falar</h2><p>Já que a gente tava falando de sigilo, eu apertei ele nessa.</p><p>Uma semana antes do trailer sair, começou aquela onda de vazamento com gameplay e tudo. E um portal cravou o evento em que ele esteve, com a descrição completa do que aconteceu na sala. Só não sabia quem tinha ido.</p><p>Imagina o frio na barriga.</p><p>E aí veio o dilema. Vazou que dava pra abastecer o carro no jogo. Isso ele tinha visto lá dentro. Era informação que ele tinha e não podia dar.</p><p>Ele falou que na cabeça dele não dava pra tocar naquilo, mesmo com o mundo inteiro já tendo visto. Ele duvida que a Rockstar fosse perturbar, ninguém pediu nada, mas ele trabalha com isso há mais de uma década e não fura embargo. Falou que é sacanagem, e ponto.</p><p>Cara, isso é caráter. Num mercado em que furar notícia vale view, o cara segurou uma parada que já tava pública.</p><h2>A Rockstar já pagou o GTA 6 antes de lançar</h2><p>Bom, e aí vem a parte de dinheiro, que é onde a coisa fica surreal.</p><p>O GTA V, um jogo de 2013, continua vendendo mais de 5 milhões de cópias por trimestre. Por trimestre. Dá coisa de 20, 25 milhões por ano, todo ano, mais de uma década depois.</p><p>E o GTA Online, segundo o que vazou ano passado, faz algo entre 500 e 800 milhões de dólares por ano.</p><p>Então a conta que ele fez na mesa é essa: fala-se que o GTA 6 custou uns 2 bilhões, e a Rockstar já pagou esse jogo com o online do jogo anterior. Ela tá confortável pra fazer o que quiser.</p><p>E olha que loucura: não existe absolutamente nada anunciado sobre o GTA 6 Online. Nada. Ele perguntou lá e a resposta foi que estão focados em fazer um single player. Numa empresa que sabe que o online dá quase um bilhão por ano.</p><p>Ah, e o extended look que foi parar na Netflix fez 31 milhões de visualizações na primeira semana, pela contagem da própria Netflix, que é bem mais dura que a do YouTube. Primeiro lugar em mais de 80 países.</p><p>Um trailer de videogame. Na Netflix. Em primeiro lugar.</p><h2>"A indústria tá uma merda e o problema é o dinheiro infinito"</h2><p>Essa foi a frase dele, e ele explicou de um jeito que eu levei pra vida.</p><p>A tese é essa: as empresas viram que Fortnite, FIFA e Minecraft fazem bilhões e saíram correndo atrás disso. Só que esses jogos não foram feitos pra ser isso. Eles ficaram assim. Ninguém consegue copiar.</p><p>Aí o cara gasta 200 milhões num jogo ruim e cobra mais caro por ele.</p><p>Mas ele também mostrou o outro lado, e essa parte me deixou com esperança. A Capcom passou anos apanhando por tentar agradar o mercado ocidental e se reergueu fazendo jogo bom, a ponto de lançar uma franquia nova e o público comprar só pela confiança. A Nintendo faz jogo com custo muito abaixo do resto do mercado e entrega polido.</p><p>E teve a que mais me impressionou. A CD Projekt anunciou um remaster de um dos maiores jogos da história, e vai dar de graça pra todo mundo que já tem o jogo. São 65 milhões de pessoas. As duas expansões junto.</p><p>Eles podiam cobrar. Vagabundo pagaria. Não vão cobrar.</p><p>Faz sentido, saca? Videogame bom não sai de planilha. Sai de gente apaixonada fazendo uma parada que ninguém pediu.</p><h2>A síndrome de Estocolmo com o Pokémon</h2><p>Pra fechar, a parte humana, que é onde eu descobri que o cara não é da Rockstar coisa nenhuma.</p><p>Todo mundo acha que o Davy é o cara do GTA. Ele é muito mais do Pokémon.</p><p>E ele foi honesto de um jeito raro: falou que fã de Pokémon vive uma síndrome de Estocolmo. Aceita qualquer coisa que mandarem. E aceitar não é a mesma coisa que achar bom. A última geração, segundo ele, saiu injogável, e vendeu uns 30 milhões assim mesmo.</p><p>Aí tu pergunta por que ele continua. Cara, ele casou com uma pessoa tão doente de Pokémon quanto ele. A casa é Pokémon pra todo lado. Tem estátua, tem os Legos que eles montam juntos, e um Pikachu que levou 10 horas pra ficar de pé. Tem um pinball, que ele fez questão de avisar que é difícil pra caralho, porque tem missão e evolução e só cinco vidas.</p><p>Ele foi no Japão, entrou na Pokémon Center e se controlou. Comprou quase nada. Diz ele.</p><p>E aí ele resumiu a relação de um jeito que serve pra qualquer coisa que a gente ama: se o jogo veio ruim, tudo bem, tem as cartas, tem o pinball, tem o resto. Se te faz sofrer, aí o problema é outro. Ele não tá sofrendo.</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Anotei minhas coisinhas, como sempre.</p><p>Levei a cena do desenvolvedor calibrando a polícia ao vivo, porque é a prova de que nada grande fica pronto de uma vez. É ajuste em cima de ajuste até o dia de mandar.</p><p>Levei que o cara segurou uma informação que já era pública só porque tinha dado a palavra. Isso hoje vale mais do que parece.</p><p>E levei o contraste: uma empresa que ganha quase um bilhão por ano com o online e diz que tá focada em fazer um jogo pra uma pessoa jogar sozinha, com o mercado inteiro correndo pro lado oposto.</p><p>Se não servir pra tu no videogame, serve pro teu trabalho. Tem o caminho do dinheiro rápido e tem o de fazer a parada direito. O segundo demora mais e paga melhor.</p><p>O papo completo tá lá no canal:</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/f65DGtYUB5s" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí onde tu tava quando jogou GTA pela primeira vez, compartilha e manda no grupo dos teus amigos que já estão contando os dias.</p><p>A gente se vê depois. Tchau.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/um-brasileiro-foi-a-primeira-pessoa-do-mundo-a-ver-o-gta-vi.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow, GTA VI, Rockstar Games, Davy Jones, Flow 645</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aad5371a0d35b3b440d3f99</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 15:06:29 +0000</pubDate><title>&quot;Já caí em mais de 100 golpes&quot;: o Vinheteiro abriu o jogo no Flow</title><description>Novo episódio do Flow com Vinheteiro e Igorfina traz histórias e opiniões que divertem o público na web</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/87/za/jw/87zajwu0o3aziy65uiqv2j00h.jpg"><figcaption>Igorfina e Vinheteiro participam do Flow com Igor 3K<span class="copyright">Reprodução/Youtube </span></figcaption></figure><p>Deixa eu te perguntar uma coisa antes de tudo. Tu já parou naquele posto bonitinho de estrada, banheiro limpo, luz branca, e saiu de lá com R$ 100 a menos achando que tinha feito um bom negócio? Só ia mijar. Aí comprou uma água, uma coxinha, uma balinha, um energético de R$ 20.</p><p>Pois é. Segundo o <strong>Vinheteiro</strong>, isso ali não é um posto. É uma armadilha com nome de demônio.</p><p>Ele sentou aqui na mesa com o <strong>Igorfina</strong>, que é o cara que imita o Cariane, que imita ele, que imita metade da internet brasileira. E o papo foi pra uns lugares que eu não sabia nem que existiam. A teoria dele sobre como funciona de verdade a indústria da música no Brasil. E uma confissão sobre dinheiro que eu não esperava ouvir dele.</p><p>Tem ainda um bloco inteiro de golpe, e esse aí é o que mais serve pra tu. Bora.</p><h2>Ele não vem mais na sexta e não é brincadeira</h2><p class="  ">Primeira coisa que eu perguntei, porque todo mundo pergunta: por que que o <strong>Vinheteiro</strong> não topa mais gravar na sexta com o Dilera?</p><p>A resposta dele foi, resumindo o que dá pra publicar, que ele não acha graça, não consegue concluir um raciocínio no meio dos tiques e que não aprende nada no papo. Ele foi mais longe do que isso e usou umas palavras que eu não vou repetir aqui, porque em vídeo sai como personagem e em texto sai como ofensa a uma pessoa de verdade.</p><p>Eu falei na cara dele o que eu penso: tem que saber lidar. Eu dou risada, me divirto, e os moleques são suaves.</p><p>E depois eu falei outra coisa, que é a que eu acho mesmo. Eu acho que ele tem inveja. O Dilera cresceu, tá na TV agora, e teve uma sexta que o cara ficou quieto o programa inteiro só esperando o rojão. Isso incomoda.</p><p>Ele ouviu e devolveu que inveja é coisa do Baal. Mais pra frente, quando eu apertei de novo, ele mesmo admitiu: todo mundo tem inveja, e quem diz que não tem é mentiroso.</p><p>Pois é. Ele se incluiu na conta sem perceber.</p><h2>"Todo mundo que tocou no rádio emprestou o Lulu"</h2><p>Aí veio o bloco que segurou metade do programa, e eu preciso explicar o código antes.</p><p>O <strong>Vinheteiro</strong> tem um jeito próprio de falar de uma coisa que todo mundo do meio sabe e ninguém diz o nome: ele fala em "emprestar o Lulu". É a versão dele pro velho toma lá dá cá sexual que abre porta na indústria. E ele jura que 99% das vezes aquilo é literal, não é figura de linguagem.</p><p>A tese na boca dele é essa: tocou no rádio, tocou em novela, entrou em trilha de cinema nacional, alguém pagou por fora. E não pagou com dinheiro.</p><p>Eu falei que era papo de maluco. O <strong>Igorfina</strong> falou a mesma coisa com menos educação.</p><p>Mas aí o cara fez uma coisa que eu não esperava. Virou pra câmera, mudou o tom, e falou direto pra quem tem uma bandinha em casa: presta atenção, porque vão chegar em tu com uma oferta que parece boa, tu vai pagar o preço, e a música não vai tocar em lugar nenhum. Aí já era. Tu se vendeu de graça.</p><p>Tem caminho sem isso? Ele resumiu em duas coisas: não atender e não ter inveja.</p><h2>O posto que ele chama de Baal</h2><p>E já que conversaram de oferta boa demais, ele puxou pro posto de estrada, que na cabeça dele é o mesmo esquema em escala de varejo.</p><p>Tu vê a placa, pensa no banheiro limpo, entra. Até chegar no banheiro já passou por seiscentos produtos. Sai de lá R$ 100 mais pobre com uma balinha na mão.</p><p>Ele falou que não entra. Segura, para no acostamento e resolve ali mesmo. Se tá com sede, entra numa cidade pequena e toma café na padaria da região, reclamando que todo mundo fora de São Paulo enche o café de açúcar.</p><p>Perguntei se ele prefere um mundo sem posto nenhum. Prefere.</p><p>Cara, eu discordo. Mas a comparação é boa demais pra jogar fora: o posto vende pra ti a sensação de que tu tá evitando uma coisa pior. O banheiro sujo, a fila, o risco. E é por isso que tu aceita pagar.</p><h2>Vivaldi é o único que nunca fez merda </h2><p>Bom, e aí veio a parte que eu mais esperava, porque eu sou leigo e adoro quando alguém que manja de verdade destrói tudo.</p><p>Pro <strong>Vinheteiro</strong>, praticamente tudo é fezes. Rock é fezes porque tem guitarra e bateria. Angra é a pior banda, e é pior ainda porque mistura música brasileira. Red Hot Chili Peppers tem uns 50 ou 60% de fezes. Belo, segundo a régua dele, passa dos 150%, o que não faz sentido nenhum e é justamente por isso que é engraçado.</p><h2>E aí vem a parte séria, que eu anotei.</h2><p>Ele falou que até os gênios faziam coisa ruim. Mozart fez fezes à beça, e ainda assim tem a 25 e a 40, que pra ele são as melhores sinfonias que existem. Liszt é, na conta dele, o compositor que mais produziu porcaria na história, e ao mesmo tempo escreveu a peça mais importante já feita pra piano, a Rapsódia Húngara nº 2. O único que ele não lembra de ter ouvido uma música ruim é o Vivaldi, que era padre.</p><p>Tu sacou o tamanho disso? O cara que mais produziu lixo é o mesmo que escreveu a obra que mudou o instrumento. Não tem gênio sem uma pilha de tentativa fracassada embaixo.</p><p>E ele emendou com o ponto que mais me serviu do papo inteiro: músico é a categoria mais invejosa que existe. Se um professor elogia um colega, o outro já fica bolado. Ele citou o Amadeus, aquele filme do Salieri roído por dentro com o Mozart, e falou que isso acontece todo santo dia no meio. Talento sem caráter não leva ninguém pra lugar nenhum.</p><p>Faz todo sentido, saca? E não é só na música não.</p><h2>O mapa que a avó desdobrou oito vezes</h2><p>O <strong>Igorfina</strong> contou que a avó dele, recém-chegada em São Paulo, sacou da bolsa um mapa desenhado à mão pelo irmão dela uns 35 anos antes. Desdobrou oito vezes dentro do carro, virou uma cartolina, e foi guiando pelo papel igual pirata procurando tesouro.</p><p>Tem gente que acha isso ridículo. Eu acho lindo, e o <strong>Vinheteiro</strong> também.</p><p>A tese dele é que a gente terceirizou o trabalho mental todo pro computador. Antes o cara decorava a quilometragem entre as cidades da viagem. Hoje ninguém sabe nem os estados do Brasil. Eu, que ganho a vida falando, travei na fórmula de Bhaskara na frente de todo mundo.</p><p>E teve a confissão que resume tudo: contar troco virou coisa que ninguém mais sabe fazer, porque a maquininha faz.</p><p>Pensa nisso. A gente não ficou burro de repente. Foi entregando uma tarefa por vez, achando que tava ganhando tempo.</p><h2>Ninguém conta o golpe que tomou</h2><p>O Igorfina abriu o jogo primeiro. Comprou um iPhone em Nova York numa loja de rua porque tava uns 150 dólares mais barato que na Apple, perguntou umas duzentas vezes se era desbloqueado, o vendedor jurou, ele chegou no Brasil e o aparelho não pegava chip. Uns 700 dólares no lixo.</p><p>Teve o macacão de moto também. Um cara pediu pra ele anunciar num marketplace específico, mandou um e-mail falso com o layout certinho, disse que o dinheiro só cai depois do envio. A moça do correio estranhou, perguntou se ele tinha certeza, avisou que faltava a etiqueta. Ele mandou assim mesmo. Foi bloqueado dois minutos depois. Mais R$ 2.000.</p><p>A mulher dos correios avisou. Ele mandou. Todo mundo já foi esse cara.</p><p>E aí o <strong>Vinheteiro</strong> soltou a frase que eu não tiro mais da cabeça. Ele falou que já caiu em mais de 100 golpes na vida. Golpe de bitcoin, golpe de sequestro falso, golpe de ligação, e agora o Banco Master, que ele confirmou na mesa sem rodeio.</p><p>Eu brinquei que se teve golpe no Brasil, o Vinheteiro tava na fila. E ele completou com a parte séria: a maioria das pessoas cai também, a diferença é que elas não contam. Só contam vantagem.</p><p>Porra. É isso mesmo.</p><p>E tem a parte de fora do país, que serve de aviso prático: nunca compre nada de rua sem preço escrito. O Vinheteiro pagou 24 dólares em duas casquinhas de sorvete na frente de um museu em Nova York, porque não tinha plaquinha e ele só perguntou o preço depois de o primeiro já estar na mão da esposa. O Igor Fina levou um golpe de cachorro-quente na Times Square. E no Grand Canyon, depois de 8 horas de moto, descobriu que existe uma taxa nova pra quem não mora nos Estados Unidos e pagou os 120 dólares porque já tava lá.</p><p>A voz que mandou ele olhar a moto três vezes Pra fechar, uma que me arrepiou.</p><p>O Igor Fina tava treinando numa academia em Niterói, segundo andar, moto estacionada embaixo. No meio da série ele ouviu uma voz mandando ele olhar a moto. Olhou pela janela, tava lá, tudo certo. Voltou a treinar. A voz veio de novo. Olhou de novo, viu dois caras parados numa outra moto ali perto, achou que tava estereotipando e voltou pro exercício.</p><p>Na terceira vez ele olhou e os caras estavam levando a moto.</p><p>E tem um detalhe que fecha a história de um jeito esquisito: no dia anterior, voltando de um torneio de basquete, ele reparou numa placa com o nome de um bairro que ele nunca tinha visto na vida e achou o nome estranho. A moto foi parar exatamente lá.</p><p>Ele acha que era Deus avisando. O Vinheteiro, que passou o programa inteiro falando de demônio, concordou na hora.</p><p>Eu fiquei quieto. Porque essas paradas acontecem comigo também, e eu ainda não sei direito o que fazer com elas.</p><h2>Disponível no YouTube</h2><p>O papo completo tá lá no canal, e vale ver a cara dele tomando chá igual monstro do pântano:</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/TXK2rVrx2cs" frameborder="0"></iframe><p>Dá o like, comenta aí qual banda tu defenderia na frente do <strong>Vinheteiro</strong>, compartilha e manda no grupo da família. E se tu já caiu num golpe e nunca contou pra ninguém, olha, tu não tá sozinho. O cara do maior canal de piano do mundo caiu em cem.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-09-18/-ja-cai-em-mais-de-100-golpes---o-vinheteiro-abriu-o-jogo-no-flow.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Reprodução/Youtube </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow, Vinheteiro, Igorfina, Igor 3K, golpes, Flow 644</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aa0569dc7aa73b27fcc96ba</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 18:48:52 +0000</pubDate><title>Do fundo do poço a deputado: as revelações do Ninja no Flow</title><description>Douglas Viegas sentou no podcast e falou de fé, do corte de meio bilhão no esporte e do compromisso que virou o jogo dele; tu precisa ouvir esse papo</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/e5/dl/9n/e5dl9n8hd3hzlf00dzb9b99hk.jpg"><figcaption>Douglas Viegas, o Poderosíssimo Ninja, durante participação no Flow, em que falou sobre sua trajetória, esporte, política e a transformação pessoal<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Fala, galera. Salve, família.</p><p>Tu já tava rolando o feed de madrugada e parou naquele vídeo de um careca de voz grossa mandando tu largar de ser otário? Pois é. Esse cara sentou de novo aqui na mesa do<strong> Flow</strong>. <strong>Douglas Viegas, o Poderosíssimo Ninja</strong>, ex-jogador de basquete, hoje metido no meio da política, e um dos poucos convidados que já veio aqui uma penca de vezes e nunca repetiu papo.</p><p>E esse aqui foi denso. Teve filosofia de vida resumida em três palavras, teve meio bilhão de reais que quase sumiu do esporte brasileiro, teve o método de leitura que ele faz todo santo dia há sete anos, e teve uma galinha chamada Faca que mora na casa dele e caga a sala inteira sem pedir licença.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/c_Y39iTYT3A" frameborder="0"></iframe><p>Vou te falar: eu não sou o cara mais fácil do mundo de convencer com papo de fé. Eu escuto, eu absorvo, mas eu venho de um lugar meio cético. Só que quando o cara senta na tua frente e conta a história dele sem tentar te vender nada, o bagulho pega diferente. Bora.</p><h2>"Não seja um cuzão": a filosofia que abriu o papo</h2><p>O papo começou pelo mais simples e acabou sendo o que amarrou tudo. O <strong>Ninja</strong> falou de uma frase que ele aprendeu com o pai americano, o cara que abriu a casa pra ele morar lá nos<strong> Estados Unidos</strong> quando ele era um moleque atrás de basquete: live and let live. Viva e deixa viver.</p><p>E aí eu falei pra ele a minha versão, que é mais suja: não seja um cuzão. Se tu não tá ali pra atrapalhar de propósito a experiência dos outros, tu já ganhou metade do jogo. </p><p>Ele riu e completou: a mensagem é a mesma, só muda a língua pra alcançar tribo diferente. Jesus chamou de ame o próximo. O pai americano chamou de <strong>live and let live</strong>. A gente aqui chama de não seja um cuzão.</p><p>Tá. Mas aí eu apertei. Porque é fácil viver e deixar viver quando todo mundo tá de boa. E quando o cara é um filha da puta escancarado e tá atrapalhando o rolê de todo mundo?</p><p>A resposta dele foi seca: quem tá atrapalhando o rolê já não tá vivendo e deixando viver, então esse aí precisa de um empurrãozinho de volta. Senão a pessoa monta em ti e faz o que quiser.</p><p>Faz sentido, saca?</p><h2>O cara não tava procurando nada. E foi aí que virou</h2><p>Essa parte é a que mais me pegou, e olha que eu converso com gente foda todo dia.</p><p>Todo mundo acha que quem muda de vida tava desesperado atrás de uma saída. O <strong>Ninja</strong> jura que não. Ele conta que não tava procurando porra nenhuma. Nunca falou "preciso parar de beber", nunca falou "preciso achar Deus". </p><p>Pelo contrário: ele diz que tinha amor verdadeiro pela loucura, que tava achando tudo lindo, porque era só o que ele conhecia.</p><p>Aí um amigo antigo da família, o Vicente, ensinou ele a fazer uma leitura. Não deu sermão, não convidou pra igreja, não pediu nada. Só ensinou o método.</p><p>E o método é ridículo de simples, isso que é o insano. Ele pega o <strong>Novo Testamento</strong>, começa em Mateus, lê de um subtítulo em negrito até o próximo negrito, marca a página e vai tocar a vida. Só isso. </p><p>Um pedaço por dia. Quando chega em Judas, volta pro começo e recomeça. Ele diz que faz isso há sete anos sem falhar um dia sequer e que já tá na nona virada.</p><p>O que tu tá falando então é que o barato não é intensidade, é frequência. E ele mesmo traduziu com uma analogia que eu anotei na hora: funciona igual juros compostos. Tu deposita um pouquinho todo dia, parece que não tá acontecendo nada, e um dia a curva vira e fica absurda.</p><p>Ele faz questão de repetir umas dez vezes que aquilo não tem nada a ver com religião, que ele respeita crença e descrença de todo mundo, e que não tá ali pra converter ninguém. As palavras dele: "quer continuar se ferrando, fica à vontade, a vida é tua".</p><p>Eu gostei disso. Porque tem uma diferença gigante entre o cara que te empurra a fé goela abaixo e o cara que só senta e mostra o antes e o depois.</p><h2>De "não tinha 50 conto" a Brasília</h2><p>O antes ele conta sem maquiar nada. Sete anos atrás, segundo ele, era um cara endividado até o talo, sem R$ 50 no bolso, que ele mesmo define como a vergonha da família. Radioativo, tóxico, perigoso de chegar perto. As palavras são dele, não são minhas.</p><p>Quatro anos depois desse ponto ele tava sentado numa cadeira da <strong>Câmara dos Deputados</strong>.</p><p>Só que aqui vale o contexto real, porque a história é mais dura do que parece de fora. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=c_Y39iTYT3A&t=4s">Ele foi o mais votado que não elegeu em 2022</a>, ficou como suplente pelo <strong>União Brasil de São Paulo</strong>, e só assumiu porque o titular saiu pra ocupar uma secretaria em <strong>São Paulo</strong>. Ou seja: entrou, saiu, voltou, saiu de novo, conforme o titular ia e vinha.</p><p>E ser suplente, segundo ele, é ser o primeiro otário da fila. Tu tá na foto, tu tá com o crachá e tu não tem emenda, não tem verba, não tem gabinete próprio, não tem nada. Tu tá lá pra ser xingado.</p><p>Ele encara isso como treino. A frase que ele soltou foi essa: entrei sem nada, sem saber nada, pra ver o que eu conseguia fazer sem nada.</p><h2>"Gente ocupada não tem tempo de fazer besteira"</h2><p>Aí o papo foi pro bloco cabeçudo, e esse é o motivo real de ele estar na política.</p><p>A tese dele é uma só: esporte é segurança pública de forma preventiva. Não é lazer, não é hobby de fim de semana, é ferramenta de educação. E ele fala isso do lugar de quem viveu: enquanto ele tava treinando pra virar jogador, ninguém conseguia oferecer nada pra ele na rua, porque no dia seguinte tinha treino. O esporte era o único ponto intocável da rotina de um moleque que tinha loucura de todo tipo acontecendo em volta.</p><p>Daí vem a parte prática, que é onde a coisa fica técnica. Vou traduzir pro nosso lado da mesa.</p><p>Existe uma <strong>PEC</strong> de autoria dele, a<strong> PEC 44 de 2024,</strong> que quer obrigar que <strong>3% das emendas parlamentares individuais vão pro esporte</strong>. Emenda parlamentar, pra quem não acompanha, é aquele dinheiro que cada deputado e cada senador tem pra destinar. É teu dinheiro, na mão deles.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c_Y39iTYT3A&t=4s">A PEC teve a admissibilidade aprovada na CCJ e agora depende de o presidente da Câmara</a> instalar a comissão especial pra seguir. Enquanto isso não rola, tá tudo parado.</p><p>E tem o outro lado da história, que é o dinheiro das bets. Parte do que as casas de aposta arrecadam já é destinada ao esporte, e a<strong> PEC da Segurança Pública</strong> previa puxar esse recurso pra financiar segurança. O <strong>Ninja</strong> gravou esse episódio no meio dessa briga, alertando que o esporte ia perder cerca de meio bilhão.</p><p>Atualização: depois da gravação, o relator no <strong>Senado</strong> retirou esse trecho e a <strong>CCJ</strong> aprovou o texto sem o corte, com o<strong> Comitê Olímpico do Brasil</strong> comemorando publicamente a manutenção da verba. Ou seja: o cenário que ele descreveu no papo mudou de figura em cima da hora.</p><p>A frase que ele repete e que resume tudo: gente ocupada não tem tempo de fazer besteira.</p><p>Eu concordo pra caralho. Só que eu apertei ele num ponto, porque é onde eu não consigo ser otimista: isso que ele tá propondo não é resultado de cinco anos. É de trinta, cinquenta.</p><p> E o nosso sistema não é feito pra isso. Aqui eleição virou concurso de popularidade, e todas as decisões dos caras são tomadas pra servir pesquisa. O cara não vai num debate presidencial pra servir pesquisa. E tem uma legião de otário que engole.</p><p>Ele não discordou. Só devolveu com outra pergunta: se a gente não fizer, quem vai fazer?</p><h2>A galinha Faca, que não respeita nada</h2><p>Preciso te contar essa porque foi o momento em que a mesa inteira riu.</p><p>A mulher dele começou a falar em casa que queria uma galinha. Sem quintal, sem espaço, sem nada. Um dia um rapaz foi fazer um serviço lá, esbarrou e quebrou uma galinha de cerâmica de enfeite. No dia seguinte o cara voltou com uma galinha de verdade, viva, debaixo do braço, pedindo desculpa.</p><p>Sete anos depois a Faca tá lá, mandando na casa, ignorando dois jack russel e uma gata, cagando em todo lugar sem dó. Ele fala que nunca foi tão prazeroso limpar cocô. Agora tem uma segunda, a Filomena, que é uma galinha sedosa. Eu nem sabia que existia galinha sedosa, mano.</p><p>E foi dessa besteira que saiu a parte séria do papo. Eu perguntei pra ele como ele acha que vai se sentir quando esses bichos forem embora, porque essa discussão rola lá em casa e a minha esposa me sacaneia dizendo que eu falo que não tenho ligação emocional com os nossos e depois ela me flagra brincando com eles.</p><p>A resposta dele foi a coisa mais direta do episódio. Ele disse que apagou a palavra preocupação do vocabulário. Que preocupação e medo são falta de fé. </p><p>E que justamente por ter noção da finitude da vida ele não deixa mais passar batido uma gracinha da filha ou da mulher no fim do dia, mesmo chegando em casa detonado.</p><p>Porra. Isso me pegou. Meus pais moram no Rio e faz tempo que eu não vejo eles pessoalmente. Tem coisa que a gente adia achando que tem prazo.</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Teve uma hora que eu falei pra ele qual é, pra mim, a maior virada que um cara pode ter na vida. Não é ficar mais inteligente. É começar a se perguntar "e se eu tiver errado?" com honestidade, mesmo tendo certeza de que tá certo. Porque no segundo em que tu percebe que pode estar falando merda num assunto, tu percebe que pode estar falando merda em vários.</p><p>Ele ouviu e devolveu o nome disso: maturidade.</p><p>E é isso mesmo. O papo inteiro girou em torno da mesma coisa por caminhos diferentes. Consistência acima de intensidade. Um pouco todo dia. Juros compostos aplicados em leitura, em treino, em ser um marido melhor, em qualquer porra que tu queira construir.</p><p>No fim das contas, o que ele tá vendendo não é fé. É que tu para de esperar o dia mágico.</p><h2>A parte da política, pra ficar claro</h2><p>Pra não ter dúvida: ele encerrou o papo pedindo voto. Falou o número, 2034, falou a data, 4 de outubro, e listou as bandeiras dele, que são esporte, corte de gasto público e redução de imposto, com exceção de bet.</p><p class="     ">Aqui é a pauta dele, não é a minha nem a tua. O <strong>Flow</strong> abre a mesa, tu escuta e decide sozinho. Sempre foi assim.</p><h2>Fecha aí</h2><p class="  ">Cara, eu anotei um monte nesse episódio. Sério.</p><p>E o mais foda é que quase nada do que eu anotei tem a ver com política. Tem a ver com o cara que ele era sete anos atrás e o cara que tava sentado ali na minha frente. Se serviu pra mim, que eu tenho um estúdio, uma equipe e uma vida completamente diferente da dele, serve pra tu também no que tu tá construindo aí.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c_Y39iTYT3A&t=4s">Quer ouvir o papo inteiro, com tudo que ficou de fora aqui? Corre lá</a>.</p><p>Dá o like, comenta aí o que tu achou, e manda esse episódio pra quem tá precisando ouvir. Manda no grupo da igreja, manda no grupo do futebol, manda no grupo da facul, manda no grupo dos petista e no dos bolsonarista também. Onde tu sentir que a galera precisa, manda.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-09-08/do-fundo-do-poco-a-deputado--as-revelacoes-do-ninja-no-flow.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Douglas Viegas, Poderosíssimo Ninja, Igor 3k, esporte e política, espiritualidade, PEC do Esporte, transformação pessoal</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6aa0475a588ac6b554d17c3a</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 18:13:25 +0000</pubDate><title>Renan Santos no Flow News: Toffoli, Banco Master e a black pill</title><description>Candidato fala sobre a decisão do Toffoli, o escândalo do Banco Master e de por que ele acha que o brasileiro desistiu</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/5e/kb/bw/5ekbbwp3bavp28wltu2hzqjxp.jpg"><figcaption>Renan Santos durante participação no Flow News, no qual falou sobre o cenário político brasileiro<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Setembro chegou e a gente abriu a temporada de sabatinas com os <strong>presidenciáveis</strong> aqui no <strong>Flow News</strong>. O primeiro a sentar na cadeira foi o <strong>Renan Santos, candidato do Missão.</strong></p><p>E cara, esse papo quase não rolou. Sério mesmo.</p><p>Dias antes, o <strong>ministro Dias Toffoli</strong>, que é do <strong>STF</strong> e também compõe o <strong>TSE</strong>, suspendeu a propaganda eleitoral da chapa dele, bloqueou repasses do <strong>Fundo Eleitoral</strong> e proibiu o cara de participar de debate em rádio, TV, podcast e "quaisquer outros meios de comunicação". Traduzindo o bagulho: ele tava proibido de vir aqui, e eu tava proibido de receber ele. No dia seguinte o próprio <strong>Toffoli</strong> voltou atrás e liberou. Foi por isso que a gente atrasou. A culpa é dele, tá? Fica registrado.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/oGK5E24zTbI" frameborder="0"></iframe><p>Ah, e antes que alguém pergunte: a galera da <strong>Agência Lupa</strong> acompanhou o programa fazendo checagem de fatos. Se o cara quer ser presidente, tem que ter gente conferindo o que ele diz. Faz todo sentido.</p><p>Bora.</p><h2>"Decisão ilegal não se cumpre"</h2><p>Primeiro os fatos secos, do jeito que saiu na imprensa. O pedido de registro da candidatura foi protocolado em 7 de agosto. Um monte de perfis de rede social só foi informado ao <strong>TSE</strong> em 19 de agosto, 12 dias depois. Pra <strong>Toffoli</strong>, essa demora deixou as contas rodando normalmente nos algoritmos de recomendação enquanto as outras campanhas já tavam com restrição, o que poderia dar vantagem indevida. Ele chamou isso de possível "omissão estratégica". Aí veio a suspensão. E no dia seguinte, depois que a área técnica do tribunal coletou mais de mil páginas de print, ele considerou a finalidade da cautelar cumprida e liberou.</p><p>Agora a versão do Renan, que é dele e eu deixo bem claro que é dele.</p><p>Ele diz que a decisão foi ilegal desde o começo, porque irregularidade de registro dá multa, não dá suspensão de campanha. Diz que milhares de candidatos, de deputado a governador, também não preencheram tudo direitinho e que a campanha dele foi a que peticionou por conta própria avisando do problema, sem ninguém cobrar. </p><p>E diz uma coisa que ele repetiu umas cinco vezes no programa: decisão ilegal não se cumpre. Ele descumpriu, postou conteúdo até derrubarem e pediu pra base dele espalhar nas próprias redes.</p><p>E tem a parte mais espinhosa. O <strong>Renan</strong> acha que teve vingança no meio, porque ele organizou manifestações contra o <strong>Toffoli</strong> e foi até o<strong> resort Tayayá</strong> cobrar explicação. Isso é leitura dele, não é fato provado, e eu preciso deixar isso muito claro. </p><p>O que é fato noticiado é que o<strong> Toffoli</strong> saiu da relatoria do <strong>caso Master</strong> depois que vazou a história da compra de participação naquele resort, que é da família dele.</p><p>Ele me falou também que perdeu duas sabatinas e um monte de entrevista naqueles dias. Tempo que não volta.</p><h2>A parte que dói: ele acha que o brasileiro desistiu</h2><p>Aí o papo virou de chave e ficou pesado.</p><p>O<strong> Renan</strong> passou um ano rodando o<strong> Brasil</strong>. Ele conta de pneu furado, de fazer seis rádios num dia, de beber água que não devia. E a conclusão que ele tirou disso não é bonita.</p><p>"O brasileiro largou mão como eu nunca vi."</p><p>A tese dele é essa: a gente tá vivendo mais escândalo do que na época da <strong>Lava Jato</strong> e ninguém tá ligando. Ele comparou com aquele lance que a psicologia explica, a pessoa que apanha tanto que para de perceber que tá apanhando. O abuso vira rotina.</p><p>E ele solta a black pill completa: os únicos que ainda estão com brilho no olho, na visão dele, são os mais jovens. Os mais velhos, segundo ele, entregaram os pontos e continuam votando nos mesmos. Ele chamou isso de traição geracional. </p><p>Falou de <strong>Portugal,</strong> da<strong> Espanha,</strong> de cidade onde o aluguel explode e o filho tem que emigrar enquanto o pai segue votando igual.</p><p>É uma opinião dura pra caramba. É a opinião dele. Mas eu não vou fingir que ele não falou.</p><h2>A caixa preta: não é sobre ser amado, é sobre ser pouco rejeitado</h2><p>Essa parte foi a que eu mais anotei, na moral.</p><p>Segundo ele, <strong>eleição</strong> grande no <strong>Brasil</strong> não se ganha com proposta. Se ganha administrando rejeição. Os dois primeiros colocados trabalham só pra diminuir a própria queimação de filme e aumentar a do outro. E aí quem escreve o plano de governo, na prática, é o marqueteiro. Vira peça de<strong> marketing</strong>, porque comprometimento com tema difícil só gera rejeição.</p><p>Ele deu exemplo dos dois lados. Candidato com problema com eleitor feminino? Bota a esposa na campanha. Candidato com problema em segurança pública? Ensaia um discurso ali. Candidato que precisa segurar a base? Solta um benefício.</p><p>E ele foi honesto sobre o próprio jogo, o que eu respeitei. Falou que a rejeição dele vai subir e que ele sabe disso. A aposta é: ataca os dois grandes, aceita ser rejeitado pelos fãs dos dois, chega no segundo turno com 30% e aí vira. Numa eleição de um turno, ele disse, seria burrice. Em dois turnos, ele acha que fecha a conta.</p><p>Pois é. Só que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oGK5E24zTbI&t=380s">enquanto ele explicava isso, quem tava crescendo nas pesquisas era outro cara</a>.</p><p>O <strong>Augusto Cury</strong> saiu de 1 ou 2% e bateu dois dígitos em quatro pesquisas na mesma semana, depois do debate da <strong>Band</strong>. E o <strong>Renan</strong> não escondeu que isso doeu. </p><p>Ele foi ao debate justamente porque os dois primeiros colocados não foram, e a leitura dele é que eles não querem enfrentar contraditório. A leitura dele sobre o crescimento do <strong>Cury</strong> envolve impulsionamento em rede e influenciador, e aí eu preciso dizer: isso é acusação dele, não é fato apurado e o outro lado tem o direito de responder.</p><p>O que ele falou e que ficou martelando na minha cabeça foi outra coisa: "Eu errei em falar a verdade? Então quer dizer que eu vou ter que mentir pra ir melhor?"</p><h2>A reforma política que não se chama reforma política</h2><p>Aqui ele apresentou o que ele mesmo chama de tema mais importante da campanha dele. Lei de responsabilidade gerencial.</p><p>A lógica é a seguinte, e eu vou traduzir do jeito que eu entendi. Em locais nos quais a pessoa depende do político pra tudo, pra remédio, pra emprego, pra rua asfaltada, ela vende o voto. </p><p>Já em locais que tem economia rodando e a pessoa paga as próprias contas, ela escolhe. Então em vez de tentar acabar com emenda parlamentar, coisa que ele mesmo admite que não vai conseguir, ele quer mudar a regra do dinheiro: prefeito só recebe mais se bater meta de água e esgoto, de nota no SAEB, de queda de assalto e, principalmente, de aumento de atividade econômica. Não bateu, fica inelegível.</p><p>E o fundo partidário deixaria de ser distribuído por número de votos e passaria a ser por desempenho dos prefeitos do partido. A ideia é matar o incentivo de lançar celebridade pra puxar voto.</p><p>Junto com isso vem voto distrital misto com lista fechada, modelo alemão. Metade das cadeiras eleitas por região, metade por partido com lista aberta ao público antes.</p><p>Aí eu puxei o freio de mão.</p><p>Porque cara, isso soa bem. Igual soava bem lá em 2018 quando prometeram um ministério puramente técnico, e depois a realidade do Congresso mostrou que não era bem assim. Eu falei isso na cara dele.</p><p>E a resposta dele foi honesta, vou dar o crédito. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oGK5E24zTbI&t=380s">Ele não prometeu mágica.</a> Falou que se o povo eleger 280 deputados do centrão, e ele cravou essa previsão, ele vai ter que compor. </p><p>Só que a composição dele seria com resolução vinculante assinada pelo presidente do partido, tudo público, sem estatal na mesa. Modelo parlamentarista aplicado na marra dentro do presidencialismo.</p><p>Dá pra fazer? Não sei. Mas pelo menos ele não fingiu que o Congresso não existe.</p><h2>Educação: essa parte me pegou</h2><p>Eu sou formado em Letras. Fui professor de inglês. Então quando o papo vai pra alfabetização, meu radar liga sozinho.</p><p>O número que ele jogou na mesa foi esse: de <strong>8 a 10% dos brasileiros</strong> seriam de fato proficientes em português, capazes de ler um texto denso de quatro parágrafos e escrever sobre ele. Ele cita a literatura de alfabetização e defende método fônico obrigatório, aquele de juntar sílaba e fonema. Citou<strong> Vietnã, Inglaterra, Mississippi e Sobral</strong> como casos de quem aplicou e subiu.</p><p>A proposta prática dele: foco em matemática e português, criança plenamente alfabetizada até os 12, prêmio em dinheiro pra família de aluno com bom desempenho em vez de bolsa só por frequência, e bolsa em escola particular pro moleque que se destaca lá no fundamental, antes de chegar na faculdade.</p><p>Ele resumiu assim, e isso é dele: enquanto a gente não resolver alfabetização, discutir inteligência artificial é conversa fiada.</p><p>Eu concordo com o diagnóstico da base. Eu falo isso desde sempre. Educação é o único jeito de o cara sair do ciclo, porque enquanto ele tiver que pensar na janta, ele pega os 50 conto e vota em quem deu. </p><p>O ponto que eu vejo diferente é que educação demora uma geração e a rua tá pegando fogo agora. Eu falei pra ele: precisa de um band-aid na segurança enquanto o remédio de verdade age.</p><p>Ele concordou com o band-aid. E aí a gente foi pra parte mais tensa.</p><h2>Segurança: onde eu peguei mais no pé dele</h2><p>O <strong>Renan</strong> defende que assalto à mão armada tem que ser respondido com letalidade policial em flagrante, sob legítima defesa de terceiro, ou com 30 anos de prisão sem progressão de pena. Matou ou não matou, na tese dele, não muda.</p><p>A justificativa: o assalto à mão armada é a base econômica do crime e é o crime que traumatiza o brasileiro. Ele lembrou que <strong>São Paulo</strong> tá com taxa de homicídio caminhando pra ficar próxima da americana, e mesmo assim ninguém se sente mais seguro aqui. A diferença, na leitura dele, é o assalto.</p><p>Eu não deixei passar. Perguntei do <strong>El Salvador</strong>, porque tem gente admitindo que uma parcela relevante da galera encarcerada por lá era inocente. Ele não fugiu, mas também não recuou: falou que prefere o risco de uma injustiça hipotética à certeza da injustiça que ele enxerga hoje. Ele defende regime jurídico diferente pra membro de facção, comparando com a lei do abate e com a legislação antiterror.</p><p>Eu vou deixar aqui do jeito que é. Isso é a posição dele, é uma posição dura, tem jurista sério discordando frontalmente e o leitor precisa saber disso pra formar a própria opinião.</p><p>O momento em que ele me convenceu mais foi na parte de desfavelização. A resposta dele pra uma pergunta do chat foi boa: não é criar distrito cercado de gente armada. É urbanizar, botar escola, ligar as vias, formalizar água, luz e internet, plantar árvore, trazer emprego pra perto. Reocupação com serviço, não só com fuzil.</p><h2>O Brasil como um agiota</h2><p>Essa foi a melhor analogia do programa, e eu vou confessar que eu entrei nela junto.</p><p>Ele descreveu a economia brasileira como um corpo doente. A <strong>Argentina</strong> do <strong>Milei</strong> também tá doente e tá tomando quimioterapia, perdendo cabelo, mas os órgãos voltando a funcionar. O <strong>Brasil,</strong> na visão dele, é um corpo com muito mais potencial: agro gigante, energia, terra rara, espaço pra data center. Um jogador de futebol no hospital.</p><p>Aí ele foi pros números dele: <strong>PIB de 12 trilhões, dívida de 10 trilhões, arrecadação de 6,5,</strong> e a gente pedalando o agiota todo mês. Quanto mais alto o juro, mais fundo o buraco. Ele fala em cortar<strong> R$ 250 bilhões</strong> por ano em despesa, mexendo em previdência do funcionalismo, desindexação de benefícios do salário mínimo, piso de saúde e educação corrigido pela inflação, supersalário do judiciário e renúncia fiscal de empresa.</p><p>E foi aí que eu falei uma coisa que ele adorou. Se eu tenho 100 reais e monto uma empresa, no fim do ano eu tenho 120 se der tudo certo. Se eu viro agiota, eu tenho os mesmos 120 sem risco nenhum, sem lidar com gente, com o governo garantindo o pagamento. Então bora ser agiota.</p><p>Ele completou: por isso ninguém quer fazer fábrica no <strong>Brasil</strong>. O empresário virou rentista.</p><p>É foda. Faz sentido demais.</p><h2>Batman e Superman</h2><p>No finalzinho o papo foi pra geopolítica e ficou insano.</p><p>A tese dele é que o mundo endureceu rápido demais e o <strong>Brasil</strong> tá no meio do sanduíche entre <strong>China</strong> e <strong>Estados Unidos</strong>. Terra rara, agro, água, 200 e poucos milhões de pessoas. Ele citou a<strong> Guerra do Peloponeso, Atenas e Esparta</strong> brigando por aliados antes de brigar de fato, e disse que <strong>China</strong> e <strong>EUA</strong> já estão nessa fase.</p><p>A posição dele é negociar duro, sem puxar saco de ninguém. Ele quer sentar com os americanos e trocar acesso a terra rara por tecnologia militar e apoio internacional, inclusive pra desenvolver capacidade nuclear. Ele lembrou da Ucrânia, que abriu mão do arsenal confiando em tratado internacional.</p><p>E aí eu falei: então é tipo <strong>Batman e Robin</strong>.</p><p>Ele: "Não. <strong>Robin</strong> é meio subordinado. Tem que ser <strong>Batman e Superman</strong>."</p><p>Verdade. Péssimo exemplo o meu. Retirado.</p><p>Sobre o <strong>Trump</strong> ele foi bem direto, e isso vai desagradar gente dos dois lados: falou que existe uma idealização ridícula dos<strong> Estados Unidos</strong> por parte da direita brasileira, e lembrou que o agro brasileiro apanhou de tarifa e de discurso do próprio governo americano enquanto tinha gente aqui batendo palma.</p><h2>O canelômetro</h2><p>Antes de ir embora ele ainda me contou a teoria mais absurda e mais engraçada do programa.</p><p>Ele diz que criou uma métrica interna chamada canelômetro. A partir de 2020 e 2021, virou moda entre político um terno azul curtinho com mocassim sem meia. Aí a canela fica de fora. E a tese dele é que quanto mais canela exposta, maior a chance de o cara estar num escândalo.</p><p>E ainda tem escala: quando tá muito exposto, eles falam que o cara "veio de sunga".</p><p>Eu não vou dizer que é ciência. Mas eu vou reparar. Todo santo dia.</p><h2>No fim das contas</h2><p>Cara, eu anotei um monte aqui. Sério.</p><p>Não é sobre eu concordar com tudo que o <strong>Renan</strong> falou, porque eu não concordo. Eu peguei no pé dele em segurança, eu peguei no pé dele na viabilidade das reformas, e vai ter coisa nesse papo que você vai ler e vai querer jogar o celular na parede. Beleza. É pra ser assim.</p><p class="    ">O que eu quero de verdade é que tu use isso. Setembro é o mês das sabatinas aqui no <strong>Flow News</strong>, vai passar candidato de tudo quanto é lado nessa cadeira, e a ideia é sempre a mesma: pergunta difícil, espaço pra responder, checagem rolando do lado. O resto é contigo.</p><p>E olha, se tem uma coisa que ficou clara nesse papo é que quem decide isso tudo é a urna. O ministro que tá lá em cima chegou por indicação política, e indicação política vem de gente que a gente elegeu. Enquanto a gente não entender que tem coisa que precisa ser exigida, e não esperada, o jogo não muda.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oGK5E24zTbI&t=380s">Papo completo tá no vídeo aqui.</a></p><p>Dá o like, comenta, compartilha, manda no grupo da igreja, manda no grupo dos teus tios que só falam de política no almoço. E vira membro do canal, que tem conteúdo exclusivo rolando lá por menos de 8 reais.</p><p>A gente se vê depois. Beijo.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-09-08/renan-santos-no-flow-news--toffoli--banco-master-e-a-black-pill.html</link><dc:creator>Juliana Franco</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Juliana Franco</author><keywords>Eleições 2026, Flow News, Renan Santos, Dias Toffoli, Banco Master, STF, Segurança Pública, Educação, Igor 3k</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a96c3b5282be5bd6018725d</guid><pubDate>Tue, 01 Sep 2026 12:42:35 +0000</pubDate><title>TACO e coldzera no Flow: a história dos dois Majors do Brasil</title><description>TACO e coldzera sentaram no Flow pra falar de major, briga no avião, cheater no CS2 e o preço que eles pagaram pra ganhar tudo. Tu precisa ouvir</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/4r/9q/v2/4r9qv2ls9y6qih2bs6wyphjoj.jpg"><figcaption>TACO e coldzera relembraram no Flow a era de ouro do CS brasileiro, os dois títulos mundiais e as histórias que marcaram a trajetória da dupla<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Se tu tem mais de 25 anos e um dia botou o pé numa <strong>LAN house</strong>, tu já jogou <strong>CS</strong>. Não tem escapatória. Eu ia pra jogar <strong>Warcraft</strong>, juro. Sempre virava CS.</p><p>Pois é. E os dois caras que sentaram na mesa do <strong>Flow</strong> são os que pegaram esse joguinho de <strong>LAN house</strong> e transformaram numa parada que fez a <strong>Europa</strong> inteira ter medo do<strong> Brasil</strong>. <strong>TACO e coldzera</strong>. Dois majors. A dupla que estava lá quando a gente saiu de "os brasileiros são sorte" pra "caralho, caiu no grupo do SK".</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/2U25pqhX__I" frameborder="0"></iframe><p> E cara, o papo foi pra tudo quanto é lado. Bar de hotel na véspera de final. Briga feia dentro de um avião que quase acabou com o melhor time do mundo. Um cara chegando na <strong>China</strong> pra perguntar quanto o <strong>TACO</strong> queria pra perder um jogo. E a parte que ninguém gosta de falar: o<strong> CS2</strong> tá tomado de cheater e a Valve não sabe muito bem o que fazer.</p><p>Eu vim dos jogos, tá ligado, cheguei no<strong> YouTube</strong> por causa de jogo. Mas CS de alto nível eu não manjo porra nenhuma. Essa aqui foi aula pra mim também. Bora.</p><h2>Antes de final de major, os caras desciam pro bar do hotel</h2><p>Virou lenda que o time bebia antes de jogo grande. E é verdade.</p><p>Só que o <strong>TACO</strong> explica o contexto e muda de figura. Eram meses enfornado no escritório em <strong>Colônia</strong>, treze, quatorze horas por dia, jogando até 5 da manhã e levantando às 10 pra treinar de novo. A frase deles era essa: quem treinou treinou, quem não treinou vai tomar pau. Não tem como correr atrás na véspera.</p><p>Aí chegava a semana do campeonato e a cabeça fervia. Semifinal amanhã. Final amanhã. E o que eles faziam era descer pro bar do hotel, tomar duas cervejas e falar do jogo de um jeito mais leve. "Sabe aquele cara do VP? Ele gosta de jogar em tal posição. Vamos arrebentar ele amanhã."</p><p>E tinha pro <strong>player</strong> de outro time sentando junto pra tentar descobrir o segredo. Não tinha segredo. Eles só sabiam beber melhor que os outros.</p><p>Hoje ele vê o contrário disso. Jogador entrando em semifinal com a corda no pescoço, DM lotada de xingamento, gente de outro país mandando ameaça de morte por causa de uma derrota. A cobrança é do tamanho da torcida, e a brasileira é uma das maiores do mundo. Ganha muito com isso. Paga também.</p><h2>16 a 0 pro Fnatic e, quatro dias depois, vice-campeão</h2><p>Agora a origem, e essa é boa demais. <strong>Primeiro campeonato da line com TACO e fnx, na Suécia</strong>, casa do fnatic, fim de 2015. Jogo de estreia: 16 a 0. Zero. Na <strong>Dust2</strong>. <strong>TACO</strong> tava tão nervoso que derrubou o energético em cima do mousepad antes de começar.</p><p>Qualquer time morre ali. Eles foram pro hotel e sentaram cinco, seis horas revendo tudo. A lógica era simples: perder de 16 a 0 e perder de 16 a 14 dá no mesmo. Perdeu. Vamos ver o que dá pra arrumar pra amanhã.</p><p>No dia seguinte pegaram os campeões do último major numa melhor de três e ganharam, coisa que time brasileiro não fazia. Depois passaram pelos dinamarqueses na semi. Chegaram na final contra o mesmo <strong>fnatic</strong>, na casa deles, e tiraram um mapa dos caras.</p><p>E aí o detalhe que eu achei mais foda. Ganhando o primeiro mapa da final, eles olharam pro troféu. Cogitaram. Dali pra frente tomaram pau nos dois seguintes.</p><p>Só que o clique não foi esse. Foi no campeonato seguinte. Eles voltaram empolgados, sentaram pra "estruturar tudo", encheram o mapa de smoke marcada, pixel aqui, pixel ali, CS robotizado igual europeu. Não passaram nem dos grupos.</p><p>Foi aí que caiu a ficha. Eles não tinham que copiar ninguém. Tinham que jogar o <strong>CS</strong> deles, com o que cada um tinha de melhor. Depois disso a história tá contada.</p><h2>A briga no avião que quase acabou com o melhor time do mundo</h2><p>Eles são eliminados nos <strong>Estados Unidos</strong>, começam 2 a 0 e perdem três seguidas. Fora. E aí explode uma briga no grupo do <strong>WhatsApp</strong> por uma besteira qualquer. Dois jogadores falando "não jogo mais com você".</p><p>O <strong>TACO</strong> é quem faz o check-in do voo pra todo mundo. Manda no grupo: querem sentar junto ou separado? Um responde "coloca qualquer um menos do lado do Fer". O outro: "qualquer um menos do lado do Cold".</p><p>Ele senta do lado do FalleN, que tava dormindo tranquilão, cutuca e fala: tá ligado que o time acabou, né? O cara nem sabia. Reunião de emergência na cozinha do avião, no meio do voo. Cada um foi falar com um. Voltaram com a mesma resposta: que ele se foda.</p><p>Puta merda.</p><p>Aí o time pousa em <strong>Los Angeles</strong> e tinha um vídeo esperando. Uma galera tinha gravado gente conhecida, <strong>Neymar, Gabriel Medina,</strong> pedindo pros caras não se separarem. Deu certo. Eles sentaram, refizeram tudo do zero e voltaram a ganhar em sequência.</p><p>A conclusão do<strong> TACO</strong> é seca: time que não briga não ganha. Tem que ter cobrança, tem que ter aquele cara chato que tira todo mundo da zona de conforto. E ele assume que era ele.</p><p>Eu penso nisso aqui no <strong>Flow</strong> direto. Ambiente confortável demais é ambiente que para de crescer.</p><h2>Ganhar não bastava. Tinha que esculhachar</h2><p>Tá, mas nem tudo era seriedade. Os caras eram doentes.</p><p>Quartas de<strong> final de mundial</strong>, jogo valendo a vida, e eles compram cinco AWPs. Cinco. Num time normal só um cara joga com essa arma. A mensagem era: vocês são tão ruins que a gente ganha até assim. E ganharam.</p><p>Tem a faca também, que é a humilhação máxima do CS. O C<strong>oldzera</strong> matou três num round contra os ucranianos, o s1mple veio pra passar a faca nele e morreu no caminho. O time levantou da cadeira de raiva e jogou tão puto o resto da partida que os caras não fizeram mais um round.</p><p>Mas o outro lado dói. O<strong> TACO</strong> já tomou duas facadas do JW num mapa só. E a palavra que ele usa não é raiva. É tristeza. Tu fica desnorteado, tenta tocar o jogo, e no fim ainda tem que apertar a mão do cara.</p><p>Título ninguém tira de tu. Esculacho também não.</p><h2>"Quanto você quer pra perder o jogo amanhã?"</h2><p><strong>Campeonato na China</strong>. Um cara procura o <strong>TACO</strong> falando de stream, plataforma chinesa, que queria o time transmitindo lá. Papo de negócio. Ele senta pra conversar.</p><p>A segunda pergunta do cara foi <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2U25pqhX__I&t=8s">quanto ele queria pra perder o jogo do dia seguinte.</a></p><p>Ele agradeceu, levantou e foi embora. Ganharam a partida e ele ficou com aquilo na cabeça: e se o cara vier atrás de mim agora? Pega um ban de dez anos e acabou a carreira. Pensa nisso.</p><h2>O CS2 tá lotado de chater e a Valve é "o pai que foi comprar cigarro"</h2><p>Agora a parte técnica, e eu vou traduzir porque eu também precisei.</p><p>Os dois preferem o<strong> CS:GO</strong>. Visualmente o <strong>CS2</strong> é mais bonito, isso ninguém discute. Mecanicamente, não. O problema é a hitbox, que é a caixinha invisível que o jogo desenha no boneco pra saber se tua bala acertou. No <strong>CS2</strong> ela fica esquisita quando o cara corre, e o tiro às vezes não registra.</p><p>E isso muda quem ganha. O que tu tá falando então é que o CS:GO premiava quem se posicionava melhor, e o CS2 premia quem abre correndo com mira absurda. Tipo o Donk, russo de 19 anos que o Coldzera chama de aberração. Antes, jogada burra te matava. Hoje, se tu tem mira, tu compensa.</p><p>Mas o buraco maior é o cheater, e aqui a parada é econômica, não técnica. A Valve usa um anti-cheat pouco invasivo por opção, diferente do Valorant, que enfia um treco no kernel do teu Windows e praticamente suga tua alma. Menos invasivo é mais fácil de burlar. Aí virou mercado: tem quem programa, tem quem vende, e tem quem cobra pra subir a conta dos outros até o rank dourado. O <strong>TACO</strong> jogou quatro partidas em live e caiu com cheater em três.</p><p>E aí vem a ironia. Quem quer jogar sério migra pra <strong>Gamers Club</strong> ou <strong>FaceIt,</strong> que cobram assinatura e entregam ambiente limpo. Ou seja: o cara paga pra jogar num lugar seguro porque o dono do jogo não entrega isso. É comprar ingresso pro estádio e ter que contratar segurança na porta.</p><p>No curto prazo entra grana, porque quem toma ban compra conta nova. No longo prazo o cara que chega cansado do trabalho pra jogar um mapinha desiste e vai jogar outra coisa. E aí fodeu.</p><h2>O Major, os Stickers e o ano em que a conta não fechou</h2><p>Tem uma engrenagem financeira aqui que eu não fazia ideia.</p><p>Os adesivos com assinatura dos jogadores, vendidos durante o major, são a principal fonte de grana de muita organização. Metade do que a Valve arrecada vai pros times. Por isso tanta org trabalha o ano inteiro só pra estar lá dentro e fechar o caixa no azul. Este ano a<strong> Valve</strong> trocou as cápsulas por tokens, ninguém faturou como esperava, e teve org que viu que só gastou e saiu do CS.</p><p>Enquanto isso o dinheiro grande veio de outro lugar. A <strong>Esports World Cup</strong> rodou em <strong>Paris</strong> com <strong>US$ 2 milhões</strong> só no CS2, e a <strong>Falcons</strong> montou um super time comprando NiKo, m0NESY e companhia. Deu certo: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2U25pqhX__I&t=8s">levaram o Major de Colônia em junho, batendo a FURIA na final.</a></p><p>E o TACO tava lá. Foi ele quem levou o troféu pra entregar naquela final, torcendo pra caramba pro time do FalleN ganhar. Não rolou.</p><h2>O preço da conta</h2><p>Aí veio a parte que me pegou. Eu perguntei o que muda no jogador que vai ficando mais velho, esperando papo de reflexo. Não é reflexo. É prioridade.</p><p>O <strong>TACO</strong> nem lembra mais o que é ter aniversário, porque a data dele sempre caía em cima de major. Casamento de primo, aniversário de pai e mãe, sobrinho nascendo: tudo pro espaço. Quinze horas de avião todo fim de semana, ano após ano, na econômica que ele apelidou de Animal Class. Ele faz questão de dizer que é grato por tudo. Mas chega uma hora que tu olha e vê um pedaço da tua vida vazio.</p><p>É por isso que ele acha justo o FalleN parar quando quiser. O cara ficou anos sem viver esses momentos. Merece viver em paz.</p><p>E eu escutei isso com as minhas filhas na cabeça, na moral. Essa conta chega pra todo mundo, não só pra pro player. A gente empurra o tempo pra frente achando que dá pra pagar depois. Não dá.</p><p>O alívio, no fim, veio de um lugar simples: hobby. O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2U25pqhX__I&t=8s">TACO passou quinze anos sem ver o sol e tá há três treinando boxe</a>, diz que foi a melhor coisa que fez pela cabeça. O coldzera não começa o dia se não passar na academia. E eu tô nessa fase de mexer com inteligência artificial de madrugada.</p><p>Que me lembrou de uma frase que saiu ali no meio e eu acho que é o ouro. Todo mundo pergunta o que dá pra fazer com IA. A pergunta certa é outra: qual é o problema que tu quer resolver? Minha filha mais nova queria jogar um jogo que o notebook dela não roda. Montei uma parada que faz ela jogar direto do meu PC. Resolveu.</p><h2>E é isso</h2><p>Cara, eu anotei um monte aqui. Sério. E não é nem sobre CS. É sobre ficar dez anos numa parada e continuar de pé, que foi o que o coldzera falou: o mais impressionante não é ter ganhado, é ainda estar aqui pra contar a história. Tem a ver com o que a gente faz no Flow, e com o que tu tá construindo aí.</p><p class="  ">O TACO acredita que vem outra era brasileira. Ele diz que o<strong> Brasil</strong> é escola tradicional de CS igual é no vôlei, que os gringos respeitam, e que agora é momento de plantar. Um dia alguém vai ser melhor que ele, melhor que o cold, melhor que o FalleN. Ele quer que aconteça.</p><p>Se serviu pra mim aqui, serve pra tu aí. Nem que seja pra lembrar que o time que nunca briga também nunca ganha.</p><p>O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2U25pqhX__I&t=8s">papo completo tá no YouTube</a>, é longo e vale cada minuto.</p><p>Dá o like, comenta, manda esse episódio no grupo dos caras que jogam <strong>LOL</strong> e no dos caras que jogam Valorant, porque a gente só falou bem desses jogos aqui. Manda no grupo da igreja também, vai que.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-09-01/taco-e-coldzera-abriram-o-jogo-sobre-a-era-de-ouro-do-cs-brasileiro-e-teve-briga-no-aviao.html</link><dc:creator>Juliana Franco</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Juliana Franco</author><keywords>Flow Podcast, CS2, Taco, coldzera, CounterStrike, esports, SK Gaming, Furia</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a95c8f341dabb4d248e37ac</guid><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 18:33:24 +0000</pubDate><title>Debate presidencial esvaziado: o que os candidatos estão dizendo</title><description>Lula, Flávio e Zema amarelaram o primeiro debate. O Felipe Moura Brasil sentou aqui e explicou o que isso diz sobre ti, sobre eles e sobre teu voto</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/1i/9y/c5/1i9yc5fhor53c02n773htigps.jpg"><figcaption>Felipe Moura Brasil e Igor 3K analisaram no Flow News a ausência de candidatos no primeiro debate presidencial e o impacto disso nas eleições de 2026<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Domingo teve o primeiro <strong>debate presidencial de 2026</strong>, lá na <strong>Band</strong>. Tu ligou a TV e viu uma coisa esquisita: lugar vazio no estúdio. <strong>Lula</strong> não foi. <strong>Flávio Bolsonaro</strong> não foi. <strong>Zema</strong> não foi. Sobrou o <strong>Caiado, o Renan Santos e o Augusto Cury</strong> pra segurar a bronca de seis.</p><p>Na terça o <strong>Felipe Moura Brasil</strong> sentou aqui comigo no <strong>Flow News</strong> e a gente gastou o programa inteiro numa pergunta só: por que que isso aqui não é um escândalo maior do que é?</p><p>Porque a desculpa, mano. A desculpa é pior que a ausência.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/4dkSxz0m7SA" frameborder="0"></iframe><h2>O bagulho não é a falta. É a desculpinha</h2><p>Funciona assim: o <strong>Lula</strong> decidiu não ir. Aí o <strong>Flávio</strong> falou que não vai porque o adversário dele é o <strong>Lula</strong> e ele não quer debater com os outros. Aí o <strong>Zema</strong> usou basicamente a mesma justificativa.</p><p>Uma desculpinha mais tosca que a outra.</p><p>E aqui vai a minha leitura, tá ligado? Eu acho que hoje no <strong>Brasil</strong> tudo é feito pra pesquisa. Tudo. A pesquisa deveria só medir como pensa o eleitorado, mas ela virou uma profecia autorrealizável: a partir do momento que ela existe, ela influencia como as pessoas votam, e aí ela se realiza. Então o que esses caras estão fazendo é simples. Eles estão em velocidade de cruzeiro e não querem turbulência. Não colocar as próprias ideias à prova é a forma mais barata de não mexer o ponteiro.</p><p>Perguntei pro <strong>Felipe</strong> qual deveria ser a função social de um debate. Ele foi direto: prestar contas à sociedade, mostrar as ideias, a trajetória, por que o cara seria competente pra governar o país. Não é pra servir a pesquisa.</p><p>Faz sentido, né? Pois é. Não é o que tá acontecendo.</p><h2>Aí o Felipe virou a mesa pro nosso lado</h2><p>E foi aqui que o papo mudou de temperatura. Porque eu tava reclamando dos políticos e o <strong>Felipe</strong> falou assim: cara, o mais lamentável nem é a ausência deles.</p><p>É a anestesia da população.</p><p>Ele não passa pano nem pro eleitorado. O argumento é que os caras só fazem isso porque sabem que não vão perder ponto nenhum com quem já declarou voto neles. Milhões de pessoas não mexem o voto um milímetro depois de uma amarelada dessas. E se tu legitima um cara que não quer prestar contas agora, na campanha, como é que tu vai cobrar ele durante quatro anos de mandato?</p><p>Porra. Essa doeu.</p><p>Vou te confessar uma coisa: eu não acho que debate tenha que ser obrigatório. Eu acho que não ir já é uma mensagem clara pra caramba. O problema é que a gente não tá sabendo captar essa mensagem. O cara tá contando com a tua distração pra não mexer o ponteiro. É isso que ele tá te dizendo.</p><h2>"Um se limpa na sujeira do outro"</h2><p>Essa é a frase que o <strong>Felipe</strong> repete há tempo e que resume o jogo inteiro.</p><p>O exemplo que ele destrinchou no programa foi a tal da prestação de contas do filme<strong> Dark Horse</strong>. O <strong>Flávio</strong> tinha prometido explicar em 30 dias a origem da grana depois que vazou um áudio dele pedindo recursos ao <strong>banqueiro Daniel Vorcaro</strong>. Passou o prazo e a resposta foi: já saiu no<strong> G1</strong>, a produtora prestou contas, e quem tem que prestar conta na verdade é o <strong>Lula</strong>.</p><p>Segundo o Felipe, o que a produtora apresentou dentro do inquérito foi basicamente o valor gasto, sem nota fiscal e sem o caminho do dinheiro, que é justamente o que as investigações querem ver. E ele fez questão de lembrar de uma coisa que o pessoal esquece: o<strong> Flávio</strong> não é um empresário do mercado privado. É<strong> senador</strong>. Legisla, vota, tem influência.</p><p>A análise do Felipe é essa. E o Flávio nega irregularidade em tudo isso, vale registrar, assim como a defesa nega em todos os outros casos que apareceram no programa.</p><p>Mas repara na estrutura do troço. Não é "eu fiz isso e aquilo". É "e o teu?". O <strong>Felipe</strong> comparou com discussão de jardim de infância: não fui eu, foi ele, tu é feio, tu é chato.</p><p>E o mais foda é que funciona.</p><h2>A analogia da gangue no Carnval</h2><p>Teve uma hora que o Felipe puxou uma história de 2004, quando ele passou o <strong>carnaval em Salvador</strong> e escreveu uma crônica que viralizou na época do e-mail.</p><p>Ele contou que na pipoca tinha uma turma que fechava a pessoa em roda, prendia, e passava a mão no bolso. E aí chegava a fila de policiais com escudo e capacete. Os caras paravam de roubar. Ficavam parados, quietinhos, um até dava risada. A fila passava.</p><p>E eles voltavam a roubar.</p><p>Cara. Isso é o<strong> Brasil</strong> inteiro numa cena de 15 segundos. Passou a fiscalização, todo mundo em posição de sentido. Virou a esquina, bora. É o mesmo mecanismo, só que com terno.</p><h2>E é aqui que o buraco fica mais embaixo</h2><p>O Felipe puxou pra uma parada que eu acho que é o coração do programa: a questão identitária.</p><p>Quando a pessoa fala <strong>"eu sou bolsonarista", "eu sou lulista", "eu sou de direita", "eu sou de esquerda".</strong>.. ela tá se descrevendo por pertencimento, não por ideia. E aí vem a pergunta que travou a mesa: tu defende essa categoria se ela roubar? Se ela fizer uma política que ferra um monte de gente?</p><p>Comprou o time, agora é pra sempre. Fecha os olhos e vai.</p><p>Ele lembrou até daquele campo do <strong>Orkut,<a href="https://www.youtube.com/watch?v=4dkSxz0m7SA"> "não me defino porque isso limita"</a></strong>. Rimos. Mas é real. O cara deixa de refletir sobre o próprio desejo pra virar ovelha de rebanho, e o <strong>político</strong> é o profissional que sabe exatamente qual palavra-gatilho puxar em quem tá frustrado, ressentido ou com raiva do outro lado.</p><p>Tu se identifica e pronto. É quase <strong>religião</strong>. É quase <strong>futebol.</strong></p><h2>O que eu vi em 2022 e nunca esqueci</h2><p>Deixa eu te contar um bastidor.</p><p>Em 2022 o <strong>Lula</strong> veio aqui no <strong>Flow</strong> e a campanha veio junto, uma galera. E o que me chamou atenção naquele dia foi o controle. Trouxeram até câmera própria pra gravar um trecho específico. Teve um momento que o <strong>Lula</strong> mencionou o filho dele e a equipe ficou aflita ali do lado. Não fala disso. Não fala disso.</p><p>E eu fico pensando nisso até hoje, mano.</p><p>Porque, olha, eu tenho filhas. Isso aqui eu ouvi da minha mãe muito tempo atrás: se a minha filha cometesse um crime, eu ia querer ver a justiça funcionar. Especialmente se eu fosse <strong>presidente da República</strong>. A primeira coisa que eu faria era virar pra minha família e falar: fiquem longe daqui. Aqui ninguém se beneficia de governo.</p><p>Não é assim que funciona. Dos dois lados, aliás. E o<strong> Felipe</strong> apontou o teto de vidro dos dois: o <strong>Flávio</strong> teve o <strong>Queiroz</strong> no gabinete, que era amigo antigo do próprio <strong>Jair</strong>. O <strong>Lulinha</strong> aparece agora em mensagens anexadas a inquéritos da PF conversando com uma lobista que responde na <strong>Operação Sem Desconto,</strong> discutindo viagem paga e falando que ela cuidava das finanças dele. A defesa nega qualquer ligação com as fraudes do <strong>INSS</strong> e diz que ele nunca intercedeu por ninguém.</p><p>O ponto do Felipe não é a condenação. É outro: quanto mais isso se repete, mais difícil fica de acreditar que os pais não sabem de nada.</p><h2>Marçal, a brecha, e a multa de 420 mil</h2><p>Rapidinho, porque tem que falar. O<strong> TRE-SP negou os recursos do Pablo Marçal e manteve a inelegibilidade dele até 2032,</strong> junto com a multa de R$ 420 mil. O TSE ainda vai decidir sobre o registro da candidatura.</p><p>E aqui o Felipe fez uma distinção que eu achei cirúrgica: o cara tá usando uma brecha que o próprio sistema deixou aberta. Ele critica o Marçal do ponto de vista moral, acha patético. Mas acha igualmente patético que a brecha exista.</p><p>Porque é isso que acontece no Brasil. O episódio acontece, o problema fica escancarado, e ninguém conserta nada. Ninguém aprende nada com nada.</p><h2>"Em quem eu voto, então?"</h2><p>No meio do programa chegou uma mensagem da <strong>Dinha</strong>. Ela falou que é fã de carteirinha desde o corte do<strong> Tramontina</strong> me chamando de bundão, mas que depois de ouvir a gente tava cada vez mais decepcionada. E perguntou em quem votar.</p><p>Cara, eu recebo isso todo dia. Todo dia.</p><p>E a minha resposta é a seguinte, e serve pra ti também: essa não é a nossa função aqui. Abre a mente pro seguinte, a função deles é te convencer que eles são gente boa. Não é te contar qual é o projeto pra educação, pra saúde, pra segurança. É se limpar na sujeira do outro.</p><p>O meu papel, o nosso papel aqui, é te falar o que eles não estão falando. É apontar que quando o cara não vai no debate, ele tá contando com a tua ignorância pra não mexer o ponteiro. Isso eu posso te entregar. O voto é teu.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4dkSxz0m7SA">Eu não coloco a mão no fogo por nenhum deles</a>. Nenhum.</p><h2>Força, Lito</h2><p>E aí tem a parte do programa que foi difícil de gravar.</p><p>O <strong>Lito Sousa, do Aviões e Músicas</strong>, foi diagnosticado com a <strong>doença de Creutzfeldt-Jakob</strong>. A <strong>Mila</strong>, esposa dele, tem falado publicamente sobre o quadro. As notícias dessa semana não foram as que a gente queria.</p><p>O <strong>Lito</strong> é um dos ícones da internet brasileira. E eu tô falando de<strong> internet</strong> mesmo, não de <strong>YouTube</strong>, não de <strong>TikTok</strong>. O cara escreve há muito tempo, começou em blog, e construiu uma coisa rara: pegou um assunto que gera medo nas pessoas e passou a vida explicando pra acalmar todo mundo. Isso é generosidade pura. O Felipe falou que aprendeu com ele a entender turbulência, e olha que a gente vive dentro de avião.</p><p>A gente não tem uma amizade próxima, mas é mais próxima que a maioria. E porra. Dá uma tristeza que é até difícil de escrever.</p><p>Se tu reza, reza. Se tu não reza, manda a energia que tu tiver. Pro Lito, pra Mila e pra família deles. E se precisarem de qualquer coisa que demande divulgação, é só acionar a gente aqui. Tá de pé.</p><h2>Fechando</h2><p>Cara, eu anotei bastante coisa nesse programa.</p><p>A que mais ficou foi essa: o problema não termina no político. Termina em quem aceita. Se tu comprou o time e fechou o olho, tu virou parte do combinado, tá ligado? E dá pra ser diferente sem ser ingênuo. Dá pra olhar pra sujeira dos dois lados sem virar torcedor de ninguém.</p><p>Se serviu pra mim, serve pra ti.</p><p>O<a href="https://www.youtube.com/watch?v=4dkSxz0m7SA"> papo completo tá lá no YouTube</a>, e vale muito ouvir na íntegra.</p><p class="    ">Ah, e marca aí no calendário: 21 de setembro tem debate do <strong>Flow</strong>. A gente solta o vídeo com o local em breve. E vai ter uma regra bem clara nesse aqui: proibido amarelar.</p><p>Dá o like, comenta, manda no grupo da família, no grupo da igreja, no grupo dos petistas, no grupo dos bolsonaristas e em qualquer outro grupo que tu quiser. Vira membro do canal também, que tem conteúdo exclusivo e custa menos de oito reais.</p><p>Força, Lito.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-08-31/os-cara-nao-foram--o-que-a-cadeira-vazia-no-debate-presidencial-ta-te-dizendo-na-tua-cara.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Eleições 2026, Debate presidencial, Felipe Moura Brasil, Flow News, Igor 3K, política brasileira, Pablo Marçal, Lito Souza</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a95b9da41dabb4d248e3794</guid><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 18:06:08 +0000</pubDate><title>Dilera e Skipinho no Extra Flow: a treta de 10 anos veio à tona</title><description>Dilera e Skipinho sentaram no Extra Flow. Treta, golpe de dinossauro com IA e uma história que te pega. Tu precisa ouvi</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/a7/a4/bw/a7a4bwzasemucllo7z1fgfd8a.jpg"><figcaption>Dilera e Skipinho relembraram no Extra Flow a amizade, as tretas de dez anos e os momentos que marcaram a trajetória dos dois na internet<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Sexta-feira à noite, estúdio do <strong>Flow</strong>, e eu com dois na mesa: o <strong>Dilera</strong> e o <strong>Skipinho</strong>. Se tu acompanha<strong> Twitch</strong> brasileira há mais de cinco minutos, tu sabe quem são os dois. O<strong> Dilera</strong> é o cara que grita, xinga, cospe no meio da frase e transformou a <strong>Síndrome de Tourette</strong> na coisa mais engraçada da <strong>internet brasileira</strong>. E o <strong>Skipinho</strong> é o cara que já tava lá antes. Antes do hype, antes do milhão de seguidor, antes de todo mundo querer o <strong>Dilera</strong> no canal.</p><p>E vou te falar: começou como zoeira pura e em algum momento virou outra coisa. Teve treta de dez anos atrás sendo aberta ao vivo. Teve um Tiggo que fundiu três vezes. Teve gente vendendo dinossauro criado por IA. E teve uma mensagem de um pai que me fez calar a boca.</p><p>O engraçado é que na época em que esses dois eram os reis da <strong>Twitch Brasil</strong>, eu era só mais um <strong>streamer</strong> sem nada. Não existia Flow. Eu assistia. Então esse papo aqui, pra mim, foi meio que fechar um ciclo. Bora.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/ZyBECwB-a2U" frameborder="0"></iframe><h2>Três dias na casa do Skipinho (e o cheiro de cigarro que ficou)</h2><p>Antes de se mudar pra <strong>São Paulo</strong>, o <strong>Dilera</strong> passou três dias na casa do <strong>Skipinho</strong>. Três.</p><p>Primeiro dia foi hype total, saudade, abraço. Segundo dia foi dez horas de conversa colocando a vida em dia. E o terceiro... o <strong>Skipinho</strong> jura até hoje que se precisasse de um quarto dia ele ia sugerir um hotel ali pertinho. "Pra tu ficar mais confortável, né." Tá, Skip.</p><p>O detalhe é que naquela época o <strong>Dilera</strong> ainda fumava, e a casa do cara é aquele negócio de chão que parece porcelana. Ele contou que ficou meio sem jeito de sentar na mesa do jantar. A esposa do <strong>Skipinho</strong> olhando pro chão, as crianças ali, e ele no meio.</p><p>E aqui tem uma parada que eu acho que a galera não entende. Na internet o microfone comprime tudo. Tu ouve o grito, dá risada e segue a vida. Ao vivo, mano, o rojão é ALTO. Tu não tá ligado em quão alto é. A internet te entrega uma versão comprimida do <strong>Dilera</strong>. Na sala da tua casa é 4K.</p><h2>"A gente não era um time?"</h2><p>Aí eu puxei a treta. Porque eu precisava saber, tá ligado?</p><p>Volta uns oito, dez anos. <strong>PUBG</strong> dominava a  . Dominava mesmo. E naquela época não existia contrato de influenciador do jeito que existe hoje. Existia uma coisa chamada minutagem: milhão de minuto assistido virava dinheiro, e a minutagem gringa pagava o dobro da brasileira. Por isso todo time grande tinha streamer no elenco. Todo mundo tava caçando minuto.</p><p>O <strong>Skipinho</strong> e mais três entraram num time internacional. Não era treino, não tinha campeonato oficial ainda, eles só jogavam junto e faziam live. Cada um já era bom por si.</p><p>Aí lançou o primeiro campeonato de verdade do jogo. Data marcada, inscrição aberta. Passou a primeira semana. Passou a segunda. E a uma hora do fechamento das inscrições, dois dos quatro se inscreveram sem ele e chamaram outro cara.</p><p>Ele descobriu ao vivo. Entrou no <strong>Discord,</strong> perguntou na cara. Saiu de lá a frase que virou meme e que ele recebe de donate até hoje.</p><p>Cara. Pensa nisso. Uma hora.</p><p>E o que me pegou não foi nem a treta. Foi ele falando hoje, calmo, que se fosse agora ele processava, cobrava tudo, porque tinha contrato e a org tinha obrigação. Mas na época ele era garoto. No dia seguinte pagaram o que deviam, cinco meses atrasados, e acabou. Cada um pro seu lado.</p><p>Ele não quis falar o nome do outro cara na live, e eu respeitei. Mas nem precisa. Quem viveu aquela época lembra que o chat da<strong> Twitch</strong> brasileira era dividido em dois lados igual eleição. Era time A ou time B. Toda mensagem nova no chat era alguém querendo saber de que lado tu tava.</p><h2>Motor de Corolla</h2><p>Aí o papo desceu pro nível terra e eu chorei de rir.</p><p>O <strong>Dilera</strong> comprou uma MT-07. Ficou um mês. Trocou por uma 1000 cilindradas. Chegou a 240 por hora, freou de uma vez, quase morreu, vendeu. Voltou pra uma<strong> Biz.</strong> Depois uma <strong>Crosser</strong>. E aí decidiu de madrugada que ia pra<strong> São Paulo</strong>, foi na feira do rolo e trocou a moto num <strong>Tiggo.</strong></p><p>O vendedor falou uma coisa só. <strong>Motor de Corolla</strong>. Era o argumento inteiro. Motor de Corolla.</p><p>Andou 150 km. Ferveu. Parou no posto, pagou 800 reais. Andou mais 150. Ferveu de novo. Mais 1.800 de guincho pra trazer o carro pra <strong>São Paulo</strong>. Chegou aqui, rodou 10 quilômetros e fundiu.</p><p>Dez. Quilômetros.</p><p>Deu 8 mil pra arrumar o cabeçote. Ele contou isso rindo, o que é ainda mais insano.</p><h2>Brasileiro é criativo pra carlho. Pena que gasta em golpe</h2><p>E aí veio o bloco que me deixou puto de verdade.</p><p>O <strong>Dilera</strong> tem um GPS com a voz dele, aquele negócio que tá em meio Brasil. Um perfil de cortes com 180 mil seguidores pegou o link, começou a vender por fora e simplesmente não entregava. Cara. É 30 reais. Trinta. E o cara ainda bloqueou o <strong>Instagram</strong> de todo mundo da produção quando foram cobrar.</p><p>Tirar dinheiro de gente que quer prestigiar um <strong>PCD</strong> é um nível de sem-vergonhice que eu não sei nem onde arquiva.</p><p>Aí o <strong>Skipinho</strong> lembrou de outro: tem um maluco vendendo dinossauro. Dinossauro. Ele faz vídeo com <strong>IA</strong> mostrando o ovinho chocando, o bichinho nascendo, e vende por 500 reais. E tem brasileiro comprando. Não chega nada, óbvio.</p><p>E teve a história da irmã dele, que chegou empolgada dizendo que o governo tava liberando 3.200 reais pra quem entrasse num link. Ele falou dez vezes que era golpe. Dez. Ela pagou os 90 reais de "taxa de liberação" mesmo assim, e o <strong>Skipinho</strong> acabou reembolsando ela pra encerrar o assunto. Ela tá esperando os 3.200 até hoje.</p><p>Ele ainda contou de uma ligação de sequestro falso que recebeu no trabalho. Ligou pra esposa no outro telefone, confirmou que ela tava bem em dez segundos, e voltou pro golpista só pra trollar. O cara desligou.</p><p>A real é que a gente é o povo mais criativo do planeta e uma parte considerável dessa criatividade tá sendo investida em foder o vizinho. A gente não exporta tecnologia. A gente exporta golpe.</p><h2>O Ban, o laudo e a menina que virou a mais foda da escola</h2><p>Agora vem a parte que mudou o clima da mesa.</p><p>Teve uma época, e quem tava na <strong>Twitch</strong> lembra bem, em que certas palavras derrubavam teu canal na hora. Não podia falar. Ponto. E o <strong>Dilera</strong> tomou 15 dias de ban por discurso de ódio. Por uma palavra que ele fala sem querer. Que é sintoma. Que é a porra do diagnóstico dele.</p><p>Eles acharam alguém lá dentro que cuidava da parte de acessibilidade, mandaram o laudo médico, e em dois ou três dias voltou. Depois disso ele nunca mais tomou nada.</p><p>Mas fica o buraco na lógica, né? A plataforma criou um sistema que pune a palavra e não a intenção. Aí um cara com <strong>Tourette</strong> é banido por ter <strong>Tourette</strong>. E só destrava porque conheceu alguém que conhecia alguém.</p><p>Só que o que me derrubou mesmo foi o final desse bloco.</p><p>Eu recebi uma DM no Instagram, faz um tempo, de um pai. A filha dele tem <strong>Tourette</strong> e era rejeitada na escola. As crianças não entendiam, os pais não entendiam, e ela era a esquisita da turma. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZyBECwB-a2U">Aí o <strong>Dilera</strong> explodiu. E de repente os moleques passaram a entender o que era aquilo</a>. Ela virou a dourada da turma. Dá os gritos, dá os tiques, e a galera dá risada com ela e defende ela.</p><p>Porra.</p><p>Eu sou pai. Eu fico pensando na cena dessa menina chegando na escola antes e depois. É a mesma menina. Mudou o mundo em volta dela.</p><p>Um moleque do interior fazendo live de videogame fez pela inclusão mais do que qualquer campanha de conscientização que eu vi na minha vida. Sem querer. Só sendo ele.</p><h2>"Não importa se é esquerda ou direita, importa o caráter"</h2><p>E aí, do nada, o papo virou. <strong>Extra Flow</strong> é isso.</p><p>O <strong>Skipinho</strong> soltou uma parada que eu anotei: pra ele, todos os sistemas de governo já deram errado em algum lugar e já deram certo em outro, então discutir o rótulo é perder tempo. O que importa é se quem tá lá em cima quer o bem de todo mundo ou quer o bem do próprio bolso. E o Dilera completou dizendo que liberdade hoje, na prática, é poder aquisitivo. Com grana tu escolhe onde morar, com quem conviver, que vida tu leva.</p><p>Não é a minha fala, é a deles, e eu tô repassando porque achei honesto.</p><p>Daí caímos em<strong> Lei Rouanet,</strong> e eu vou te falar como eu penso. O mecanismo em si não é o problema. Renúncia fiscal existe no mundo inteiro. O problema é acesso. É o velho QI, quem indica. Se o <strong>Skipinho</strong> quiser fazer o filme dele, ele consegue aprovar e captar? Na teoria sim. Na prática tu sabe que não é bem assim. É mais uma parada boa que a gente usa de um jeito merda porque tem muita gente com a mão no pote.</p><p>E isso me irrita porque o <strong>Brasil</strong> já é uma potência cultural sem nem tentar. Criança na China cantando funk. Gringo se sentindo especial por vestir camisa da seleção. Brasil core virando estética. Isso é soft power, mano, é influência sem tanque de guerra. A Coreia entendeu isso e montou uma indústria. A gente entendeu e botou pra escanteio.</p><p>Ah, e teve a teoria conspiratória da noite: o Dilera jura que depois que ele foi falar num evento, uma semana depois começou a rolar aquele papo de taxar negociação de skin e proibir abrir caixa. Cara, na moral: eu quero muito acreditar que não tem ligação nenhuma. Imaginar que gente daquele nível tá preocupada com o que o Dilera fala me parece um apequenamento absurdo. Mas o timing é engraçado. Isso é.</p><h2>Temporada dos PCDs</h2><p>Fechando: o Dilera tá irreconhecível.</p><p>Botou dente, arrumou a pele, tá com aquela cara de gente que dorme bem. Eu peguei foto antiga dele ali na hora e não é o mesmo ser humano. Ele tá gravando todo dia, tá na novelinha do<strong> Cariani</strong> com a doutora Dani, todo mundo quer ele no canal, e ele mesmo chama esse momento de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZyBECwB-a2U">"temporada dos PCD"</a>.</p><p>Mas presta atenção na parte que importa.</p><p>O Skipinho foi o cara que ficou. Numa época em que a palavra errada derrubava teu canal e o teu sustento, andar com o Dilera era risco real. A galera tinha medo. Tinha medo de tomar ban de revés, de perder patrocínio, de dar merda. O Skipinho pagou pra ver. Fez live, narrou campeonato junto, defendeu, botou o nome dele na reta.</p><p>E hoje o outro tá lá em cima.</p><h2>Anotei o ouro</h2><p>Cara, eu sentei nesse <strong>Extra Flow</strong> achando que ia ser três horas de zoeira e saí com uma frase martelando na cabeça: o hype chega pra quem tem alguém que ficou antes do hype.</p><p class="    ">Todo mundo quer estar junto agora. Todo mundo quer o Dilera na thumb agora. Mas em 2018 tinha um cara só chamando ele pra live sabendo que podia se foder junto. Isso não tem métrica. Isso não aparece em dashboard nenhum.</p><p>E se serve pra mim aqui no <strong>Flow,</strong> serve pra tu também. Olha em volta e vê quem tava do teu lado quando tu não era ninguém. Provavelmente é a pessoa que tu menos agradece.</p><p>O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZyBECwB-a2U">papo completo tá lá no YouTube</a>, e tem umas partes que eu não consigo nem descrever aqui.</p><p>Dá o like, comenta aí qual foi o teu golpe favorito dessa lista, compartilha, manda no grupo da família, manda no grupo da igreja. E se tu conhece alguém com Tourette, manda esse vídeo pra ela. Sério.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-08-31/o-cara-que-acreditou-no-dilera-quando-ninguem-queria-chegar-perto--o-papo-com-skipinho-foi-sinistro.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Extra Flow, Síndrome de Tourette, Dilera, Skipinho, Twitch, PUBG, streamers brasileiros</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a9574671a2f1da8381ffddb</guid><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 12:32:40 +0000</pubDate><title>Marçal no Flow News: por que a candidatura relâmpago não vale</title><description>Chamei o advogado Alberto Rolo no Flow News pra explicar a candidatura relâmpago do Marçal. Spoiler: a chance é 0. Então por que ele fez isso, cara?</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/en/hv/1b/enhv1b176hpfmb4fj0g2tiphy.jpg"><figcaption>Felipe Moura Brasil e Igor 3K receberam o advogado Alberto Rolo no Flow News para explicar a candidatura relâmpago de Pablo Marçal<span class="copyright">Foto: Divulgacao </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Tu acordou essa semana, abriu o celular e leu <strong>"Pablo Marçal é candidato à Presidência da República",</strong> né? Pois é. Eu também. E a minha primeira reação foi tipo... peraí, como assim? O cara não tá inelegível? Tem três processos nas costas, todo mundo sabe disso, e mesmo assim o nome dele aparece na disputa presidencial de um jeito que parece que tá tudo certo?</p><p>Então eu fiz o que eu sempre faço quando eu não manjo do assunto: chamei quem manja.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/dsXFP874ehY" frameborder="0"></iframe><p>Sentou aqui comigo no<strong> Flow News o Felipe Moura Brasil</strong>, que tu já conhece, e a gente puxou o <strong>Dr. Alberto Rolo</strong>, advogado que vive disso, pra explicar o que tava acontecendo. E cara, o papo rendeu muito mais do que eu esperava. Começou em direito eleitoral e terminou em <strong>Discord,</strong> diploma de jornalismo e um contrato de quase 4 milhões por mês. Vou te contar tudo.</p><h2>Calma que o bagulho é mais simples do que parece</h2><p>O Rolo abriu o jogo assim: começou com uma liminar.</p><p>O <strong>Marçal</strong> conseguiu, na primeira instância da <strong>Justiça Eleitoral</strong>, o direito de se <strong>filiar ao PRTB</strong> com data retroativa a 4 de abril. O argumento dele, segundo o <strong>Rolo</strong>, foi que ele queria estar filiado lá atrás, mas houve demora na liberação da senha do partido, e por isso ele só conseguiu concluir a filiação na semana passada, fora do prazo. O juiz entendeu que a demora não tinha sido culpa dele nem do partido, e deferiu.</p><p>E isso importa por quê? Porque filiação partidária dentro do prazo é uma das condições de elegibilidade. Com a liminar, ele cumpriu essa. Uma. Faltam as outras.</p><p>Aí tem uma confusão que muita gente fez e o Rolo cortou na hora: o <strong>Marçal</strong> não registrou a candidatura. Ele pediu o registro. É diferente. Ele protocolou o pedido, e agora a <strong>Justiça Eleitoral</strong> vai analisar as outras condições e a <strong>Lei da Ficha Limpa</strong>. Quem julga não é a primeira instância, não é o <strong>TRE de São Paulo</strong>. É o <strong>TSE,</strong> porque é candidatura a presidente.</p><p>E aí vem a parte que resolve tudo.</p><h2>"Zero." Foi essa a resposta</h2><p>Eu perguntei direto pro<strong> Rolo</strong> quais eram as possibilidades de o <strong>Marçal ser candidato</strong>. Ele respondeu: zero. Nenhuma.</p><p>O motivo, na explicação dele: são três condenações do <strong>TRE de São Paulo</strong>, que é órgão colegiado. E a <strong>Lei da Ficha Limpa</strong> diz que a inelegibilidade vale ou quando a condenação transitou em julgado ou quando ela veio de um órgão colegiado. É o caso. Oito anos contados a partir da eleição de 2024. Ou seja, 2032.</p><p>Eu perguntei uma coisa que eu achei que ia pegar: e os três processos, empilham? Vira 8 + 8 + 8?</p><p>Não. O Rolo explicou que os prazos correm juntos, não somam. São 8 anos no total, ainda que sejam três condenações diferentes.</p><p>E teve mais. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dsXFP874ehY">O Rolo disse que ouviu de uma fonte dele (que ele não revelou, e eu não vou ficar cutucando) que o pedido teria sido protocolado às 19h41 de sábado</a>, sendo que o prazo terminava às 19h. Isso ainda vai ser verificado, mas se for, complica ainda mais o lado dele.</p><p>O Felipe leu ali no ar uma matéria da<strong> Folha</strong> dizendo que ministros do<strong> TSE</strong> devem rejeitar a candidatura e enxergam nela uma tentativa de tumultuar a eleição. A reportagem citava a avaliação de que ele saberia estar inelegível e quereria usar a janela entre o pedido e a negativa pra fazer atos de campanha. A relatora do caso é a ministra Estela Aranha.</p><p>Tá. Então se é zero, por que fazer?</p><h2>O aluno malandrinho da sala</h2><p>Vou te falar uma coisa. Eu fui professor de inglês. E tem um tipo de aluno que qualquer professor reconhece na hora: o malandrinho.</p><p>Ele não fez o dever de casa. Tu sabe que ele não fez. Ele sabe que tu sabe. Só que ele nunca te dá uma resposta que te obrigue a ligar pra mãe dele. Ele é liso. Escorregadio. Ele te fala uma coisa que parece outra, tu fica ali processando, quando tu percebe a aula acabou e ele continua sem ter feito o que devia.</p><p>Eu sabatinei o <strong>Marçal</strong> em 2024, quando ele tinha quase um terço das intenções de voto em São Paulo. E teve um momento que ficou marcado pra mim. Ele vinha contando de lançamento, tantos milhões, depois mais tantos, depois mais e chega num número absurdo. Eu cutuquei. Aí veio o "não, calma, isso aqui foi um empreendimento imobiliário".</p><p>Então não era lançamento. Era outra coisa.</p><p>Pois é. É isso que eu quero dizer com liso.</p><p>Agora, uma coisa é o cara ser bom nisso. Outra coisa é usar a regra do jogo só pra tumultuar o jogo. Porque a <strong>presidência da República</strong> é sério. Ou pelo menos deveria ser, né?</p><p>E aqui eu preciso registrar o meu incômodo com o outro lado dessa história, que é o partido. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dsXFP874ehY">Na minha opinião, o <strong>PRTB</strong> fez um papelão</a>. Ceder espaço numa corrida presidencial pra quem, segundo o próprio advogado que a gente entrevistou, tem chance zero... cara. Vale tudo por número?</p><h2>O Felipe discordou de mim. E ele tem um ponto</h2><p>Aí aconteceu uma coisa boa no programa: o <strong>Felipe</strong> me contestou.</p><p>Eu falei que o <strong>Marça</strong>l é um bom vendedor. Que nisso ninguém consegue dizer que ele é ruim, que o produto dele é ele mesmo, que tudo comunica alguma coisa: o azul, o palco, o discurso depois da corrida. E o Felipe travou ali.</p><p>Pra ele, chamar de "bom vendedor" já é conceder demais. Ele argumentou que a eficácia existe, mas funciona sobre um público específico, gente que ainda não desenvolveu ferramenta pra checar o que tá ouvindo. E que quando a pessoa desenvolve, a lábia para de funcionar. A palavra que ele preferiu foi outra: marqueteiro.</p><p>Eu escutei. Não sei se eu concordo 100%, mas entendi o ponto dele e acho que a diferença entre as duas leituras diz muita coisa.</p><p>O <strong>Felipe</strong> listou o que embasa a posição dele e aqui é análise dele, deixando claro: as acusações que o Marçal fez ao Boulos em 2024, com um documento sobre uso de cocaína cuja assinatura seria de um médico já falecido, a ponto de a filha do médico precisar vir a público explicar que aquilo não era a assinatura do pai (ela tinha a assinatura tatuada). O Felipe também lembrou que o <strong>Marçal</strong> foi condenado por estelionato antes de tudo isso, num caso de fraude bancária em que a defesa dele alegou que ele só fornecia lista de e-mails e teria sido enganado. E citou ataques recentes de cunho pessoal, mexendo com sexualidade de adversário, coisa que os dois ali na mesa acharam baixo.</p><p>E eu entro nessa lista também, na condição de quem levou. Ele disse na TV aberta que eu teria recebido quase R$ 500 mil da prefeitura pra fazer um debate que o atrapalharia. Não recebi. Ponto.</p><h2>A parte que ninguém quer ouvir: o problema não é só o Marçal</h2><p>Aqui o papo subiu de nível e eu anotei.</p><p>O Felipe fez uma leitura sobre polarização que me pegou. A ideia é a seguinte: hoje as pessoas desenvolveram um ódio tão grande a um lado que passaram a relativizar toda a sujeira do outro. Aí qualquer figura, com qualquer histórico, se chegar apontando o dedo só pra um dos grupos, ganha curtida, ganha compartilhamento, ganha tribo.</p><p>E ele soltou uma inversão que eu achei sinistra de boa: chamam de "em cima do muro" quem aponta a sujeira de todos os lados. Só que quem tá em cima do muro é quem não aponta a sujeira de ninguém, quem coloca pano quente e fica protegido. Quem aponta pra todos os lados tá é embaixo do muro, tomando porrada dos dois.</p><p>Faz sentido, saca?</p><p>A conclusão dele foi essa: não adianta olhar só pro discurso. Tem que olhar pro histórico e ver se, em momentos de tensão, quando dava pra ganhar mais dinheiro ou mais visibilidade mudando de lado, a pessoa manteve o princípio. Se tu não faz essa análise, tu vai ser manipulado.</p><h2>Do Discord ao diploma: quando o remédio é pior que a doença</h2><p>Depois a gente virou a chave pra tecnologia e aí eu tive que me posicionar.</p><p><strong>Rolou</strong> um caso gravíssimo envolvendo uma menina de 13 anos e a partir disso veio a discussão de tirar o <strong>Discord</strong> do ar. A <strong>ANPD</strong> acabou determinando a suspensão das transmissões ao vivo na plataforma enquanto ela não demonstrar uma série de medidas de mitigação de risco.</p><p>E cara, eu jogo. Eu conheci o <strong>Discord</strong> porque ele substituiu o TeamSpeak, onde a galera entrava pra se falar durante o jogo. E o meu ponto é: ninguém cai por acaso num servidor onde acontece atrocidade. Não acontece sem querer. Tem que procurar.</p><p>Isso não diminui em nada a gravidade do que aconteceu. Diminui a eficácia da canetada. Porque proibir live no Discord não faz a live sumir do Instagram, do YouTube, de qualquer outro lugar. É bandeide. E o Felipe puxou pro lado que eu acho certo: tem toda uma camada anterior ali, de família, de acompanhamento, de contexto, que não se resolve desligando um botão.</p><p>Ele usou uma comparação boa: tu não proíbe piscina porque existe afogamento. Tu não proíbe carro porque existe acidente.</p><p>E aí ele conectou com uma preocupação maior. A de que casos com forte apelo emocional venham a ser usados como porta de entrada pra medidas de controle que depois se ampliam pra outras finalidades. Como exemplo, ele citou a discussão sobre voltar a exigir diploma pra exercer jornalismo, num momento de atrito com a imprensa.</p><p>E eu, que sou formado em jornalismo, falo o seguinte: não foi a faculdade que me ensinou a escrever. Foi meter a cara em livro e praticar. Conheço gente diplomada que não sabe nada e gente sem diploma que é muito melhor jornalista.</p><h2>Ah, e o manual de ética de quase 4 milhões</h2><p>Antes de fechar, uma última que eu preciso comentar, com toda a data máxima vênia.</p><p>Saiu no noticiário um contrato milionário, na casa dos R$ 3,6 milhões por mês, que envolveria a revisão de um manual de ética pra um banco que tá no meio de um esquema de fraude financeira. Manual de ética. Pra um banco naquela situação. Já é cômico. Só que, segundo o que saiu, o tal manual ainda tinha erro de revisão.</p><p>Mano.</p><p>Eu falei ali na hora, meio de brincadeira e meio a sério: eu tenho filhas, elas tão crescendo, e eu preciso saber quais carreiras sugerir. Advocacia tá parecendo excelente. Aí o Felipe corrigiu: talvez não seja exatamente a carreira de advogado. Talvez seja outra especialidade.</p><p>Tá bom. Entendi.</p><h2>Fechando</h2><p>Cara, eu saí desse programa com um monte de coisa anotada, e a que mais ficou não foi nem jurídica.</p><p>Foi o negócio de olhar o histórico antes de se emocionar com o discurso. Isso serve pra política, mas serve pra tudo, tá ligado? Serve pra quem tu contrata, pra com quem tu faz sociedade, pra quem tu escuta na internet. Discurso é barato. Histórico é caro.</p><p class="    ">E teve o <strong>Rômulo</strong> perguntando se a gente vai declarar voto em alguém. Não vamos. O <strong>Flow</strong> é neutro, a gente tá aqui pra expor todos os lados de todo mundo e deixar cada um formar o próprio juízo. Perguntaram também se eu convidaria o <strong>Marçal</strong> pra debate. Meu critério é relevância e é legítimo qualquer veículo somar a isso a exigência de estar elegível. Todo mundo que vier pra debate aqui vai ser tratado igual, sem arapuca e sem privilégio.</p><p>Se tu quer ouvir o papo inteiro, com o <strong>Dr. Alberto Rolo</strong> explicando cada prazo com calma, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dsXFP874ehY">corre lá no YouTube.</a></p><p>Dá o like, comenta aí o que tu achou, compartilha, manda no grupo da família que sempre discute política no almoço de domingo. E segue o <strong>Felipe Moura Brasil</strong> no <strong>Instagram</strong> e no canal dele, o cara publica análise dos fatos de segunda a sexta.</p><p>A gente se vê depois. Beijo.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-08-31/-marcal-candidato-a-presidente--chamei-um-advogado-eleitoral-no-flow-news-que-disse-que-ha-0-chance.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgacao </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Felipe Moura Brasil, Pablo Marçal, Eleições 2026, TSE, Lei da Ficha Limpa, PRTB, Política Brasileira</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a9570291a2f1da8381ffdd5</guid><pubDate>Mon, 31 Aug 2026 12:14:34 +0000</pubDate><title>Dileira e Dra. Dani no Flow: a novela que parou a mesa ao vivo</title><description>A Dra. Dani sentou na mesa do Flow com o Dileira e a novela virou outra coisa. Tourette, carro de som e uma tatuagem de 2020 que tu precisa ver</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/4k/yj/2v/4kyj2veivvev4jzy4qplwap80.jpg"><figcaption>Dra. Dani e Dileira protagonizaram um papo no Flow que teve tatuagem, carro de som, pétalas, Red Velvet e revelações sobre a relação<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Se tu passou os últimos meses na internet, tu viu. Um cara com <strong>Tourette</strong> soltando foguete de verdade na frente de um prédio, com carro de som, balãozinho e pétala de rosa voando pro lado errado por causa do vento. E a timeline inteira rachada no meio: metade jurando que é armação pra engajamento, metade torcendo igual torce pra novela das nove.</p><p>Pois é. A <strong>Dra. Dani</strong> sentou aqui na mesa do <strong>Flow</strong>. Com o <strong>Dileira</strong> do lado, o <strong>Samuel</strong> jogando gasolina em tudo e eu no meio tentando entender que porra tá acontecendo.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/44227QEhHik" frameborder="0"></iframe><p>E vou te falar: eu era o mais desconfiado da sala. Sério. Eu sou aquele cara chato que acha que tudo hoje em dia é rage bait, que tudo é roteiro. Aí o papo foi pra um lugar que eu não tava esperando. Foguete, tá. Mas também parada de fumar, irmão mais velho cobrando intenção, sete anos trancado dentro de casa e uma mensagem que um pai mandou pro Flow que me deixou bobo aqui.</p><p>Bora?</p><h2>Começou com um foguetinho na academia</h2><p>O bagulho é o seguinte: nada disso foi combinado. A origem da história é dia de perna.</p><p>O <strong>Dileira</strong> tava treinando com o<strong> Julião,</strong> sem nenhuma intenção, e a<strong> Dani</strong> entrou na academia. Ele olhou e falou pro amigo que aquela ali era bonita pra caralho. Só isso. Comentário de vestiário, aquela coisa que morre em cinco segundos.</p><p>Só que o Julião é wingman de verdade. Foi lá e chamou a mulher.</p><p>E qual foi o primeiro xaveco do cara? Um foguetinho. Literalmente. Ele soltou um rojão pra ela na frente de todo mundo e emendou dizendo que ela não tinha defeito, que não parecia a idade que tinha, que a pele era hidratada, viçosa.</p><p>Ela achou lindo.</p><p>Cara, eu preciso aprender. Na moral. Eu fico impressionado com a capacidade de xaveco do<strong> PCD,</strong> porque eu no lugar dele ia chegar gritando qualquer merda e sair correndo.</p><p>O carro de som que ninguém avisou pra ela</p><p>Aí veio a parte que virou o meme.</p><p>A <strong>Dani</strong> tinha avisado o condomínio dela. Falou "ó pessoal, vai ter uma gravação rapidinha aqui na frente, nada demais, não estranha". Na cabeça dela ia chegar um cinegrafista, gravar dois minutos e ir embora.</p><p>Aí ela ouviu o nome dela ecoando na garagem. No microfone.</p><p>Ela desceu já pensando "meu Deus, a hora que eu abrir esse portão, já era". E era mesmo. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=44227QEhHik">Tinha carro de som, tinha um Uno, tinha um velhinho torto, tinha dona Florinda, tinha até criança no colo</a>. O Julião estourando rojão do lado da criança. E os caras jogando pétala de rosa contra o vento, então a pétala nem chegava perto dela.</p><p>Ela olhou aquilo e ficou com vergonha. Só que ela ficou.</p><p>Ela podia ter voltado pro prédio, tá ligado? Podia ter mandado todo mundo tomar no cu, e ninguém ia culpar ela. Ela atravessou a rua e foi ouvir o cara.</p><p>Antes disso teve o boteco, que foi o primeiro date. Ele levou ela num boteco de espeto, sem cardápio, e ela sacou na hora que aquilo era teste. Teste de humildade, pra ver se ela ia torcer o nariz. Sabe o que ela respondeu quando perguntaram o que ela achou do lugar? Que o que importa é a companhia.</p><p>Massa. Passou.</p><h2>"Parei de fumar por dois motivos"</h2><p>Agora vem a parte que eu não esperava.</p><p>O chat do <strong>Flow</strong> encheu o saco do <strong>Dileira</strong> durante meses por causa do cigarro. Todo programa era a mesma coisa, todo mundo cobrando. E aí, quando o cara faz quatro dias sem fumar, ninguém fala nada. É sempre assim, né? A gente crucifica rápido e elogia devagar.</p><p>Aí eu perguntei por que ele parou.</p><p>Primeiro motivo: pra beijar ela. Segundo motivo: pra namorar ela.</p><p>Foi isso. Sem rodeio, sem discurso de coach.</p><p>E tem um detalhe aí que muita gente perdeu no meio da zoeira: o cara tem <strong>TDAH</strong> e ele mesmo falou abertamente que tem uma facilidade absurda pro vício. Já passou por coisa pesada, já trocou um vício por outro, já foi parar em hospital. Então quando ele fala "parei de fumar", não é um adesivo de nicotina. É uma parada de guerra.</p><p>E o ritmo dele nisso tudo é o que eu chamaria de conto da igreja: conversa, dá a mãozinha, beijinho, calma. Ele escolheu esperar. Falou uma frase que eu anotei: ninguém ganha do homem impaciente.</p><p>Ah, e teve o irmão dela. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=44227QEhHik">O cara chamou o<strong> Dileira</strong> pra conversa, daquele jeito irmão mais velho mesmo, "que que tu quer com a minha irmã"</a>. Resposta do <strong>Dileira</strong>: 39 anos, quer casar e quer ter filho, não tá pra brincadeira.</p><p>Tu imagina responder isso na cara do cunhado, ao vivo, sem gaguejar? Pois é.</p><h2>A parte que ninguém clipa</h2><p>Aí o papo virou pra <strong>Tourette</strong> e essa parte foi a que mais me pegou.</p><p>Tem uma galera na internet que jura que é tudo encenação, porque assiste corte de dois minutos que é só tique. Aí a pessoa vê ele conversando normal por quarenta minutos e grita "tá vendo, é mentira".</p><p>Não dá pra dar tique o tempo inteiro, mano. Não é assim que funciona.</p><p>O<strong> Dileira</strong> explicou que quando ele tá num ambiente confortável, ele solta. Quando o clima tá pesado, ele segura, se morde, transfere pra outro lugar do corpo. E perto da <strong>Dani</strong> os tiques diminuem, porque o corpo relaxa. O Samuel confirmou a mesma coisa por conta própria.</p><p>E eu fiquei tentando achar uma tradução pra isso, porque eu não manjo porra nenhuma de neurologia. Aí me veio uma bobagem minha: eu não consigo deixar o volume do carro num número ímpar. Tem que ser par ou múltiplo de cinco. Parou no 13, me incomoda, eu tenho que mexer.</p><p>Eles falaram que é mais ou menos isso, só que um conjunto de mil dessas ao mesmo tempo. Ou, como o Samuel resumiu melhor: é tipo potencializar o soluço.</p><p>Faz sentido, saca? Tu não escolhe o soluço. Ele vem.</p><p>Agora o número que me derrubou: <strong>foram sete anos trancado dentro de casa</strong> até ele se aceitar. Sete. E ele fez questão de deixar claro que aceitação é processo, não é chave que tu vira.</p><h2>O pai que mandou mensagem pro Flow</h2><p>E aí teve uma hora que eu contei uma parada que aconteceu comigo.</p><p>Um pai mandou mensagem pro <strong>Flow</strong> agradecendo por a gente ter contratado o<strong> Dileira.</strong> Porque a filha dele tem <strong>Tourette</strong>, e na escola ela era "a esquisita". Hoje ela é "tipo o Dileira". E aí ela tem a turma dela.</p><p>Porra.</p><p>Eu tenho filha. Eu não vou nem fingir que eu recebi isso como profissional de mídia, porque eu não recebi. Eu li aquilo pensando na minha casa, num pátio de escola, numa criança que fica sozinha no recreio porque ninguém sabe o nome do que ela tem.</p><p>E o <strong>Samuel,</strong> que tá ali do lado, falou que ele mesmo nem sabia o que era Tourette. Descobriu vendo vídeo do Dileira.</p><p>É por isso que eu não consigo mais tratar esse quadro como só zoeira. É zoeira, é. Mas por baixo tem um cara virando referência pra um monte de gente que tava se escondendo. Isso não é pouca coisa não.</p><p>E a <strong>Dani</strong>, o que ela ganha com isso?</p><p>Essa é a pergunta que a internet faz de forma torta: "ela só quer hype".</p><p>Deixa eu te perguntar uma coisa: quem é a <strong>Dani</strong> fora da novela?</p><p><strong>Biomédica, citopatologista, esteta</strong>. Passou anos estudando antes de pensar em qualquer outra coisa. Treina sério, tá num projeto no CT, anda com marmita na bolsa, tá com o percentual de gordura na faixa de atleta amadora e cogita competir, mas sem entrar no extremo que ela não quer entrar.</p><p>Ela não precisa de views do Flow. É isso.</p><p>E a resposta dela pros comentários foi de uma calma que me irritou de tão boa: o tempo é a melhor resposta pra tudo e o silêncio dela também é resposta, porque ela não precisa ficar se justificando.</p><p>Cara, teve um momento ali que era todo mundo gritando, foguete, tique, palavrão, eu berrando, o Samuel jogando bomba. E ela falando baixinho, no mesmo tom. E todo mundo abaixando o volume pra ouvir.</p><p>Mulher é foda, viu.</p><h2>A tatuagem de 2020</h2><p>Agora o soco.</p><p>A Dani tem uma tatuagem escrita assim: são seus defeitos que fazem de você uma pessoa única.</p><p>Frase de <strong>A Bela e a Fera,</strong> filme que ela ama. Ela fez em 2020. Seis anos antes de conhecer o cara.</p><p>Eu não sou o cara mais crente da mesa, ou não era, sei lá. Mas eu tô cada vez mais convencido de que tem coisa que não é coincidência. Tu não escreve isso na própria pele e seis anos depois esbarra num cara que passou sete anos escondido justamente por causa dos defeitos dele. Não fecha por acaso.</p><p>Tem um destino que <strong>Deus</strong> aproxima, tem um que a galera copia. Esse aí não copiaram, não.</p><h2>E o beijo?</h2><p>Não rolou. Duas vezes o cara perdeu o timing.</p><p>Ela chegou perto, ele congelou. Ela chegou de novo, ele achou que ela ia falar alguma coisa, travou, ela recuou. O chat inteiro gritando. Eu gritando. O Samuel gritando.</p><p>E sabe o que eu achei mais bonito nisso? O nervosismo é a prova. Cara que tá atuando não fica com a mão gelada e o coração a mil.</p><p>Aí ainda teve a parte em que ele calçou a luva do <strong>Popó</strong> e a gente ficou trocando murro no braço um do outro, o que definitivamente não foi minha ideia mais inteligente do ano. Meu braço ficou Red Velvet também.</p><p>E o beijo tem endereço marcado: a novela começou lá no canal do <strong>Cariane</strong>, então é lá que tem que acontecer. Não vai ter spoiler aqui, tá bom? Promessa é promessa.</p><h2>No fim das contas</h2><p>Eu entrei nesse papo achando que ia rir duas horas e sair igual entrei.</p><p>Saí anotando umas coisinhas. Que <strong>aceitação leva o tempo que leva</strong>, e o do cara levou sete anos. Que quando uma pessoa importa de verdade, tu para de fumar sem precisar de discurso. Que elogiar quem acertou custa nada e a gente não faz. E que às vezes o que tu acha que é teu defeito é exatamente a parada que faz alguém te enxergar no meio da academia.</p><p class="     ">Se não servir pra tu no amor, serve pro teu trabalho. Serve pro teu filho que tá se achando esquisito na escola.</p><p class="    ">O papo completo tá lá no canal do<a href="https://www.youtube.com/watch?v=44227QEhHik"> Flow no YouTube</a>. Dá o like, comenta aí se tu acha que vai rolar o beijo, compartilha com aquele teu amigo que perde o timing igual o Dileira.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-08-31/-parei-de-fumar-por-dois-motivos---o-dileira-abriu-o-jogo-sobre-a-dra-dani-e-a-mesa-do-flow-parou.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Dra Dani, Dileira, Síndrome de Tourette, Igor 3k, relacionamento, representatividade PCD, criadores de conteúdo</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a91f060f9fa29974b6bb340</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 20:32:33 +0000</pubDate><title>Monja Coen e Pondé no Flow: mentira, morte e um urso de 700 kg</title><description>A Monja Coen e o Pondé sentaram no podcast pra falar de mentira, verdade e morte. E a luz caiu na hora exata que ele falou &quot;cemitério&quot;</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/ac/sc/63/acsc63yb347gt5noykhnxw87u.jpg"><figcaption>Monja Coen e Pondé se encontram no Flow para uma conversa que foi da filosofia à vida real — e passou até por um urso de 700 quilos<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Fala, galera.</p><p>Deixa eu te perguntar uma coisa antes de tudo: tu já entrou num <strong>Uber</strong>, o motorista puxou papo e tu ficou só concordando com tudo pra ver se o assunto morria? Concordando com coisa que tu nem acha? Pois é. Eu também.</p><p>E olha que eu ganho a vida conversando.</p><p>Esse foi o pontapé do papo que eu tive com a <strong>Monja Coen</strong> e com o<strong> Luiz Felipe Pondé</strong> aqui na mesa do <strong>Flow</strong>. Os dois voltaram. E eu confesso uma parada: quando começa o programa com esses dois, eu me sinto meio intimidado. </p><p>As carecas brilhantes, mano. Falei isso na cara deles logo de cara, porque é verdade.</p><p>O papo foi pra mentira, pra verdade, pra política, pra túmulo privatizado (sim, isso existe), pra cremação e pra urso polar de 700 quilos. E teve uma hora que a luz do estúdio caiu. Na palavra exata. Já chego lá.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/_Pb3cc1c5tQ" frameborder="0"></iframe><p>Como eu sou um cara que não manja porra nenhuma de filosofia, meu papel ali é puxar o fio e traduzir. Bora?</p><h2>A mentirinha do bem existe? A Monja tem uma história sobre isso que me deixou sem chão</h2><p>O <strong>Pondé</strong> abriu contando que odeia quando alguém solta uma pergunta cabeça nele num jantar. Chega o cara com "professor, me fala do zen budismo" e ele quer só comprar o pão dele em paz. Aí ele disse que tem uma vantagem na vida: as pessoas já esperam dele apenas ignorância.</p><p>Mentira dele, mas beleza.</p><p>Aí eu perguntei se ele mente no <strong>Uber</strong>. Ele: dá uma enrolada, concorda com tudo que der pra concordar, pra ver se o assunto acaba. Eu faço igual. Tu faz igual. Todo mundo faz.</p><p>E aí a <strong>Monja</strong> contou uma que me pegou.</p><p>Ela tava num laboratório acompanhando a filha. Uma mulher olhou pra ela, careca, e falou: "eu também já tive câncer como você". Emendou que já fazia 11 anos, que tava ótima, que ela ia ficar bem também. Depois entrou no elevador com a unha vermelha bonita, comendo um pão de queijo.</p><p>A Monja é monja. É careca porque é monja. Não tinha câncer nenhum.</p><p>E sabe o que ela fez? Ficou quieta. Deixou a mulher ir embora achando que tinha consolado alguém.</p><p>"O que que eu ia falar?", ela disse.</p><p>Teve um taxista também que parou o carro um pouco antes de chegar e falou que ia rezar pra ela sarar. Ela agradeceu a prece e não corrigiu nada. O Pondé lembrou do <strong>Nelson Rodrigues</strong>: mintam, mintam por misericórdia.</p><p>Só que aí a Monja virou a chave e falou que mentir nunca é bom. Nem quando te dá vantagem. Principalmente quando te dá vantagem. Porque a real é que não é mentindo que tu progride na vida e falar a verdade é mais simples, dá menos trabalho.</p><p>Duas coisas que parecem se contradizer e não se contradizem. É por isso que eu chamo esses dois aqui.</p><p>Tá, mas o que que é verdade?</p><p>Aí eu joguei a bomba na mesa.</p><p>Eu tenho a minha teoria de ogro e falei ali mesmo: pra mim existem umas regras no universo que se repetem. Gravidade. Velocidade da luz. Isso aqui é uma mesa de madeira e veio de uma árvore, não interessa muito o que tu acha disso. </p><p>A verdade não liga pro que a gente acha dela. E pra mim verdade, Deus e "tudo" são a mesma coisa: a origem da regra que torna tudo possível.</p><p>A Monja topou a parte de que a verdade não liga pra nossa opinião.</p><p>O Pondé veio com a versão de quem dá aula disso há décadas: desde a <strong>Grécia</strong>, verdade é uma das coisas mais difíceis de estabelecer. E aí ele deu o exemplo que usa com aluno de jornalismo. Fulano caiu do sétimo andar: isso é fato. Se pulou, se empurraram, se tava deprimido: já é interpretação. E se a vida de<strong> jornalista</strong> fosse fácil desse jeito, tava boa.</p><p>Ou seja, é tipo lance de <strong>VAR</strong>. O pênalti aconteceu, isso é fato. Se foi mão proposital ou se a bola bateu, aí o <strong>Brasil</strong> inteiro briga no grupo do <strong>WhatsApp</strong> até domingo que vem.</p><p>Aí eu puxei pro tema mais espinhoso: matar. A Monja falou que matar é sempre errado, e que até quem mata sabe que é errado. Lembrou daquela policial aqui em <strong>São Paulo</strong> que atirou na perna do bandido e levou tiro no peito. Morreu.</p><p>E ela fez uma separação que eu anotei: poder fazer e achar certo são duas coisas diferentes. Às vezes tu tem que fazer um troço contra o que tu acha certo. Não vira certo por isso.</p><p>Faz sentido, saca?</p><h2>"Não espero nada da política" não é frase de louco. É frase de antigo</h2><p>Já que a gente tava falando de certo e errado, o papo escorregou pra política. E o Pondé soltou uma que virou minha cabeça do avesso.</p><p><strong>Grego e romano antigo</strong> não achava que regime político existia pra melhorar o mundo. Existia pra segurar o mundo e não deixar ficar pior do que já é. Só isso. A ideia de que política melhora a humanidade é do século XVI pra cá. É novidade.</p><p>Então quando o cara fala "eu não espero nada da política", ele não tá sendo cínico nem burro. Ele tá sendo antigo.</p><p>E o Pondé emendou: se não piorar, já é uma grande coisa.</p><p>A Monja puxou o contraponto, porque ela sempre puxa. Citou o livro do <strong>Cortella</strong>, Política para não ser idiota, e disse que quem fala "não tenho nada a ver com isso" tá se enganando, porque a vida inteira é relação política. Com vizinho, com família, com sócio. Tu cede aqui pra ter harmonia ali.</p><p>Eu falei que pra ter harmonia de verdade no mundo a gente ia precisar de uma evolução espiritual global. Tipo, se existisse uma escala de benevolência de 0 a 10, a média da espécie precisava ser 7.</p><p>O Pondé, sem piedade: "nota sete pra aluno vagabundo é muito alta".</p><p>Pois é. A espécie é vagabunda.</p><h2>Eu não sabia que tinha burocracia depois da morte</h2><p>E cara, aí veio uma história que me deixou de queixo caído.</p><p>A Monja herdou um túmulo da família do pai. Só que as funerárias foram terceirizadas e agora tem taxa, tem manutenção, tem uma espécie de condomínio. Condomínio de túmulo, mano.</p><p>A saída seria tirar os restos mortais e cremar. Só que tem três parentes enterrados ali desde 1974. E pra fazer isso ela precisa de ordem judicial. E pra ter ordem judicial ela precisa de atestado de óbito de gente que ela não sabe nem onde está, filho de uma tia que sumiu do mapa.</p><p>Ela precisa de advogado pra liberar um túmulo.</p><p>E antes disso ela já tinha soltado a frase que eu vou levar pra vida: enquanto a gente precisar de advogado, o mundo não andou. Porque advogado é a prova de que a gente ainda desconfia um do outro. (E olha que a gente usa advogado pra caramba aqui no<strong> Flow</strong>, então eu tô me incluindo na conta.)</p><p>Nem depois de morto tu tem sossego. É foda.</p><h2>Saco no rio, urna de cobre e os ossinhos que cortaram o dedo dela</h2><p>O papo foi pra cremação e cada um ali tinha a sua.</p><p>Eu contei a do meu pai. Ele falava, do jeito dele: "quando eu morrer, enrola num saco e joga no rio". E ele tava falando do rio Surui, mano. Eu não achei boa ideia na época e continuo não achando. Mas o ponto dele era esse: ele não tinha amarra nenhuma com a casca.</p><p>O Pondé contou da irmã, que morreu jovem e foi cremada. E ele foi honesto de um jeito que só ele: no dia, parecia que faltava alguma coisa. Ele mesmo acha que isso é costume cultural, não teologia. Hoje ele prefere que as pessoas próximas sejam enterradas, pra ele saber onde elas estão. E emendou, rindo, que não garante que ia visitar.</p><p>A Monja... essa parte é linda. O pai dela pediu cremação. A irmã mais nova queria jogar as cinzas num parque e ela falou que não, porque na tradição japonesa a gente guarda. Então ela arrumou uma urna de cobre verde em formato de livro, porque o pai amava livro.</p><p>E aí ela avisou uma parada que eu não sabia: aqui no Brasil não vira cinza fina. Vira pedacinho de osso. Ela abriu pra mexer e cortou o dedo.</p><p>Cortou o dedo no próprio pai. Tu imagina isso?</p><p>Ela contou ainda que no <strong>Japão</strong> é todo mundo cremado porque não tem mais espaço, as cinzas vão pra templo e as pessoas vão lá rezar como se fosse túmulo. E que no <strong>Tibete,</strong> onde é muito frio, o corpo é desmembrado e os pássaros levam. <strong>Brasileiro</strong> acha um absurdo. Lá é o normal.</p><p>E é isso que me pega até agora: quanta coisa que a gente jura que é opinião própria é só o lugar onde a gente nasceu?</p><h2>Pausa pro urso polar, porque eu precisava respirar</h2><p>Bom. Depois de três blocos falando de morte, deixa eu te contar do urso polar, que foi como eu respirei ali.</p><p>Os dois se conheceram... na real, se reencontraram no Ártico. Foram convidados pra falar sobre o tempo, andaram de barco, ficaram uns 10 dias.</p><p>E o <strong>urso polar</strong> é um bagulho insano. Não hiberna que nem o urso marrom. Vive sozinho, tipo eremita, tipo monge que sobe a montanha e não desce mais. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Pb3cc1c5tQ">Uns 3 metros quando estica. <strong>700 quilos</strong></a>. A pata dele são quatro palmas de mão humana.</p><p>E o detalhe que me arrepiou: ele não te vê como predador. Ele te vê como comida.</p><p>Lá tu não sai de casa sem arma, e nem é necessariamente pra matar, é pra fazer barulho e espantar o bicho. A Monja contou de um vídeo de um cara numa cidadezinha abandonada que viu um urso, jogou a arma longe e saiu correndo. Jogou a arma longe, mano.</p><p>Ah, e no verão é dia o tempo todo. Tu fecha uma cortina blackout e inventa a noite.</p><p>Teve também uma sacada da Monja que eu levei como recado pessoal: o urso come foca porque precisa de gordura e o cérebro se alimenta de gordura. Ela falou "cuidado com a magreza excessiva, que o cérebro começa a falhar". Eu, aqui com quase 40 e o corpo reclamando de tudo, anotei na hora.</p><h2>O cara que foi salvo pela mãe mandando ele à merda</h2><p>E aí o Pondé começou a falar do <strong>Cioran</strong>. <strong>Romeno</strong>, morou na<strong> França</strong>, morreu em 95. Antinatalista, achava que ter filho era imoral, escreveu um livro chamado Do inconveniente de ter nascido. O título já entrega tudo, né?</p><p>Ele tem uma frase mais ou menos assim: o que ele sabia aos 60 já sabia aos 20 e os 40 anos do meio foram trabalho inútil de verificação.</p><p>Eu discordo dele pra caralho. Mas segura, porque a história é boa.</p><p>O cara tinha uma insônia braba na juventude. Passava a noite andando no cemitério da cidade, pensando no sentido da vida, no mal, no pra onde tu vai quando morre. Um dia, com 17 anos, ele chega em casa de manhã, se joga no sofá e faz o drama: "não aguento mais".</p><p>A mãe dele, ocupada fazendo mil coisas, olha pra ele e solta: "se eu soubesse que você ia sair desse jeito, eu te abortava".</p><p>O Pondé falou que foi ali que a mãe libertou o cara.</p><p>Porque ele entendeu, naquele segundo, que ele só existia porque ela quis. Que tudo é contingência. Que bastava aquele dia ter sido outro dia, aquele encontro não ter rolado, o avô não ter cruzado com a avó... e nada disso existiria.</p><p>Ou tem uma divindade fazendo cálculo o tempo inteiro pra tu estar aí lendo isso agora ou é o acaso mais absurdo do universo.</p><p>Eu voto no primeiro. Mas as duas hipóteses me deixam de boca aberta igual.</p><p>E o cara não virou um deprimido de sofá, não. Virou escritor e os franceses chamavam ele de aristocrata da dúvida. Um dia ele recebeu uma carta de alguém dizendo, mais ou menos: eu ia desistir de tudo, li teu livro, mudei de ideia, obrigado.</p><p>Pensa que loucura. Um livro sobre o inconveniente de ter nascido segurando alguém aqui.</p><p>A Monja tem a versão dela dessa história. Um homem chegou nela numa loja em <strong>Poços de Caldas</strong>, ela comprando queijo, falou que ia matar uma pessoa e não matou por causa dela.</p><p>E aí a luz caiu. Na palavra exata.</p><p>Agora vem a parte que eu ainda não sei explicar.</p><p>O Pondé tava contando essa história do Cioran e, no exato momento em que ele falou "cemitério", a luz do estúdio apagou.</p><p>Não foi um piscar. Apagou.</p><p>Todo mundo riu e aí ele resolveu testar: repetiu "cemitério" de novo pra ver se acontecia. Nada. A luz continuou lá, de boa, se fazendo de desentendida.</p><p>Eu falei pro Pondé no fim do programa: da próxima vez, evita falar cemitério aqui. Ele, que se define como ateu não praticante, achou graça.</p><p>E é justamente isso que eu acho mais foda no cara e eu falei isso pra ele na cara. Ele é capaz de pôr a própria ideia à prova. Ele não tá ali defendendo bandeira, tá ali olhando. Se aparecer coisa melhor, ele olha.</p><p>Na moral, eu tenho até pena do cara que sente orgulho de ser o mesmo há 10 anos. Que desperdício, mano. Dez anos que dava pra ter experimentado alguma coisa.</p><h2>Ichigo ichie: esse encontro aqui não se repete</h2><p>Pra gente finalizar.</p><p>Teve um momento no meio do papo que eu não larguei mais. A Monja contou que tava dando uma palestra e viu um moleque bocejando na plateia. Ela parou e falou pro menino que queria que ele acordasse, que aumentasse a potência dele como ser humano, porque aquele encontro era único e talvez nunca mais se repetisse.</p><p>E ela deu o nome disso em japonês: <strong>ichigo ichie</strong>. Cada coisa acontece uma vez.</p><p>Cara. É isso.</p><p>Eu não sei quando eu sento de novo com esses dois. Ninguém sabe. Meu pai tem <strong>Alzheimer</strong> e eu vivo com essa pressa de ter conversa de verdade enquanto dá tempo, então esse negócio de "acontece uma vez" bate diferente aqui dentro.</p><p>Antes de ir embora, a Monja recitou de cabeça um poema do <strong>Machado de Assis</strong> que a mãe dela declamava quando ela era criança. Inteirinho, sem hesitar, sem engasgar. É sobre uma criatura que devora a si mesma e termina com a virada: tu vai jurar que aquilo é a morte, e ela responde que é a vida.</p><p>Eu falei que não consigo declamar nada. Aí eu lembrei que consigo, sim: a senha do acampamento do quartel, 2004. Fio amigo de madrugada, eu passando com fuzil na mão e no final tinha que dizer "a águia está pousada na torre e viu a terra sem força, urubu come carniça nas terras de Cruz Santa".</p><p>Não quer dizer porra nenhuma. Eu lembro até hoje.</p><p>A mãe da Monja deixou <strong>Machado de Assis</strong> de herança. Minha memória guardou urubu comendo carniça. Cada um com o seu acervo, né?</p><p>Anotei um monte nesse papo. Sério. Sobre mentira, sobre não esperar milagre da política, sobre o que eu quero que façam com a minha casca, sobre aproveitar o encontro que talvez não volte. E se serviu pra mim, tem uma baita chance de servir pra tu também.</p><p>O papo completo tá lá no canal do<a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Pb3cc1c5tQ"> Flow no YouTube</a>, e vale ver a cara de todo mundo na hora que a luz apagou. Dá o like, comenta aí que outro assunto tu queria ouvir com esses dois e manda no grupo da família (no da igreja também, que o Pondé vai adorar).</p><p>Muito obrigado pela moral, <strong>Monja</strong>. Muito obrigado pela moral, <strong>Pondé</strong>.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-08-28/mentira--morte-e-urso-polar-de-700-quilos--o-papo-com-a-monja-coen-e-o-ponde-no-flow.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Verdade e mentira, Monja Coen, Luiz Felipe Pondé, filosofia, budismo, morte e cremação, Igor 3k</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a91e602f9fa29974b6bb334</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 20:05:19 +0000</pubDate><title>Ingrid e Mônica: 30 anos de amizade, histórias e muita treta</title><description>Elas se conheceram em 96 num teste do Chico Anysio. Se tu acha que tua carreira tá travada, esse papo é pra tu. Corre pra ler</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/9w/t2/bd/9wt2bdjyb3duqnfr3oe193rpk.jpg"><figcaption>Ingrid Guimarães e Mônica Martelli relembram histórias de três décadas de amizade e protagonizam um papo cheio de humor, bastidores e revelações no Flow<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Se tu é <strong>brasileiro,</strong> tu já riu de uma dessas duas sem nem saber o nome delas. Talvez tenha sido numa sessão da tarde. Talvez tua mãe tenha arrastado a família inteira pro cinema num feriado. <strong>De Pernas pro Ar, Minha Vida em Marte, Fala Sério Mãe, Minha Irmã e Eu</strong>. Pois é. Foram elas.</p><p>A <strong>Ingrid Guimarães</strong> e a <strong>Mônica Martelli</strong> sentaram aqui na mesa do <strong>Flow</strong>. E mano, eu vou ser sincero contigo: eu falei na cara delas no final que elas falam pra caralho. Duas horas de papo e eu acho que emiti umas 40 frases inteiras.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/Y1joCcjE8Lk" frameborder="0"></iframe><p>Só que tem uma parada. No meio dessa bagunça toda saiu história de camarim das feias, de mãe com pinico na bancada da Câmara, de quatro mulheres reféns de um cara em alto-mar, e teve uma hora que eu cutuquei um assunto espinhoso e o papo esquentou de verdade. Meu público aqui é majoritariamente homem, tá ligado? Eu tava ali ouvindo duas mulheres falarem de coisa que eu, na moral, nunca precisei pensar. Sou pai de menina. Então eu tava mais pra aluno do que pra apresentador.</p><p>Bora.</p><h2>Tudo começou numa salinha, com uma agendinha e um golpe de cachê</h2><p>1996. O <strong>Chico Anysio</strong> tava montando o <strong>Chico Total.</strong> Fizeram teste 400 comediantes. Passaram 15.</p><p>A <strong>Mônica</strong> conta que chegou na salinha pra assinar contrato, sentou no sofazinho do lado de uma menina que ela nunca tinha visto na vida e a menina puxou uma agendinha e escreveu: "vão te oferecer 800, não aceita, pede 900".</p><p>A menina era a<strong> Ingrid.</strong></p><p>E olha o detalhe que faz essa história ser perfeita: o cachê era 800 pra todo mundo. Igualzinho. Comediante nenhum ia arrancar um centavo a mais. O golpe não colou.</p><p>A amizade colou. Trinta anos depois elas tão estreando um filme juntas.</p><p>Uma era tartaruga. A outra era formiga. E nem a formiga rainha.</p><p>Antes disso, o quarto de emprego da geração delas era o programa da <strong>Angélica</strong>, aquele que toda semana tinha um bicho diferente e chamavam a galera pra fazer o bicho.</p><p>A <strong>Mônica</strong> foi escalada pra ser cobra. E ela é alta, então já se achou: "cobra lânguida, gata pra caralho, eu vou bombar de cobra". Chegou no camarim, deitou no sofá do lado do amigo dela que tava vestido de pinguim e falou que tinha se dado bem. Aí entrou a figurinista e perguntou quem era a cobra. Ela: "sou eu". A figurinista: "caiu, tu agora é a tartaruga".</p><p>O amigo conta que o camarim escureceu de repente. Era o casco chegando na porta.</p><p>A <strong>Ingrid</strong> foi formiga. E formiga nunca é uma. É dez. Ela era uma das dez, e olha, nem pra formiga chefe ela foi escolhida.</p><p>Depois vieram os papéis de novela. Uma fazendo secretária, a outra fazendo empregada perguntando se a senhora aceita açúcar ou adoçante.</p><p>A <strong>Mônica</strong> falou uma parada que me pegou: hoje isso virou meme motivacional. Tipo, tu tá no<strong> Twitter</strong>, tá achando que tua vida não vai dar certo e aparece <strong>"pense em Ingrid e Mônica"</strong>. Só que na época era angústia pura. O mundo te cobra estar pronto aos 30. Casado, com filho, com carreira encaminhada. Tu olha pro lado, vê os amigos indo e acha que ficou pra trás.</p><p>Trajetória bonita é coisa que só existe olhando pra trás.</p><h2>E existia mesmo um camarim das feias</h2><p>Essa parte eu não sabia e me deixou meio sem reação.</p><p>Na época, comediante mulher não protagonizava nada. Programa de humor era do <strong>Jô,</strong> era do <strong>Chico</strong>, era do <strong>Didi</strong>. Mulher no palco era ou muda de biquíni ou a engraçada, e olha lá. E um diretor amigo da Ingrid contou pra ela, anos depois, que nos bastidores a galera falava assim mesmo, sem cerimônia: tu vai pro camarim das bonitas ou pro das feias?</p><p>A Ingrid contou que chegou pra falar com um diretor da <strong>Globo</strong> de barriga de fora, porque era o estilo dela na época, aquele lance hippie carioca. E ouviu que ela tinha um tipo muito exótico, que dificilmente ia rolar protagonista, mas que a barriga dela era linda.</p><p>E aí ela passou anos indo em teste de barriga de fora. Até quando tava frio. Porque ela achou que era aquilo ali que ia abrir a porta.</p><p>Porra. A ficha só caiu muitos anos depois.</p><h2>O caixote</h2><p>A mãe da <strong>Mônica</strong> é de <strong>Macaé</strong>, foi vereadora, se elegeu com 35 anos numa época que mulher na política era raridade. E fazia sessão na Câmara com pinico em cima da bancada pra exigir banheiro feminino no plenário. Animal.</p><p>A Mônica tava travada nessa fase. Fazendo videobook com câmera emprestada de amigo duro, entregando fitinha pra produtor de elenco e sempre ficando "editada". Sabe o quase? Cem fazem teste, cinco ficam editados, um passa. Ela era a editada.</p><p>Aí a mãe virou e falou: o que tu tá esperando, que alguém tenha olhos pra ti? Pega um caixote, vai pra praça, sobe em cima e fala teu texto pro mundo.</p><p>O caixote dela acabou sendo o <strong>Teatro Cândido Mendes, em Ipanema</strong>. E de lá saiu <strong>Os Homens São de Marte</strong>, que virou peça, virou filme, virou tudo.</p><p>A Ingrid teve o momento dela com o <strong>Guel Arraes</strong>. Ela foi pedir trabalho depois de ver <strong>TV Pirata</strong> e descobrir que existia mulher fazendo papel de homem, de tudo, sem ser só a feia ou a gostosa. O Guel falou que aquela galera dele era uma turma que já tinha crescido junta. E soltou: faça a sua turma. Escolha a sua turma.</p><p>Ela fez com a <strong>Heloísa Périssé</strong>. Depois com a <strong>Tatá</strong>. Agora com a<strong> Mônica</strong>.</p><p>E cara, isso me acertou em cheio, porque o meu caixote foi uma webcam em cima de caixa de uísque. Ninguém me chamou pra nada. A gente montou a turma e ligou a câmera. É isso, e não tem outro jeito.</p><p>Ninguém vem te escolher. Tu escolhe.</p><h2>Aí eu cutuquei e o papo esquentou</h2><p>Eu levantei o seguinte: antigamente o filtro era brutal na entrada. Tu precisava querer pra caralho pra passar. Hoje qualquer um posta qualquer coisa, mas o filtro só mudou de lugar, porque tem tanta gente que só a nata é vista.</p><p>Elas concordaram. Mas aí eu puxei pro lado espinhoso, e aí a coisa ficou boa.</p><p>Eu falei que, na minha leitura, várias militâncias esticaram a corda até enfraquecer o próprio movimento. Que tem pauta que só existe na internet enquanto na rua tem gente apanhando e morrendo. E que, pra mim, o problema é anterior a tudo isso: é educação. Eu já vivi de contar moeda, e quem tá contando moeda não tá pensando na vida. Tá pensando em pagar aluguel e não ser mandado embora.</p><p>A Mônica discordou de frente. Pra ela, todo movimento precisa ser radical num primeiro momento pra conseguir se instalar e ser ouvido, porque a desigualdade é grande demais pra pedir com jeitinho.</p><p>A Ingrid foi por outro caminho. Ela disse que o feminismo, antes de qualquer coisa, informa. Contou que só descobriu o que era abuso patrimonial fazendo uma campanha e que reconheceu ali coisa que ela mesma já tinha vivido. </p><p>E trouxe o exemplo de uma influencer conservadora americana defendendo que deveria existir um voto por família, o que na prática significa a mulher abrir mão do voto dela. O ponto da Ingrid: defende o que tu quiser, mas não diminui uma coisa que foi conquistada na porrada.</p><p>A gente não fechou acordo. E tá ótimo assim.</p><p>Teve um detalhe que eu achei o mais bonito do bloco, aliás. A Ingrid vem de família tradicional de <strong>Goiânia</strong>, mãe tucana apaixonada pelo <strong>Fernando Henrique</strong>. A Mônica vem de casa militante de esquerda. E as duas falaram, cada uma do seu canto, que na mesa da casa delas, discussão política era quase divertida.</p><p>Adversário com projeto é uma coisa. Inimigo é outra.</p><h2>Reféns de um macho branco em alto-mar</h2><p>Tá, mas agora vem a parte que me fez chorar de rir.</p><p>Elas foram pra Ibiza com as filhas. E existem duas Ibizas: a que dorme às 10 da manhã porque virou na festa e a de família. Elas foram pra de família, que fica a 40 minutos de tudo.</p><p>A Ingrid alugou um carro na categoria SUV, porque a Mônica viaja com duas malas só de remédio (de doença que ela teve, que ela tem e que ela pode vir a ter). Chegaram lá e o carro era um Citroën.</p><p>A Mônica militou na hora. Não aceitamos<strong> Citroën</strong>. Virou pro cara e disse que aquilo tava acontecendo porque eram quatro mulheres viajando sozinhas. Virou pras filhas e falou: tão vendo o que tá rolando aqui? Porque, segundo ela, educação é no ato, no momento.</p><p>Aí um cara na fila atrás disse que queria o <strong>Citroën</strong>. E ela desconfiou mais ainda: se o homem quer, tem coisa.</p><p>A Ingrid, no meio disso tudo, perguntou pra ela por que ela não queria o <strong>Citroën</strong>.</p><p>Resposta: porque quando ela tinha 20 anos um primo dela falou que não era bom.</p><p>Ficaram com o<strong> Citroën</strong>. Coube tudo. O carro era um espetáculo.</p><p>Só que teve a parte que não é engraçada. Elas alugaram um barquinho pra passear com as meninas, o contrato dava direito a quatro praias e, na segunda praia, em alto-mar, o marinheiro virou e disse que tinha acabado a gasolina. </p><p>Não ajudou com sapato, não fez nada do que devia. E a Mônica leu a situação na hora: quatro mulheres, duas mães, duas meninas, no meio do mar, com um cara que manda no barco. Não dá pra brigar.</p><p>Aí elas fizeram o que a Mônica chama de teoria (e que tá no filme): quando dá merda, tu finge pras meninas que tá tudo bem, senão tu estraga o dia delas.</p><p>Mergulharam, riram, voltaram. E quando desceram no cais, a Ingrid foi andando com o ódio subindo devagar. Uns 45 minutos depois, do nada, ela virou pra trás e gritou: moleque filho da puta.</p><p>As meninas já tinham virado a página fazia meia hora. Só olharam e falaram "mano, lá vem elas".</p><p>Uma milita na hora. A outra explode com atraso. É a dinâmica.</p><h2>O filme nasceu porque as filhas ligaram a câmera</h2><p>Aqui é onde tudo se junta.</p><p>A <strong>Clara</strong> e a <strong>Júlia</strong>, filhas delas, começaram a filmar as duas nas viagens só pra rir entre elas. Um dia foi parar na internet. Viralizou. E agora, quando elas voltam de viagem, tem gente esperando no aeroporto pra reclamar que acabou a série.</p><p>Disso saiu <strong>Minha Melhor Amiga</strong>, dirigido pela <strong>Susana Garcia,</strong> rodado no <strong>Rio</strong>, em <strong>Lisboa</strong> e em <strong>Sevilha</strong>. As protagonistas se chamam<strong> Júlia e Clara</strong>, homenagem às meninas.</p><p>O melhor detalhe do processo: elas chegaram uma semana antes em <strong>Lisboa</strong> e a Ingrid perguntou pra diretora se não ia ter ensaio. A<strong> Susana</strong> olhou pras duas e falou que elas estavam ensaiando havia 30 anos.</p><p>E a Susana deixava a câmera rodando. Tem ataque de riso de verdade no filme. Tem ataque de choro de verdade. Tem coisa que elas nem sabiam que tava gravando e foi pro corte final.</p><p>Outra parada que elas fizeram questão de marcar: o marido no filme não é vilão. A Ingrid falou que dramaturgicamente a gente precisa parar com isso, porque na vida real os dois tavam remando o barquinho juntos e chegaram na merda juntos. Não tem monstro. Tem duas pessoas cansadas.</p><h2>Homem-Aranha, Vingadores e a maldita primeira semana</h2><p>Esse bloco aqui é pra quem gosta de entender como o bagulho funciona por dentro.</p><p>De <strong>Pernas pro Ar 3</strong> estreou na mesma semana que<strong> Vingadores.</strong> Oito salas de<strong> Vingadores</strong>, uma de <strong>De Pernas pro Ar</strong>. Tu pode juntar todos os comediantes do<strong> Brasil</strong> na mesma fita, não tem jeito. É igual lançar teu joguinho em novembro no mês do GTA 6. Tu vai se foder e ponto.</p><p>Por isso existe a lei de cota de telas, que garante um percentual das salas pra filme brasileiro. Elas defendem com unhas e dentes, e fizeram questão de dizer que a <strong>Rouanet</strong>, que a galera odeia, nem é a lei que banca cinema nacional.</p><p>Eu falei o que eu penso: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y1joCcjE8Lk">parte da sociedade brasileira enxerga investimento em cultura como desperdício de dinheiro</a>. Eu não enxergo. Eu acho que a gente podia ser um país mais rico exportando a nossa cultura, tipo a <strong>Coreia</strong> fez com dorama e a <strong>K-pop</strong>, tipo o <strong>Japão</strong> fez com anime. Só que eu continuo achando que cota vira hábito de verdade quando resolver o problema de base.</p><p> Elas rebateram que cultura é educação, que é ali que tá o costume, a comida, a música, o que aquele povo pensa.</p><p>E aí a Ingrid mandou a frase que resume o mercado inteiro: o <strong>Brasil</strong> não é o <strong>Leblon</strong> nem os <strong>Jardins</strong>. O Brasil é o subúrbio. Se teu filme não chega em <strong>Madureira</strong>, ele não fez sucesso.</p><p>O que tá salvando o cinema, segundo elas? <strong>Geração Z</strong>. A filha da Ingrid leva a mãe ao cinema, não o contrário.</p><h2>O que eu anotei desse papo</h2><p>Cara, eu saí com o caderno cheio.</p><p>Mas a parte que me deixou quieto não foi nenhuma dessas. Foi quando elas contaram da única vez que ficaram afastadas de verdade. A Ingrid falou que foi como se ela tivesse se separado de um marido. A família inteira sofreu junto. O marido dela chegou a ficar com ciúmes do tamanho do sofrimento e falou que queria ver se ela ia sofrer daquele jeito por ele.</p><p>Elas engravidaram na mesma época, as filhas nasceram na mesma semana, dividiam babá, dividiam festa infantil pra ratear custo (tinha negociação de tema, tipo "convence a Júlia a aceitar Harry Potter"). Uma ajudou a criar a filha da outra, literalmente.</p><p class="    ">Rede de apoio é uma expressão bonitinha. Na prática é isso aí.</p><p class="  ">Se tu tá travado achando que alguém vai te descobrir, pega teu caixote. Se tu tá sozinho na tua área, faz a tua turma. E se tu já tem uma pessoa dessas na tua vida há 30 anos, liga pra ela hoje, porra.</p><p><strong>Minha Melhor Amiga estreia dia 3 de setembro nos cinemas</strong>. E as duas insistiram numa coisa que eu não sabia que pesava tanto: é a primeira semana que decide o destino de um filme nacional. Então se tu for, vai logo. Leva as amigas. E se tu é homem e tá começando a sair com alguém, elas mandaram o recado: leva, que faz moral.</p><p>O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y1joCcjE8Lk">papo completo tá lá no canal</a>, com as histórias que não coube aqui (tem uma sobre comprar o estoque inteiro de uma fábrica falida de fralda de pano que é surreal). Dá o like, comenta, compartilha, manda no grupo da igreja.</p><p>A gente se vê depois.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-08-28/uma-era-tartaruga--a-outra-era-formiga--a-historia-insana-da-ingrid-guimaraes-e-da-monica-martelli.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Ingrid Guimarâes, Monica Martelli, Minha Melhor Amiga, Cinema Nacional, susana garcia, Comédia Brasileira, Mulheres do Humor</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a91e2d5f9fa29974b6bb32f</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 19:34:45 +0000</pubDate><title>5 mil empresas depois, Baccarini revela por que empreender dói</title><description>De crises a recomeços, jornalista compartilha no podcast Flow histórias e aprendizados sobre os desafios de construir negócios no Brasil</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/42/sw/xc/42swxczvvstae4lj1qve57b4h.jpg"><figcaption>Marcelo Baccarini relembra 34 anos acompanhando de perto os altos e baixos de empresas brasileiras e conta no Flow o que aprendeu sobre empreender em um país no qual nem sempre a oportunidade espera o boleto vencer<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Fala, galera.</p><p>Deixa eu te perguntar uma coisa. Tu já parou num domingo de manhã, na frente da TV, vidrado numa matéria sobre um cara que fabrica chocolate usando aspirador de pó pra tirar a casca da amêndoa? Pois é. Se tu é brasileiro, chance grande de tu já ter parado. E chance ainda maior de ser o <strong>Pequenas Empresas & Grandes Negócios</strong>.</p><p>O cara que apresenta esse programa há 34 anos sentou aqui na mesa do <strong>Flow</strong>.</p><p>(E se tu não bate a cara dele com o <strong>PEGN</strong>, talvez bata com o <strong>Bombril.</strong> Ele mesmo brincou que um terço do Brasil acha que ele é o cara do Bombril, outro terço acha que ele é o <strong>ET do Rodolfo do SBT</strong>, e sobra um terço que sabe quem ele é de verdade. Publicidade feita, né.)</p><p><strong>Marcelo Baccarini</strong>. Umas <strong>5.000 empresas visitadas,</strong> na conta dele. E ele veio com a <strong>Maída</strong>, esposa, sócia e responsável por uma das paradas mais malucas que eu já ouvi nessa mesa. Mas essa parte eu guardo pro meio do texto.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/35hHlkdXF-A" frameborder="0"></iframe><p> Eu precisava desse papo, cara. Sério. Porque o <strong>Flow</strong> começou com webcam em cima de caixa de uísque, tá ligado? A gente aprendeu tomando porrada, na inovação porca mesmo. Então quando senta na minha frente um cara que viu 5.000 negócios darem certo e darem errado, eu viro aluno na hora. Anotei um monte.</p><h2>A mãe mandou fazer jornalismo e a mulher mandou fazer YouTube</h2><p>A virada de chave dele começa engraçada. O pai queria que ele fizesse engenharia, a mãe queria jornalismo. Quem mandava em casa era a mãe. Pronto, tá explicado.</p><p>Aí vieram <strong>34 anos</strong> de estrada. Ele entrou na época em que empresário fazia controle de estoque no papelzinho e ligava pra fornecedor de orelhão. O cara tem curso de datilografia, mano. Curso. De. Datilografia.</p><p>Só que nos últimos anos o programa mudou de lugar dentro da <strong>Globo</strong> e ele saiu da rua. E ele falou uma coisa que me pegou: ficou uma "pontinha no coração", porque ele é de rua, ele gosta de fazer reportagem. Aí a mulher passou UM ANO insistindo pra ele abrir um canal no<strong> YouTube</strong>. Um ano.</p><p>Um cara de 34 anos de TV, sem Instagram, sem nada.</p><p>E aí, no momento em que ele achava que ia calçar o chinelo de pantufa e desacelerar, ele começou tudo de novo. Do zero. Hoje sai matéria nova toda sexta.</p><p>Pensa nisso. O cara tinha todo motivo do mundo pra dizer "já fiz a minha parte". Não disse.</p><h2>O empreendedor brasileiro não é o do MBA. É o do boleto</h2><p>Aí eu perguntei o que mais mudou nesses 34 anos, e ele foi direto: mudou o empresário e mudou o consumidor.</p><p>O bagulho é o seguinte. Nos anos 60, 70, nascia muita gente e existia pouca empresa. Os caras nadavam de braçada. Hoje nasce menos gente e tem empresa pra caralho, porque a barreira de entrada caiu no chão. </p><p>Antes tu precisava alugar uma loja, montar produção, essas coisas. Hoje tu abre no Instagram numa terça à noite.</p><p>Resultado: consumidor exigente à beça. E, como ele falou, o patrão do empresário é o cliente.</p><p>Mas a parte que eu mais gostei foi quando ele desmontou aquela imagem do empreendedor de palestra. Sabe aquele cara que estuda o mercado, identifica a oportunidade, faz o business plan bonitinho? O Baccarini falou que o empreendedor brasileiro não é esse.</p><p>O <strong>empreendedor brasileiro</strong> é o cara que perdeu o emprego. É o cara mais velho que não arruma vaga. É o cara que tem pensão pra pagar. E aí veio a frase que eu anotei aqui do lado: o boleto vence antes da oportunidade.</p><p>Porra.</p><p>Ele aprende rápido porque não tem escolha. E transforma escassez em solução. </p><p>Por isso o <strong>brasileiro</strong> é criativo desse jeito absurdo: bota aspirador pra descascar amêndoa, usa fita crepe como equipamento, transforma a pontinha da cenoura em molho, monta uma loja inteira em cima de uma bicicleta.</p><p>E às vezes o cara aplica uma teoria de <strong>marketing</strong> sem saber o nome dela. O <strong>Baccarini</strong> foi fazer matéria num restaurante meio vazio e tinha uma fila do lado de fora. Ele estranhou. </p><p>O dono explicou: segura o pessoal na porta um pouquinho, porque quem passa na rua vê fila, acha que é bom e quer entrar. Isso tem nome, é prova social, tem estudo, tem livro.</p><p>O cara nunca leu o livro. Ele leu a rua.</p><h2>Aí vem a parte que mata geral: dinheiro</h2><p>Perguntei qual o maior erro de quem empreende. A resposta veio na hora: finanças.</p><p>E as histórias são de doer. Tem o Toninho, um cara que conserta sofá e passou onze anos pagando dívida. Chegou a pegar dinheiro com agiota e ser ameaçado de morte. Onze anos, mano.</p><p>Tem o cara da praça de alimentação todo empolgado: "faturei 110 mil!". O <strong>Baccarini</strong> pergunta quanto ele lucrou. Silêncio. Pergunta em quanto tempo ele paga e em quanto tempo ele recebe. Silêncio de novo. O cara paga à vista e recebe a prazo, e vai virando bola de neve até estourar o fluxo de caixa.</p><p>E o clássico dos clássicos, que eu não conhecia e me deixou de queixo caído: o cara que quebrou faturando.</p><p>É o seguinte. O cara fazia calça e camiseta. A <strong>Anitta</strong> comprou uma calça dele, com o nome da marca escrito bem grande, e apareceu com ela num programa da <strong>Globo</strong> ao vivo. Explodiu. Choveu pedido. </p><p>Aí ele montou fábrica, abriu loja, contratou gente. Faturou meio milhão no primeiro mês. E gastou seiscentos mil.</p><p>Faturando meio milhão por mês, o cara quebrou. Porque sucesso repentino em quem não tá preparado é igual entregar uma espada lendária pro personagem level 3: tu não tem stat pra equipar aquilo, cara. O troço te derruba.</p><p>Do outro lado tem o dono da loja que mais vende delivery no país, que falou pro <strong>Baccarini</strong> que monta loja já preparado pra não ganhar dinheiro por um ano. A meta do primeiro ano não é lucro. É cliente.</p><p>Faz todo sentido, saca? Só que pra isso tem que ter caixa. E o cara do boleto vencendo não tem.</p><h2>"Tu tem um negócio ou tu É o negócio?"</h2><p>Esse foi o ponto que mais me serviu, na moral.</p><p>O <strong>Baccarini</strong> falou de engrenagem. E ele definiu de um jeito que eu vou levar pra vida: tu sabe que tem um negócio quando tu não tá lá. Se tu tá atolado na operação, tu não é empresário. Tu é empregado de ti mesmo.</p><p>Ele deu o exemplo do motoboy. Um motoboy entrega uma coisa por vez, 14 horas por dia, comendo em cima da moto. Teto de 24 horas, ponto final. </p><p>Só que ele entrevistou um cara que era motoboy e montou uma empresa de logística que fatura milhões. Perguntou pro cara, sentado de braço cruzado, quantas entregas estavam rolando naquele momento. O cara nem sabia direito. Cinquenta, cem.</p><p>A diferença não foi trabalhar mais. Foi construir o sistema. E depois ainda achar um nicho, que no caso dele virou entrega hospitalar, que exige licença e embalagem diferente e por isso paga duas, três vezes mais.</p><p>E ele resumiu assim: empreender não é aprender a fazer tudo. É aprender o que tu não deveria mais estar fazendo.</p><p> Isso me acertou em cheio. Porque eu ainda faço um monte de coisa aqui no<strong> Flow</strong> que eu não deveria estar fazendo.</p><h2>Aí a Maída sentou na mesa e o papo virou outra coisa</h2><p>Bom, agora a parte que eu prometi.</p><p>A<strong> Maída</strong> é filha de uma cantora de rádio que ganhou concurso na <strong>Rádio Nacional</strong> em 1954, largou a carreira e teve oito filhos. Casa cheia de música. Em 1990, ela ligou pro irmão de um orelhão no <strong>Morro de São Paulo</strong> e falou que ia fazer serenata em <strong>São Paulo</strong>. O irmão respondeu que ela era louca.</p><p>Passaram mais de 100 mil serenatas depois disso.</p><p>E cara, ela contou umas que eu não esqueço mais. A do velório: eles cantam pra quem morreu, pesquisam a vida da pessoa, montam repertório. Ela descreveu uma sala travada, gente dura, um "iceberg" na frente dela. Cantaram, cantaram, até chegar na música certa. O senhor homenageado chorou. E aí a sala inteira desabou junto.</p><p>Tem a reconciliação que virou barraco: o cara escondido atrás de um fusquinha, a mulher jogando as roupas dele pela janela do sobrado. </p><p>Quando ela jogou o terno de trabalho, o cara não aguentou e saiu gritando do esconderijo. Ela mandou ele descer. Ele desceu. Ela desceu esmurrando ele. E aí, do nada, se abraçaram. E os Trovadores emendaram "Volta, vem viver outra vez ao meu lado".</p><p>Tu imagina a cena?</p><p>E teve a vez que expulsaram eles da casa. Alguém contratou uma serenata de brincadeira pra um cara, e a música especial era o hino do Corinthians. O sujeito era palmeirense roxo. Nem deixou terminar a primeira frase. Botou todo mundo pra fora.</p><p>Palmeirense chorão, é isso mesmo. Nem uma serenata o cara aguenta.</p><p>Hoje tem o <strong>Instituto Trovadores Urbanos</strong>, com escola de música em comunidade e roda pra ajudar mulher a empreender. E tá saindo a Casa do Afeto, uma casinha amarela em Perdizes com muro do afeto e um orelhão onde a pessoa pega o telefone e escuta palavra carinhosa. Ela tá entrevistando motoboy pra entender de onde vem tanta raiva na rua.</p><p>Ela falou uma frase sobre o negócio dela: "eu não vendo serenata, eu fico amiga". E o <strong>Baccarini</strong> completou o raciocínio do lado de fora: o consumidor compra com o coração e justifica com a razão.</p><h2>R$ 29 numa água (e por que a gente paga)</h2><p>Já que a gente tava falando de valor, ele soltou um teste que eu quero fazer aqui.</p><p>Ele pegou o mesmo vinho e serviu em duas taças. Atrás de uma, uma garrafa com preço de 180. Atrás da outra, 39. Aí deu pras pessoas provarem. Adivinha qual todo mundo achou melhor.</p><p>Fez igual com água. Água de garrafinha de plástico numa embalagem bonita virou "água da montanha". A outra virou "água de torneira". Mesma água.</p><p>E ele contou que pagou 29 reais numa água num lugar, atravessou a rua e achou a mesma coisa por 1,39.</p><p>Tu aí achando que é o teu paladar que decide. Não é o teu paladar, mano. É a etiqueta.</p><h2>O Brasil é foda de um jeito e foda de outro</h2><p>Aí o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=35hHlkdXF-A">papo azedou um pouco</a>, e tinha que azedar mesmo.</p><p>Juro real mais alto do mundo. Ele fez a pergunta certa: a gente conta quantas pessoas empreenderam, mas ninguém conta quantas deixaram de empreender porque a régua tá lá em cima. Se o dinheiro parado rende alto de braço cruzado, pra que contratar, produzir, correr risco?</p><p>E imposto. Eu contei pra ele daquela vez que eu comprei coxinha num drive-thru e vi na nota que quase 40% daquilo era imposto. Ninguém fica puto. Ninguém.</p><p>Ele foi além: no <strong>Brasil,</strong> o imposto é mais caro do que parece, porque tu precisa montar uma estrutura só pra conseguir calcular o imposto. É papel pra dizer que tu tem papel.</p><p>E no fim das contas a gente cai sempre no mesmo lugar, né. Educação. Eu falei isso na mesa: qualquer coisa que não seja um projeto sério de educação, com resultado pra daqui a 50 anos, é band-aid. </p><p>A <strong>Maída</strong>, que tem escola de música em comunidade, complementou com uma dor real: o educador tá exausto. Não é falta de vontade dos caras. É que ninguém aguenta segurar sozinho uma sala daquele jeito.</p><p>Pesado? É. Mas é o Brasil que o cara vê há 34 anos.</p><h2>O que eu levei desse papo</h2><p>Cara, eu anotei minhas coisinhas aqui pra estudar depois, como sempre.</p><p>Levei a da engrenagem, que é a que mais dói em mim. Levei a do teste barato antes do investimento caro, que ele resumiu com uma imagem boa: tu não pula de cabeça numa piscina que tu não conhece, tu põe o pé primeiro. E levei uma que ele falou meio de passagem e que vale por si só: concorrência não dá lucro. Se tu tá fazendo igual a todo mundo, tu não estaciona. Tu regride.</p><p>E tem a parte humana, que é o que sobra depois que a gente desliga o microfone. O algoritmo do bairro é humano, foi assim que ele definiu o mercadinho pequeno que cresce enquanto a rede grande abre na esquina. O cara sabe o teu nome. Sabe que tu gosta com pouco sal.</p><p> Se não servir pra tu abrir um negócio amanhã, serve pra tu olhar diferente pra padaria da esquina. E vai por mim, essa mudança de olhar é a parte de graça.</p><p>O papo completo tá lá no canal, corre pra <a href="https://www.youtube.com/watch?v=35hHlkdXF-A">assistir aqui.</a></p><p>Dá o like, comenta aí que empreendedor tu quer ver sentado nessa mesa, compartilha, manda no grupo da família e no grupo da igreja também. E se tu vacilou com alguém essa semana, olha, contrata uma serenata. Segundo a<strong> Maída</strong>, resolve por uns seis meses.</p><p>A gente se vê depois. Tchau.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-08-28/-o-boleto-vence-antes-da-oportunidade---34-anos-vendo-empresa-nascer-e-quebrar-no-brasil.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Empreendedorismo, Marcelo Baccarini, Pequenas Empresas Grandes negócios, Flow Podcast, Negócios no Brasil, trovadores urbanos, Educação Financeira, Igor 3k</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a91c7ebf9fa29974b6bb30b</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 17:39:57 +0000</pubDate><title>O que um xiita, uma sunita e um militar revelaram no Flow</title><description>Um papo improvável entre uma xiita, um sunita e um comandante revela o que quase nunca aparece nas manchetes sobre o Oriente Médio.</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/9p/d2/du/9pd2du473htakknhkxkn159et.jpg"><figcaption>Um xiita, uma sunita e um comandante da Marinha no mesmo estúdio: o episódio do Flow mergulhou nas tensões do Oriente Médio e mostrou que a história é muito mais complexa do que parece<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Salve, família.</p><p>Vou começar admitindo uma coisa feia: eu não manjo porra nenhuma do <strong>Líbano</strong>.</p><p>E olha que o <strong>Líbano</strong> tá em tudo aqui. Tu já comeu kibe. Já comeu esfiha. Já desceu na 25 de Março atrás de alguma bugiganga e provavelmente não faz ideia de que aquela rua só existe daquele jeito porque uns libaneses resolveram montar loja ali. Tem mais libanês no Brasil do que no Líbano, mano. Tem rua com sobrenome árabe em cidade do interior que tu nem sabe pronunciar direito.</p><p>Pois é. E mesmo assim, o que a gente sabe do <strong>Oriente Médio</strong> cabe numa manchete de telejornal.</p><p>Por isso eu chamei essa mesa. Sentaram aqui a <strong>Marwa e o Sultan,</strong> que fazem conteúdo sobre cultura árabe e passam o dia se estranhando de brincadeira porque um é xiita e a outra é sunita. E veio junto o comandante <strong>Robinson Farinazzo</strong>, que tinha acabado de voltar de 15 dias no Irã e que analisa guerra como quem lê planilha.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/vW0B6s9Wa6E" frameborder="0"></iframe><p> O papo pegou em coisa que eu nunca tinha ouvido em lugar nenhum: porque <strong>"xiita"</strong> virou sinônimo de radical no dicionário e por que os caras dizem que é exatamente o contrário. Como é um país onde o soldado do exército ganha uns 200 por mês e trabalha, literalmente, de semáforo. E por que um comandante da Marinha voltou do Irã falando de carrinho de bebê.</p><p>Bora.</p><h2>Antes de qualquer pergunta, chegou uma bandeja de doce</h2><p>A <strong>Marwa</strong> tinha acabado de voltar de 15 dias no<strong> Líbano</strong> e chegou aqui carregada. Trouxe mamul, que é um biscoitinho de massa de semolina recheado com tâmara. Trouxe tâmara recheada de noz e amêndoa. Trouxe até chiclete libanês, que não é chiclete normal, tem uma especiaria dentro, um aroma diferente pra caralho.</p><p>Por isso que eu gosto de <strong>podcast</strong>, tá ligado? Como de graça.</p><p>E aí ela soltou uma frase que explica muita coisa: o árabe é o mineiro do mundo. Tu chega na casa de um libanês e ele vai te empurrar café, chá, castanha, fruta e mais um doce. Vai ser chato. Vai insistir. Tu vai comer.</p><p>Eu contei pra eles do meu perrengue no Qatar. Minha mala se perdeu, eu fiquei sem roupa, aí fui no souk e comprei a roupa árabe inteira. Inteira mesmo, com o pano na cabeça e a cordinha em cima. Resultado: eu andava pelos lugares e os caras metiam "salam aleikum" pra mim. E eu metendo "aleikum salam" de volta, todo confiante.</p><p>No mesmo dia eu comi um shawarma tão temperado que eu passei o resto da noite com medo de ficar com caganeira. Valeu a pena.</p><p>O país onde o soldado do exército trabalha de semáforo</p><p>Aí o clima mudou.</p><p>O<strong> Sultan</strong> nasceu aqui no <strong>Brasil</strong>, mas a família dele inteira, por parte de pai e de mãe, é do sul do<strong> Líbano</strong>. E o sul é justamente a região que apanha toda vez que estoura alguma coisa. A casa do avô dele é cheia de furo de bala. Duas tias perderam a casa completamente. Um tio perdeu a cafeteria dele, e ele fez questão de dizer: não sobrou parede.</p><p>Uma dessas tias tinha um prédio de três andares, que é uma coisa comum lá, cada pedaço da família mora num andar. Virou pó.</p><p>A <strong>Marwa,</strong> que esteve em <strong>Beirute</strong> agora, descreveu a coisa toda como crise humanitária mesmo. Gente morando em barraca. Criança pedindo comida na rua às 3 da manhã. Ela chegou a entrar num estádio que hoje serve de moradia pra quem veio do sul, porque lá tudo acaba virando base militar ou abrigo. Segundo ela, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e não conseguem voltar, porque a cidade delas não existe mais.</p><p>Refugiado dentro do próprio país. Pensa nisso.</p><p>E o<strong> Líbano</strong> já vinha capenga antes: quebra de banco em 2019, a explosão no porto, a pandemia acabando com o turismo que sustenta o país. Aí começou a guerra com Israel.</p><p>Tem um detalhe que eu não sabia e que me deixou de queixo caído. O <strong>Líbano</strong> praticamente não tem exército. A polícia de <strong>São Paulo</strong> é mais forte, segundo eles. O soldado ganha uma miséria, não tem armamento, não tem estrutura, e boa parte do trabalho é ficar num cruzamento dizendo "agora é vocês". Os caras viraram semáforo.</p><p>E o Estado é dividido por religião na base da escalação fixa: o presidente tem que ser cristão maronita, o primeiro-ministro sunita, o presidente do parlamento xiita. Não é costume, é regra, vem do censo feito lá no mandato francês. Censo que, segundo eles, nunca mais foi repetido. Imagina o <strong>Brasil</strong> montando governo assim.</p><p>Faz sentido o país viver em crise, né?</p><h2>O Hezbollah que a gente não vê no Jornal Nacional</h2><p>Aqui eu preciso ser honesto com você, porque esse é o ponto mais espinhoso do papo.</p><p>Pra boa parte do mundo, e pra vários governos, o <strong>Hezbollah</strong> é organização <strong>terrorista</strong>, ponto. Eu perguntei isso na cara dura na mesa. E a resposta que veio foi a visão deles, que é bem diferente da leitura ocidental: que a maior parte da estrutura é política e social, e que o braço armado é o que vira manchete.</p><p>Os números que eles citaram: o Líbano tem 128 deputados, 15 são do <strong>Hezbollah</strong>, e cinco ministros também. É partido, tá dentro do jogo institucional.</p><p>E tem a parte assistencial. O <strong>Sultan</strong> contou que quem vai bancar a reconstrução da casa da tia dele é o <strong>Hezbollah,</strong> mesmo não tendo sido o <strong>Hezbollah</strong> que destruiu a casa. Que boa parte de hospital e infraestrutura no sul é financiada por ali. Ele falou que não é questão de curtir, é questão de que, na visão da população local, sem aquilo não existiria sul do Líbano.</p><p>Deixo registrado que essa é a leitura deles, e que existe um mundo de gente que discorda ferozmente e que tem argumento pra isso. Mas eu acho que tu tem que ouvir a versão de quem tem a família morando embaixo daquilo.</p><h2>"Xiita" virou sinônimo de radical. E os caras dizem que é o contrário</h2><p>Essa parte foi a que mais mexeu comigo.</p><p>O <strong>Sultan</strong> contou que a pergunta que ele mais ouve na vida, quando fala que é muçulmano, é: "tu é do normal ou do radical?" E que "normal", na cabeça do brasileiro, quer dizer sunita. A palavra xiita virou sinônimo de radical até no uso comum.</p><p>Aí ele virou a mesa. Lembrou que cerca de 90% dos muçulmanos do mundo são sunitas, e que os grupos que a gente conhece como terror islâmico saíram justamente da vertente ultraconservadora que nasce ali dentro, o wahabismo, o salafismo. Não é que sunita seja radical, ele fez questão de frisar. É que a linha radical brotou desse tronco, e o tronco é imenso.</p><p>E a fama de radical do xiita, segundo eles, veio depois da revolução iraniana, quando o Irã virou o principal adversário dos Estados Unidos na região e entrou a máquina de propaganda.</p><p>Ah, e teve um momento impagável: o pai da <strong>Marwa</strong> mandou mensagem no meio da gravação. Queria pautar o papo. O recado era pra gente parar de chamar o grupo de <strong>"Estado Islâmico"</strong> e chamar de Daesh, que é como o mundo árabe chama, justamente pra não dar a eles o nome de Estado nem de <strong>Islâmico.</strong></p><p>Aí eu perguntei se dava pra trazer o pai dele no <strong>Flow.</strong> A resposta foi "não, senão tu perde o podcast".</p><p>Então por que que vocês brigaram, afinal?</p><p>Eu pedi pra voltarem lá no começo. E o <strong>Sultan</strong> contou a história inteira.</p><p>Resumo cru: o profeta morreu e abriu treta sobre quem sucede. Os xiitas entendem que era pra ser Ali, primo e genro dele. Teve uma reunião, Ali não estava porque estava no luto, e escolheram Abu Bakr. Ali aceitou pra não gerar guerra civil, mas ficou aquele sentimento de injustiça entalado.</p><p>Foi indo, foi indo. Até chegar em Karbala, onde Hussein foi cercado com a família e os seguidores, deixaram todo mundo sem água e dizimaram. É a partir daí que o xiismo nasce com essa coisa de ódio à opressão. Não é doutrina abstrata, é ferida.</p><p>O livro sagrado é o mesmo, não muda uma vírgula. O que muda é a cadeia de relatos que cada lado segue: um vem pelos companheiros do profeta, o outro pela família dele. É de um desses relatos que sai, por exemplo, a treta da tatuagem ser proibida ou não.</p><p>Ou seja: uma briga de sucessão política que, mil e quatrocentos anos depois, virou dois times.</p><p>E aí veio o momento mais bonito da mesa. A <strong>Marwa</strong>, que é sunita, ouviu o <strong>Sultan</strong> contar <strong>Karbala</strong> inteiro e falou que a versão dele está correta, que aquilo aconteceu mesmo, que foram grandes injustiças e que é uma mancha na história da religião dela. Falou "sinto muito pelo que aconteceu", de verdade.</p><p>Cara. Os dois passam o episódio inteiro se zoando, um chamando o outro de opressor, e aí para tudo pra fazer isso.</p><h2>O comandante voltou do Irã falando de carrinho de bebê</h2><p>O <strong>Farinazzo</strong> passou 15 dias por lá, num ritmo doido, expediente das 6 da manhã às 2 da manhã.</p><p>O que ele conta que mais marcou não foi míssil. Foi que ele não ouviu discurso de ódio. Foi ver, na hora do almoço, um monte de gente sentada no chão cortando salsicha e temperando arroz de graça pra peregrino, porque a orientação religiosa é que quem alcançou uma graça retribui ajudando quem precisa. Gente distribuindo água na rua num calor absurdo.</p><p>Ele visitou um monumento aos mortos da <strong>guerra Irã-Iraque</strong> e ficou olhando as fotos de caras que teriam a idade dele hoje. E soube que eles não chamam aquilo de guerra Irã-Iraque. Chamam de "a guerra imposta". Ele achou que o nome disso é perdão.</p><p>Ele também esteve numa sinagoga em Isfahan e falou que a comunidade judaica de lá, uma das maiores do <strong>Oriente Médio</strong>, estava com tudo organizado.</p><p>E teve a noite na ponte dos 33 arcos, que ele descreveu como uma das coisas mais lindas que já viu. O que ele mais reparou passeando ali: homem empurrando carrinho de bebê. Um atrás do outro. Ele saiu de lá dizendo que é uma sociedade muito mais família do que a gente imagina, e que quem foi lá não volta a mesma pessoa.</p><p>Vou te falar: isso é a leitura de quem passou 15 dias como convidado, e ele mesmo faz questão de separar o povo do regime. Mas o ponto que ele levanta é dos bons. A gente forma opinião sobre 90 milhões de pessoas com base em duas imagens que a gente viu na TV.</p><h2>E aí o papo foi pro dinheiro</h2><p>O <strong>Farinazzo</strong> é da <strong>Marinha,</strong> então nessa parte ele desce o nível de detalhe.</p><p>A tese dele: a indústria de defesa americana se sustenta na própria disfunção. Ele conta que, lá atrás, tiraram o subsídio da indústria naval, e os estaleiros americanos ficaram sem cliente civil. Sobrou um cliente só: o governo. E quando tu tem um cliente só e precisa rodar o ano inteiro, o preço vai lá em cima e fica. Na China, segundo ele, o mesmo estaleiro que faz fragata faz petroleiro, então a coisa se banca sozinha e sai por uma fração do preço.</p><p>Aí vem aditamento de contrato de 25%, e passa. Passa porque uma fatia considerável do Congresso americano vem das forças armadas.</p><p>Ele resume assim: gasta-se um trilhão por ano e o marinheiro no porta-aviões fica sem comida. Onde é que tá indo esse dinheiro?</p><p>E ele emenda: não adianta achar que corrupção é folclore brasileiro. Isso é do ser humano.</p><p>Sobre o <strong>Brasil</strong>, a frase dele que eu anotei aqui: a gente tem um exército excelente, o melhor do mundo pra 1990. O problema não é efetivo nem treinamento, é gap tecnológico. Satélite, comunicação encriptada, link de dados, enxame de drone, guerra eletrônica. Ele acha que dá pra virar esse jogo em poucos anos se o dinheiro for pro lugar certo, porque o parque tecnológico já existe.</p><p>Ele também defende que o<strong> Brasil</strong> deveria ter armas nucleares. Essa é uma posição dele, e é polêmica pra caralho, tem gente séria que considera isso um tiro no pé diplomático do tamanho do país. Registrado.</p><p>Mas a parte que ficou martelando na minha cabeça foi outra: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vW0B6s9Wa6E">pra ele, o que decide guerra não é equipamento, é mentalidade.</a> E que a gente ainda não se enxerga como país que precisa ter uma.</p><h2>A parte que mais me pegou</h2><p>Teve uma hora que alguém na mesa falou que esse assunto, no Brasil, virou mais uma coisa pra dividir a gente. Tu é a favor ou contra, escolhe teu lado, e ninguém mais escuta ninguém.</p><p>E aí eu olhei pra mesa e pensei naquilo que a gente é.</p><p>Porque cara, vai no Bom Retiro. Tem igreja batista sul-coreana na frente de sinagoga. Tem coreano trocando dinheiro com libanês que compra na loja do judeu, e um boliviano passando ali no meio. Ninguém acha isso extraordinário porque a gente vive nisso.</p><p>O <strong>Farinazzo</strong> falou uma coisa que eu vou levar: se tu não construir um país aqui, tu vai construir onde? Vai fugir pra onde? É aqui que a gente resolve.</p><p>E teve a história da <strong>Marwa</strong>. Ela foi refugiada na guerra de 2006, tinha 8 anos, foi pra <strong>Síria</strong> e depois veio pra cá. Ela falou, sobre a guerra, uma frase curta: "eu só falo português por conta deles."</p><p>Ela contou também da <strong>Bruna</strong>, uma brasileira-libanesa que ela conheceu lá, que foi até o sul com jornalistas pra ver a casa da família, aquela onde ela passou a vida inteira. Filmou de longe. Não existe mais. Não existe mais nem a cidade.</p><p>E a <strong>Marwa</strong> fez uma leitura que eu não tinha pensado: aquela pessoa não perdeu só a casa. Ela perdeu a terra, que é a coisa mais importante pro libanês, e vai acabar em Beirute pagando aluguel pro resto da vida.</p><p>Tu imagina descobrir isso por um vídeo tremido, de longe?</p><p>Ficou um silêncio na mesa. Eu não soube o que falar.</p><h2>Fechando</h2><p>Eu anotei um monte aqui. Sério.</p><p>No fim das contas, o que eu levei desse papo não foi geopolítica. Foi a lembrança de que a gente opina com uma confiança absurda sobre lugares que a gente não conhece, sobre religiões que a gente nunca estudou, sobre gente que a gente nunca sentou junto. E que basta sentar pra descobrir que o buraco é bem mais embaixo.</p><p>O<strong> Sultan</strong> e a <strong>Marwa</strong> se zoam o episódio inteiro. Um chama o outro de opressor, disputam de quem é a culinária, disputam de quem é o shawarma. E aí, na hora que a conversa fica séria, eles se respeitam de um jeito que muita gente aqui não consegue nem no grupo da família.</p><p class="  ">Ah, e eu saí de lá com presente. A <strong>Marwa</strong> me deu um keffiyeh, aquele pano que virou símbolo de resistência palestina, e me explicou que a melancia também virou símbolo porque tem as mesmas cores da bandeira, num tempo em que não dava nem pra falar a palavra. O <strong>Sultan</strong> me deu um perfume árabe da marca da mãe dele.</p><p>Se tu quer ouvir o papo inteiro, e tem muito mais coisa que não coube aqui, corre lá no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vW0B6s9Wa6">YouTube</a>.</p><p>Dá o like, comenta, compartilha. Manda no grupo da família. Manda no grupo da igreja. Manda no grupo do mito também, principalmente no grupo do mito.</p><p>E vai lá seguir a<strong> Marwa, o Sultan e o comandante Farinazzo</strong>, que os links estão no comentário fixado.</p><p>A gente se vê depois. Beijinho, tchau.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-08-28/o-que-um-xiita--uma-sunita-e-um-militar-revelaram-no-flow.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Oriente Médio, Líbano, Irã, Cultura Árabe, Islamismo, Geopolítica, Robinson Farinazzo</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">6a914f34f9fa29974b6bb286</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 09:12:59 +0000</pubDate><title>Popó abre o jogo: fome, 45 pontos na cara e a saudade da mãe</title><description>Popó sentou no Flow e contou tudo: a fome, o nocaute em 39 segundos, a casa que comprou fiado; você precisa ler</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/34/06/ht/3406ht10tswva2jnj5vxxuur1.jpg"><figcaption>Do chão onde dormia ao topo do mundo aos 23 anos: conheça a trajetória de Popó<span class="copyright">Foto: Divulgação </span></figcaption></figure><p>Fala, galera.</p><p>Se tu tem mais de 30, tu já ficou acordado de madrugada esperando o <strong>Popó</strong> subir no ringue. Se tu tem menos de 30, tu conhece o cara que apagou o <strong>Bambam</strong> em 39 segundos e dominou a internet no dia seguinte. É o mesmo sujeito. E ele sentou aqui na mesa do <strong>Flow</strong> usando uma camisa com a minha cara estampada, o que já começa meio estranho, né. Chique, hein.</p><p>Só que o papo foi pra lugares que eu não tava esperando. Como é dormir no chão até os 23 anos. Por que ele comprou uma casa fiado um mês antes de disputar o título mundial. E teve uma hora que ele falou da mãe e eu simplesmente não soube o que responder.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/QHuXKuUluCI" frameborder="0"></iframe><p>Eu não manjo porra nenhuma de <strong>boxe</strong> tecnicamente falando, tá ligado? Eu sei é assistir. Então pra mim esse papo foi aula do começo ao fim. Bora.</p><p>O apelido vem do peito da mãe (não tô inventando)</p><p>Primeira coisa que eu perguntei, porque eu sou curioso pra caralho: de onde vem<strong> "Popó"</strong>?</p><p>Cara. O nome dele é<strong> Acelino</strong>. E ele mamou até os 5 anos de idade. Cinco. Aí quando ele queria o peito da mãe, ele pedia "popó, popó, popó". Ficou. O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=QHuXKuUluCI&t=259s">maior nocauteador da história do boxe brasileiro</a> tem apelido de bebê pedindo teta.</p><p>Eu ri. Mas guarda essa história da mãe aí, porque ela volta lá na frente e volta pesado.</p><h2>Ele dormiu no chão até os 23 </h2><p>Aqui o papo virou. O <strong>Popó</strong> cresceu numa casa de 10 metros quadrados sem janela, em Salvador. Sem banheiro. A necessidade era feita num pinico e jogada numa fossa do lado de fora. A luz era um gato puxado da vizinha, que ele pagava todo mês. O fogão era de querosene. O aluguel era 30 conto e a casa nem era deles. Hoje passa um viaduto por cima de onde era aquilo.</p><p>O pai bebia e machucava a mãe dentro de casa. A mãe era faxineira, saía o dia todo. Quem criava a molecada eram os irmãos mais velhos.</p><p>E aí vem a parte que me pegou. Tinha uma vizinha, dona Elizabeth, que mandava os filhos levarem sobra de comida e pão quando via a criançada sentada na porta sem ter o que comer. E tinha a dona Orita, que dava almoço e janta pro Popó e pro irmão todo santo dia. Em troca, os dois iam com ela pra feira das Sete Portas na terça carregar as coisas.</p><p>O cara falou uma frase que eu anotei: foi isso que não deixou eles fazerem merda. Porque quando tu abre a geladeira e não tem nada, e tu vê teu pai bêbado machucando tua mãe, tua cabeça desfoca. Tu vai pro outro rumo.</p><p>E enquanto isso, com 12, 13 anos, ele escrevia no caderno da escola: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=QHuXKuUluCI&t=259s">Popó campeão mundial.</a> E treinava o autógrafo. Treinava o autógrafo, mano.</p><p>Aí olha o tamanho da loucura. Um mês antes de disputar o cinturão mundial, ele compra uma casa fiado. Fiado. Pra pagar depois da luta. Ele nem sabia se ia ganhar, mas comprou. E falou que foi ali que veio a vontade real de vencer, porque agora tinha uma conta pra pagar.</p><p>Ganhou por nocaute com 1 minuto e 45 do primeiro round. Numa luta marcada pra 12.</p><p>E adivinha quanto ele recebeu pelo título mundial? Vinte e cinco mil. Chegaram 20 na mão dele. Não dava pra pagar a casa. Quem completou os 5 mil foi o seu Armando, do Monumento Esporte, que virou compadre dele e hoje é padrinho do Iago, filho do Popó.</p><p>O cara foi campeão do mundo e precisou de vaquinha pra pagar a casa da mãe. É foda.</p><h2>O ídolo dele morava dentro de casa</h2><p>Eu perguntei quem era o ídolo. Achei que ia vir <strong>Rocky Marciano, Mike Tyson</strong>, sei lá.</p><p>Veio o irmão. <strong>Luiz Cláudio</strong>. <strong>Olímpico em Barcelona 92</strong>, medalhista pan-americano, cinco vezes campeão brasileiro. O moleque de 11 anos ia assistir o irmão lutar e falava "eu quero ser isso aí".</p><p>Pois é. Enquanto a gente discute referências, tinha um cara com fome em Salvador que achou a dele na sala de casa.</p><p>Antes do mundial ele já tinha sido campeão latino, sul-americano, interamericano... peraí, tinha mais. Norte-americano e hispano também. Seis cinturões antes de disputar o principal. E nenhum deles pagava as contas, porque os empresários levavam até 75% de tudo que ele ganhava. Dava pra fazer um mercado pra mãe e comprar uma geladeira.</p><p><strong>Luva de 8 onças, 45 pontos na cara e a malandragem do corner</strong></p><p>Agora a parte que eu fiquei viciado, porque eu adoro entender como o bagulho funciona por dentro.</p><p class="  ">Tu sabia que existe uma luva certa pra cada coisa? Eu não sabia. A luva de 8 onças é a mais fina, é com a que ele lutou 29 vezes e nocauteou 29 caras seguidos. E ele descreve a sensação de um jeito que dá até arrepio: tu sente o osso pegar. Aí tu vai pra matar.</p><p>Só que a luva de treino é outra história. Sparring é 16, 18 onças. E o <strong>Popó</strong> falou uma parada que serve pra qualquer um que treina numa academia de bairro: se tu faz luva com a mesma luva fina que tu usa pra bater no saco, tu tá matando alguém aos poucos. Ou sendo morto. Não é a força, é a quantidade de porrada repetida na cabeça.</p><p>O que tu tá falando então é que a lesão não vem da luta. Vem do treino, todo dia, ano após ano. Ele mesmo disse: se ele não tivesse tido luva adequada nesses 35 anos, ele tava conversando comigo arrastado.</p><p>E como é que faz quando abre o rosto no meio da luta? Vaselina com adrenalina. O cara do corner passa e o vaso não dilata, o sangue segura. Na luta contra o Casamayor ele levou 45 pontos no rosto. Quarenta e cinco. Numa luta só.</p><p>Ah, e tem uma linguagem secreta ali no canto do ringue. O treinador grita "peito na cara" e o lutador já sabe que é um golpe embaixo e outro em cima. Grita "jeb" e o cara solta automático, sem pensar, porque de onde o treinador tá ele enxerga uma luta completamente diferente da que o lutador tá enxergando.</p><p>Pensa nisso. Tu tá sozinho ali dentro, mas tem um cara vendo o jogo de cima que pode ganhar a luta pra ti. Se tu escutar. É igualzinho o Flow: eu tô aqui na frente da câmera, mas quem enxerga o programa de verdade é o Jean lá atrás.</p><h2>Raiva no ringue é o jeito mais rápido de perder tudo</h2><p>O <strong>Bambam</strong> entrou na cabeça dele. O próprio <strong>Popó</strong> admitiu.</p><p>O cara passou meses falando merda, inventando história do período em que o Popó foi deputado federal, dizendo que tinha print de mulher do Brasil inteiro pra soltar. Chegou a causar problema dentro da casa dele. Levou pro coração, nas palavras do próprio.</p><p>Mas aí vem a diferença entre entrar na mente e entrar no psicológico. Ele explicou assim: tu guarda aquela raiva num cantinho pra usar na hora do golpe certo. Se tu levar a raiva pra dentro do ringue, lascou tudo.</p><p>E ele sobe no ringue calmo. Do mesmo jeito que ele tava sentado ali conversando comigo. Ele que segura a onda no vestiário, com o treinador nervoso, o irmão nervoso, todo mundo tremendo. Quem vai apanhar é ele e é ele quem acalma a galera.</p><p>Resultado: 39 segundos. Ele confessou que a vontade era deixar durar mais um pouco só pra apagar de verdade, e chegou a dar dois socos na cabeça do Bambam quando o outro já tava de costas.</p><p>Sobre outros desafiantes, ele foi honesto na maldade: falou que ele, e provavelmente muita gente, gostaria de dar uma quebrada no <strong>Pablo Marçal</strong>. Foi na galhofa, tá? Mas ele disse.</p><p>E teve a humildade também. Se o J<strong>únior Cigano, o Vanderlei ou o José Aldo</strong> chamarem ele pro MMA, ele não vai. Não é a praia dele. Ele não aguenta tomar chute, não sabe sair de uma chave. O respeito dele é pela coragem dos caras que aceitam entrar num terreno que não é o deles.</p><h2>"Não tenho mais a quem pedir a bênção"</h2><p>Aí eu perguntei do feijão da mãe dele. Aquele com farofa, que é lendário.</p><p>Ele falou que perdeu a mãe em dezembro.</p><p>Mano. A cunhada dele pegou o tempero certinho e faz igual, mas não é isso. O que ele sente falta é de outra coisa: a academia onde ele treina é em cima da casa que era da mãe. Então todo dia, todo dia mesmo, ele subia pra treinar e antes passava lá e via ela sentadinha e pedia a bênção.</p><p>Hoje ele chega e não tem a quem pedir.</p><p>Eu fiquei quieto uns segundos ali. Porque o meu pai tá bem velhinho, tá ligado? E ele já não lembra direito das coisas. Dá uma sensação estranha até de mandar um salve pra ele daqui. Eu falei isso pro Popó e ele foi direto: quando perde é pior ainda, porque tu vê o sofrimento e a única coisa que tu consegue pedir é que Deus leve sem dor.</p><p>Eu não passei por isso ainda. Ele passou. E ele disse que quando eu passar, aí a gente conversa de novo.</p><p>Pois é.</p><h2>O dia em que ele apanhou e nem ficou sabendo</h2><p>Pra aliviar, porque eu não aguentava mais aquele nó na garganta, eu puxei a confusão com o Vanderlei Silva.</p><p>E cara, essa parte é surreal. O <strong>Popó</strong> não sabia de nada. Nada.</p><p>Não sabia que o Dida tinha metido oito, nove socos nele em cima do ringue. Não sabia que o filho dele tinha trocado porrada com o filho do Vanderlei. Não sabia que o irmão dele tinha apanhado. Ele tava com o rosto machucado, o olho inchado, e descobriu tudo depois, vendo vídeo na televisão.</p><p>Sabe por que ele ficou sentado no ringue enquanto o circo pegava fogo em volta? Porque ele tinha bônus de vitória e bônus de nocaute no contrato. Se ele saísse dali sem levantar a mão, podia contar como abandono. O cara tava em modo planilha no meio de um quebra-pau generalizado.</p><p>E hoje? Gravaram dois comerciais juntos. Oito horas de gravação, comendo sanduíche, dando risada entre um take e outro. Acabou, cada um foi pro seu lado. Ele mesmo disse que nunca foram amigos antes e não precisam ser agora.</p><p>Maduro pra caralho, na moral.</p><p>51 anos e o golpe que ele vê chegando e não consegue mais desviar</p><p>Essa foi a frase mais honesta do papo inteiro.</p><p>Antigamente ele via o soco antes de sair e já sabia pra onde ia escapar. Hoje o golpe tá aqui na cara dele, ele enxerga, e o corpo não vai. Nessa semana mesmo, fazendo luva leve com o filho, tomou umas que uns anos atrás nem encostavam.</p><p>Preparo físico que ele fazia em um mês, hoje leva um ano.</p><p>Ele faz mais duas lutas e para. Falei pra ele que eu já escutei essa história antes, ele riu, mas jurou. A próxima é dia 17 de outubro, em Miami, contra o Mike Oliveira, que ele já nocauteou no nono round lá em 2012 em Punta del Este.</p><p>E ele não vai parar de treinar nunca. Isso não é frescura de atleta, é sobrevivência: ele falou que ex-atleta que para de gastar energia acumula tudo, e aí vem pressão, colesterol, sequela psicológica. Ele treina terça, quinta e sábado com uns amigos treinadores só pela resenha.</p><p>O que me marcou foi o motivo dele ainda subir no ringue com 51 anos. Depois que ele lutou com o Anderson Nunes, mudou o jeito que as crianças olham pra ele no aeroporto. Antes era "filho, aquele é o campeão". Agora é "pai, aquele bateu no Anderson Nunes". E as academias de boxe encheram. O esporte dele cresceu.</p><h2>O que eu anotei desse papo</h2><p>O <strong>Popó</strong> falou de uma coisa que não sai da minha cabeça: os ídolos de bairro sumiram.</p><p>Antigamente todo bairro tinha o cara. O melhor de queimada, de pingue-pongue, sei lá. Hoje o moleque olha pro lado e o único cara com a motinha e o correntão é o traficante. Na Bahia tem três, quatro facções mandando mais que o governo do estado, segundo ele.</p><p>E aí ele contou que tentou levar a luta contra o Anderson Nunes pra Salvador e o governo pediu que ele pagasse as taxas do ginásio. Balneário Camboriú pagou pra receber o evento. Salvador quis cobrar. O ginásio Balbininho, onde ele lutou e onde o Holyfield já lutou, foi derrubado.</p><p>Tu imagina quantos campeões a gente já deixou passar batido nesse país?</p><p>Porque olha, o Popó só chegou onde chegou porque teve uma dona Orita botando comida no prato dele. Depois teve o seu Armando completando o dinheiro da casa. E teve o seu Pepe, um argentino de 80 anos lá de Santos que bancou salário mínimo pra cinco lutadores que ele nem conhecia, durante dois anos, só porque o Popó pediu.</p><p>Foi esse mesmo seu Pepe, aliás, que chamou ele pra jantar e quando ele chegou tinha um Pelé sentado na mesa esperando. O Pelé, num Fantástico, tinha dito que a pessoa que ele mais queria conhecer e ainda não conhecia era o Popó. Chegar nesse nível é foda demais, mano.</p><p>Mas o que eu levo pra mim é outra coisa. Ele disse que tu pode estar fodido de tudo, sem grana, sem casa, sem nada, mas tu não pode estar fodido pra receber a oportunidade. Porque tu não sabe o dia que ela chega. E quando chegar, tu tem que estar pronto pra executar.</p><p>Isso serve pra mim aqui no Flow. E se não servir pra tu no teu dia a dia, serve pra nortear tua carreira, teu treino, teu negócio, o caralho a quatro.</p><p>Se tu quer ver o papo completo, com o momento em que ele me deu um soquinho no braço e eu quase caí da cadeira, corre lá no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=QHuXKuUluCI&t=259s">YouTube</a>.</p><p>Dá o like, comenta aí qual luta do <strong>Popó</strong> tu assistiu de madrugada e manda esse vídeo pro teu tio que jurava que o Rocky era documentário.</p><p>A gente se vê depois. Beijinho.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/2026-08-28/popo-abriu-o-jogo-no-flow--fome--45-pontos-na-cara-e-a-saudade-da-mae-que-ele-nao-esperava-sentir.html</link><dc:creator>Redação iG</dc:creator><media:credit>Foto: Divulgação </media:credit><author>Redação iG</author><keywords>Flow Podcast, Popó, Acelino Freitas, boxe, esporte brasileiro, Fight Music Show, Bambam, Mike Oliveira</keywords><internationalize>false</internationalize><section>69924d39c91055500a95224c</section></item><item><guid isPermaLink="false">697a6a7e778aaf0651921a59</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:28:56 +0000</pubDate><title>5 continentes em monomotor: a vida de um piloto de translado</title><description>Comandante Mário Jorge revela os bastidores de cruzar o mundo em aviões pequenos e os perigos de enfrentar nevascas na Groenlândia</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/ax/7q/ho/ax7qhozeq0yjrcvab5nvqrnvh.jpg"><figcaption>Comandante Mário Jorge revela os bastidores de cruzar o mundo em aviões pequenos e os perigos de enfrentar nevascas na Groenlândia<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p>Imagine sair da Austrália e cruzar cinco continentes para entregar um avião no Brasil, voando a uma velocidade que faria qualquer jato comercial parecer um foguete.Esse é o cotidiano de <strong>Mário Jorge</strong>, conhecido como "<strong>O Comandante</strong>", que recentemente compartilhou no <strong>Flow Podcast</strong>, com <strong>Igor 3K</strong>, os detalhes de sua profissão como <strong>piloto de translado</strong>. O trabalho, que mistura logística complexa, paciência extrema e sobrevivência em climas inóspitos, é essencial para o mercado de importação de aeronaves.</p><p>Diferente de um voo comercial convencional, o translado (ou ferry flight) exige que o piloto busque a aeronave em qualquer lugar do mundo e a traga voando até o destino final. Nos últimos dois anos, Mário Jorge realizou 32 viagens, sendo a mais emblemática uma travessia da Austrália para o Brasil em um avião monomotor pequeno.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/lpfmnBSFI7o" frameborder="0"></iframe><p>Além de Mário Jorge, Fernando de Barthole também participa do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=lpfmnBSFI7o" target="_blank" rel="noopener nofollow">episódio do Flow Podcast</a>, com apresentação de <a href="https://flownews.ig.com.br/">Igor 3K</a>. Barthole é piloto de avião, produtor audiovisual e criador de conteúdo digital com foco em aviação. </p><h3>O trabalho do piloto de translado na importação de aeronaves</h3><p>Para quem vê de fora, pode parecer apenas uma aventura, mas o trabalho de um piloto de translado é um processo rigoroso de importação. Mário Jorge explica que o serviço é geralmente contratado por empresas (CNPJs) que precisam nacionalizar o bem no Brasil. “O processo de importação, você tem que ter uma importadora, uma trade, todas as documentações. você tem que fazer entrada para um aeroporto internacional e nacionalizar esse avião".</p><p>A grande diferença entre levar um jato executivo e um monomotor está no tempo e no esforço físico. Enquanto um jato pode fazer o trajeto Nova York - Foz do Iguaçu em 10 horas com total conforto, o translado de um monomotor para seis pessoas pode levar cinco dias e cerca de 38 horas de voo. O piloto é a última ponta de uma operação de muitas camadas, visto que qualquer erro documental pode resultar na apreensão da aeronave ou em multas pesadas.</p><p>Além da burocracia, o piloto precisa lidar com a manutenção e as particularidades de cada máquina. Mário conta que, às vezes, quatro pilotos experientes podem ter dificuldade para ligar um motor frio devido aos "macetes" específicos de cada modelo, já que a aviação utiliza tecnologias consolidadas há décadas, como carburadores e afogadores, que não permitem erros no acionamento.</p><h3>Os desafios de cruzar o mundo em um avião monomotor</h3><p>A missão mais recente do Comandante foi um marco. "A mais longa de todas foi uma que eu fiz agora, mês passado. Cheguei da Austrália. Fiz Austrália - Brasil com um aviãozinho monomotor pequeno, atravessando cinco continentes". A jornada começou em Gold Coast e exigiu passagens pela Indonésia, onde o piloto chegou a avistar vulcões em atividade. Cruzar a Austrália inteira levou 14 horas, seguido por mais 7 horas até a Indonésia.</p><p>Voar em um avião monomotor em travessias globais significa estar refém da meteorologia de forma muito mais intensa do que em um jato comercial. Em aeronaves não pressurizadas, o teto operacional é limitado, geralmente em torno de 17.000 pés, o que impede o piloto de voar acima de grandes formações de nuvens ou tempestades. Isso exige que o profissional saiba ler o clima com precisão para evitar o maior inimigo dos aviões pequenos: o gelo.</p><p>A experiência na Groenlândia foi um dos pontos críticos citados na entrevista, inclusive. Em um vilarejo de apenas 125 habitantes, Mário Jorge ficou retido por oito dias por conta de nevascas severas. Em uma das noites, ventos de 170 km/h quase arrastaram o avião para o oceano, mesmo estando amarrado a argolas no solo. "Eu tinha amarrado o avião... esse dia ele sairia voando. Juro, ele voaria, ele voaria. Lá já teve história, inclusive de avião que foi indo pro lado e entrou dentro da baia", relatou o comandante.</p><h3>Tecnologia e segurança no trabalho de um piloto de translado</h3><p>Para amenizar os riscos de voar sozinho sobre oceanos e desertos, o piloto de translado moderno utiliza tecnologia de ponta. Mário Jorge destaca o uso da Starlink para manter a segurança do voo, permitindo que ele verifique o clima em tempo real nos aeroportos de destino e alternativa, além de solicitar autorizações de sobrevoo de forma ágil. Além da internet, ele carrega kits de sobrevivência, botes e o inseparável SOS da Garmin para localização em tempo real.</p><p>A segurança na aviação geral, embora menos burocrática que a comercial, é extremamente rígida no Brasil. Segundo Mário Jorge e Fernando de Borthole na entrevista com Igor 3K, o país segue normas internacionais que tornam a fiscalização constante. No entanto, o que realmente mantém um piloto vivo em situações críticas é o lema pessoal: "calma e elegância. [...] calma e elegância, está tudo certo. Aí você fica calmo, você consegue pensar o que fazer”. </p><p>Mário Jorge, inclusive, já planeja seu próximo grande passo: o projeto "Brasileirinho". Ele pretende realizar uma volta ao mundo completa este ano, acompanhado por um cineasta, para documentar as paisagens globais e mostrar que, com paciência e planejamento, é possível chegar a qualquer lugar. "Eu vou dar uma volta ao mundo, inclusive esse ano ainda”. </p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/5-continentes-em-monomotor--a-vida-de-um-piloto-de-translado.html</link><dc:creator>Rian Fernandes</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Rian Fernandes</author><keywords>Flow Podcast, piloto de translado, Igor 3K, O Comandante, Mário Jorge, Fernando de Barthole</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">697cfb9ff6f8db5a28ea6284</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:27:38 +0000</pubDate><title>&quot;Macron achou brigadeiro muito doce&quot;: Paul revela os perrengues</title><description>Humorista francês viajou no avião presidencial, explicou o que é CPF para diplomatas e descobriu que Igor jogou fora presente caríssimo do Eliseu.</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/b8/kc/7o/b8kc7oj9e6rozf8tpzr8d79c2.jpg"><figcaption>Paul Cabannes participa do Flow Podcast<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p>Sabe aquela história de que a realidade supera a ficção? Pois é. <strong>Paul Cabannes</strong> chegou no <strong>Flow Podcast</strong> com relatos tão absurdos da sua viagem na comitiva de <strong>Emmanuel Macron</strong> que até o <strong>Igor 3K</strong> ficou sem palavras. E olha que estamos falando de um episódio onde um humorista francês teve que explicar o que é CPF para diplomatas europeus enquanto voava no avião presidencial da França. Sim, você leu certo.</p><p>Mas o plot twist mesmo começa com uma xícara. Aquela xícara que Igor achou que valia 2 reais da 25 de março e quase jogou fora? Era do Palácio do Eliseu, tipo, a casa oficial do presidente da França. O equivalente ao Palácio da Alvorada, mas com mais história e uns 300 anos a mais de tradição. Igor desprezou um presente diplomático oficial achando que era tralha. A cara dele quando descobriu a verdade foi impagável.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/VBFukuopE7U" frameborder="0"></iframe><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VBFukuopE7U" target="_blank" rel="noopener nofollow">O episódio #554</a> virou praticamente um manual de "como um humorista sobrevive entre diplomatas sem fazer merda" - e Paul quase não conseguiu. Entre gafes culturais do próprio Macron (spoiler: ele chegou no horário numa festa brasileira) e momentos surreais no meio da comitiva oficial, essa conversa é puro entretenimento com pitadas de geopolítica acidental.</p><h3>O momento que Igor percebeu que vacilou FEIO</h3><p>Vamos contextualizar a treta da xícara. No aniversário de Igor 3K, Paul apareceu com um presente embrulhado. O apresentador abriu, viu uma xícara branca meio simples e internamente pensou: "Véi, o cara pegou qualquer coisa em casa correndo". A decepção foi tanta que Igor nem disfarçou direito. "Eu achei que você tinha comprado na 25 de março por 2 reais", confessou o apresentador, completamente sem filtro.</p><p>Plot twist: não era qualquer xícara. Era uma peça oficial do Palácio do Eliseu, aquelas que só quem é íntimo da presidência francesa consegue. Paul explicou com a paciência de quem já esperava essa reação: "É uma xícara do Palácio do Eliseu, que é o equivalente ao Alvorada". A ficha caiu. Igor tem em casa um item que colecionadores de memorabilia política pagariam caro - e ele quase doou para o Uber.</p><p>A melhor parte? Paul prometeu trazer uma nova caneca agora, mas dessa vez de um vereador de Sorocaba, só para zoar a situação. É o tipo de revanche silenciosa que só um humorista consegue bolar.</p><h3>Quando você vira conselheiro político sem querer</h3><p>Agora imagina a cena: você é um humorista, tá de boa fazendo seus vídeos na internet, e de repente está dentro do avião presidencial da França rodeado por 60 diplomatas, conselheiros e seguranças. Foi exatamente isso que aconteceu com Paul durante três dias de viagem oficial.</p><p>O problema? Ninguém sabia quem ele era. A galera da comitiva achava que Paul era algum assessor político da embaixada brasileira. E aí começou o show de horrores. Diplomatas franceses vinham perguntar as paradas mais aleatórias sobre o Brasil: "Como funciona o Pix? E o CPF, serve pra quê?"</p><p>Paul, de terno, tentando parecer profissional, teve que segurar a vontade de fazer piada e explicar seriamente que CPF é um cadastro para provar que você existe como cidadão brasileiro. "Eu não podia fazer piada tipo 'é um coração recheado', tinha que passar credibilidade", contou ele, morrendo por dentro.</p><p>O mais insano? A presidência francesa tem dossiês sobre TUDO. Assim como fazem com Lula, Bolsonaro e qualquer líder mundial, Macron recebeu uma "pastinha" com informações sobre Paul Cabannes antes de conhecê-lo. Imagine abrir um documento oficial do governo francês e ver "Paul Cabannes - humorista brasileiro - 2M de seguidores no Instagram". É geopolítica encontrando meme.</p><h3>A real sobre Macron no Brasil vs. Macron na França</h3><p>Aqui vem uma das revelações mais interessantes da entrevista. Enquanto no Brasil a gente vê Macron como essa figura glamourosa, quase uma celebridade europeia, na França a realidade é bem diferente. O cara tem 11% de aprovação no país dele. Isso mesmo, ONZE por cento. É menos que a margem de erro de pesquisa.</p><p>"Ele se sente muito amado aqui", revelou Paul. E não é exagero. Quando Macron visitou o Pelourinho em Salvador, ele literalmente caminhou por duas horas no meio da galera, tirando foto, conversando, vivendo. Na França? Impossível. O presidente é constantemente alvo de protestos, não consegue andar na rua sem esquema pesado de segurança.</p><p>Para Macron, o Brasil virou tipo um retiro espiritual, um lugar onde ele pode ser tratado como gente normal (ou melhor, como celebridade querida). "São um parênteses encantado", nas palavras de Paul. Basicamente, o presidente da França vem pro Brasil dar uma respirada do caos político francês.</p><p>O churrasco onde tudo deu errado (do jeito mais brasileiro possível) A história do churrasco na casa de Paul é ouro puro. Primeiro erro clássico: Macron chegou pontualmente ao meio-dia. Qualquer brasileiro sabe que churrasco marcado para meio-dia começa às 14h. O presidente da França não recebeu esse manual cultural.</p><p>Segundo erro: ele se empanturrou de linguiça e frango antes da picanha ficar pronta. É tipo chegar numa festa de aniversário e encher a barriga de salgadinho antes do bolo. Pecado mortal no código não-escrito do churrasco brasileiro.</p><p>Mas a gafe suprema, a que realmente dividiu opiniões, foi essa: Macron provou brigadeiro e achou muito doce. Recusou a iguaria nacional. O silêncio constrangedor que deve ter rolado naquele momento. É tipo um brasileiro ir na França e falar que croissant é seco demais. Algumas coisas não se faz.</p><p>Paul contou tudo isso com o timing perfeito de quem sabe que essas histórias humanizam as figuras políticas. No final, mesmo sendo presidente de uma potência mundial, Macron é só mais um gringo tentando entender por que brasileiro marca festa para um horário mas começa em outro.</p><h3>Assista ao conteúdo completo!</h3><p>E esses foram só os melhores momentos. No episódio completo, Paul ainda fala sobre as diferenças entre o humor francês e brasileiro, revela mais detalhes da dinâmica dentro da comitiva presidencial e conta outras pérolas sobre o choque cultural entre Europa e Brasil.</p><p>Se você curte histórias absurdas que realmente aconteceram, esse Flow vale cada minuto dos seus 2h46. O episódio #554 com Paul Cabannes está no canal do Flow Podcast no YouTube!</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/-macron-achou-brigadeiro-muito-doce---paul-revela-os-perrengues.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Emmanuel Macron, Igor 3K, Paul Cabannes, Flow News</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">697d02df1c81445304f9c925</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:24:57 +0000</pubDate><title>&quot;Nunca mais volto&quot;: Dudufit revela uso de trembolona aos 19</title><description>No Flow, ele admite dependência vitalícia de hormônios e provoca rival Gunley com chaveiro polêmico</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/18/za/8b/18za8bz2ryoygfmpxiwvqz8y7.jpg"><figcaption>Igor 3K entre Mahhtla (natural) e Dudufit (hormonizado) no Flow Podcast #555, onde rolou de tudo: confissões sobre trembolona, chaveiro do rival Gunley e revelação de prêmio de 100 mil reais<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p><strong>Dudufit</strong>, aos 19 anos, soltou a real mais crua que você vai ouvir hoje: depois que começou a usar <strong>esteroides</strong>, nunca mais pretende voltar a ser natural. E não foi aquele papo politicamente correto de "ah, cada um faz o que quer" não. O cara foi direto: "É outra coisa, mano. Eu nunca mais volto a ser natural na minha vida, não tem nem como". Do lado dele, <strong>Mahhtla</strong>, também de 19 anos, representa o oposto total. Natural, paciente, focado na longevidade. Duas pessoas da mesma geração que escolheram caminhos completamente diferentes na maromba.</p><p>No <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Sf8WBmguEk&list=PLWieWKZeFoVTAmITEhTfOpt-urqXw_pvS" target="_blank" rel="noopener nofollow"><strong>Flow Podcast #555, Igor 3K</strong> </a>recebeu a dupla que tá viralizando como a "nova geração do fisiculturismo brasileiro". E se você achava que ia rolar aquele papo genérico de dieta e treino, errou feio. A conversa descambou para confissões sobre trembolona, compulsão alimentar, treta de internet materializada em chaveiro e até a revelação de um campeonato que vai pagar 100 mil reais pra quem ganhar. Sim, você leu certo.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/8Sf8WBmguEk" frameborder="0"></iframe><p>O episódio expõe sem filtro o que ninguém costuma falar: o lado sombrio da busca pelo corpo perfeito, a pressão das redes sociais e como a rivalidade virtual com o influenciador Gunley virou combustível pra audiência. E tem plot twist no meio disso tudo.</p><h3>O momento que dividiu a internet</h3><p>Quando Igor perguntou sobre a diferença entre treinar natural e hormonizado, Dudu não economizou na sinceridade. Ele explicou que a testosterona "é a única coisa que faz você ser homem realmente" e que ficar sem a substância te deixa "melancólico, sem motivação, um lixo". Polêmico? Sim. Mas é exatamente esse tipo de declaração sem filtro que faz o Flow ser o Flow.</p><p>E aí vem o Mahhtla com o contraponto perfeito. Enquanto o parceiro admite que tá usando até trembolona (um dos esteroides mais pesados) antes dos 20 anos, ele explica por que tá segurando a onda. "Eu não tenho pressa, sabe? Tô conseguindo evoluir muito de maneira natural". O cara quer conquistar campeonatos naturais primeiro, construir uma base sólida, pra só depois entrar no mundo dos hormônios. É tipo assistir ao anjo e ao diabinho no ombro debatendo ao vivo.</p><h3>O chaveiro que virou símbolo de uma treta épica</h3><p>Mas se você acha que o episódio é só papo sério sobre anabolizantes, relaxa. Tem comédia também. E das boas. Dudu mostrou pro Igor um chaveiro com a foto de um bebê que ele carrega no bolso. Detalhe: o bebê representa o Gunley, o rival dele na internet. A história por trás disso é bizarra e genial ao mesmo tempo.</p><p>Aparentemente, Gunley fez um vídeo ameaçando o Dudu com aquela frase clássica de stalker: "Cuidado que enquanto você tiver dormindo, eu vou estar lá". Em vez de ficar com medo, Dudu transformou a ameaça em piada. Pegou a foto do rival caracterizado de bebê (daquele filme "A Morte Te Dá Parabéns"), imprimiu num chaveiro e agora leva o cara literalmente no bolso. Igor 3K não aguentou de rir e até ganhou um chaveiro de presente pra botar na bolsa.</p><p>A treta entre os dois começou lá no TikTok, com comentários sobre humildade e arrogância. Virou desafio de luta, aposta de 20 mil reais e agora tá nesse nível de provocação criativa. Dudu assumiu o papel de "arrogante" da história e tá adorando. "Ele me chamou de arrogante, aí eu virei o arrogante mesmo. E ele virou o Mr. Carisma, né, o humilde". É marketing puro, mas funciona.</p><h3>A confissão que ninguém esperava ouvir</h3><p>Agora vem a parte pesada. Sabe quando o Dudu perdeu aquele campeonato famoso pro Gunley? Ele revelou o verdadeiro motivo. E não foi falta de treino nem genética ruim não. Foi compulsão alimentar. Na véspera da competição, o cara teve um surto e comeu um pacote inteiro de aveia crua com água e adoçante. Isso mesmo. Aveia. Crua.</p><p>"Foi a minha primeira competição, eu não sabia o que era dieta direito", ele admitiu. E continuou: se não tivesse comido aquela aveia, ele teria ganhado. Igor não perdoou e zoou na hora: "Não, você que falou mano, tinha perdido do mesmo jeito". Mas a confissão expõe algo sério: os transtornos alimentares que rondam o mundo do fisiculturismo, especialmente entre os mais jovens que tão começando agora.</p><p>Dudu também abriu o jogo sobre o bullying que sofria na escola por ser gordo. Essa pressão estética que começou na infância provavelmente ajudou a moldar a obsessão dele por um corpo extremo hoje. É aquele ciclo clássico: sofre bullying, vira o cara mais forte da sala, mas a insegurança nunca vai embora de verdade.</p><h3>A revolução que está por vir</h3><p>E aí que o episódio traz uma novidade bombástica. Os dois revelaram que vão participar de um projeto chamado Legacy, um campeonato de fisiculturismo que vai pagar até 100 mil reais pro vencedor. Isso é inédito no Brasil, onde a maioria das competições mal cobre os custos dos atletas.</p><p>"Nem competição gringa dá direito, tá ligado?", Dudu comentou. E Mahhtla completou: "Competição brasileira não valoriza nenhum atleta basicamente". O formato vai ser de equipes, tipo um reality show misturado com campeonato, e promete mexer com o cenário nacional. Pra quem tá chegando agora, é uma oportunidade real de ganhar dinheiro fazendo o que gosta.</p><p>Os dois foram transparentes também sobre o fato de que hoje não dá pra ser só atleta. Você precisa ser influenciador, criar conteúdo, ter carisma. O físico sozinho não paga as contas. "O bodybuilding hoje não funciona sem a parte da mídia", Mahhtla explicou. É a realidade crua do esporte no Brasil.</p><h3>Por que você precisa assistir ao episódio completo</h3><p>Esse foi só o aperitivo. No episódio completo, rola muito mais: Dudu conta como o pai dele aplicava as injeções no começo (sim, o pai!), Mahhtla explica por que tem medo de agulha mas vai ter que superar isso, os dois falam sobre atração de gays na DM (e a zoeira que vem junto), e ainda tem a parte onde eles discutem se gritar no treino é coisa de idiota ou motivação real.</p><p>Tem também a história do Dudu sendo gamer viciado em League of Legends e Fortnite antes de virar marombeiro, a explicação técnica sobre a categoria Classic Physique que o Mahhtla compete, e a referência ao Ramon Dino como a maior genética do Brasil. Ah, e o Igor pergunta se eles gostam de "levar ferro por trás" com aquela cara de paisagem. Você precisa ver a reação deles.</p><p>Se você curte conteúdo sem frescura, onde os caras falam a real mesmo que seja polêmico, esse episódio é obrigatório. É raro ver influenciadores da Gen Z sendo tão transparentes sobre os bastidores, os erros e as escolhas que fazem. Vale cada minuto.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/-nunca-mais-volto---dudufit-revela-uso-de-trembolona-aos-19.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Igor 3K, Dudufit, Mahhtla, esteroides</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">697d07721c81445304f9c935</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:24:49 +0000</pubDate><title>&quot;Peguei com a pazinha&quot;: Fahur revela trauma das rodovias</title><description>Deputado Federal e lenda da Rotam conta histórias chocantes, defende Bolsonaro e explica de vez o &quot;bandido bom é bandido morto&quot; no Flow</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/3c/ps/69/3cps69jwerh5hwxwy8qi0sncq.jpg"><figcaption>Sargento Fahur, Castro e Nantes no estúdio do Flow Podcast: três gerações de policiais linha dura contando histórias que você não vai esquecer tão cedo<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p>Tem conversa que você senta pra assistir e já sabe que vai ser pesado. O <strong>Flow #550</strong> reuniu três gerações de sargentos linha dura - <strong>Fahur</strong>, <strong>Castro</strong> e <strong>Nantes</strong> - e cara, o negócio descambou entre histórias hilárias de caserna e relatos tão pesados que te fazem repensar se você realmente quer saber o que rola nas estradas brasileiras de madrugada.</p><p>Sargento Fahur, o deputado federal que virou meme na internet por suas frases de efeito e posições firmes sobre segurança pública, não decepcionou. Com 35 anos de Polícia Rodoviária nas costas e agora atuando no Congresso, o cara chegou no estúdio do Igor com aquela energia de quem já viu de tudo - e contou tudo mesmo.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/tueyOL4eo78" frameborder="0"></iframe><p>A parada começou relativamente tranquila, mas já dava pra sentir que tinha treta guardada. E aí que vem o primeiro momento que calou o estúdio...</p><h3>O dia que a rodovia virou pesadelo</h3><p>Sabe aquela frase "você não está preparado para o que vou contar"? Pois é. Fahur soltou um relato que mexe com qualquer um: um acidente brutal envolvendo um motociclista e um idoso japonês. A cena foi tão violenta que decepou a perna da vítima. E aí você pensa "nossa, que horror" e acha que acabou. Não acabou.</p><p>De madrugada, o delegado liga pro Fahur: "Tô querendo a perna do homem aqui". E o sargento, com aquela frieza que só quem trabalha 35 anos em rodovia tem, responde: "Tem um couro aqui, junta aí com a pazinha e traz".</p><p>Igor reagiu igual a gente assistindo em casa: "Mas aí tu foi lá e juntou com a pazinha, Fahur?". A resposta dele mostra o quanto esses caras precisam criar uma casca grossa pra aguentar o trampo. Não é frieza por maldade - é sobrevivência emocional. E essa é só a ponta do iceberg das histórias que rolaram no episódio.</p><h3>A apreensão que ninguém esperava</h3><p>Mas calma, porque nem tudo é peso. Uma das histórias que mais tem potencial de virar corte viral em todo canto é a do pinto de borracha gigante. Sim, você leu certo.</p><p>Fahur conta que numa apreensão de mercadorias contrabandeadas de sex shop, ele acabou levando pra casa um "brinquedo" do tamanho... bem, grande. Muito grande. Guardou no guarda-roupa e esqueceu. Até que no dia seguinte, chama o marceneiro amigo pra arrumar um problema no móvel. O cara abre e... boom.</p><p>"Tonhão, eu posso explicar?", tentou se justificar Fahur. A resposta do marceneiro? "Eu espero! Aquele pint# desse tamanho, rapaz!". Os sargentos explodiram de rir relembrando, e você vai rir também quando assistir. É o tipo de história que humaniza esses caras que a gente só vê na seriedade da farda.</p><h3>Quando a política entra em cena</h3><p>Aí você pode estar pensando: "beleza, mas cadê a polêmica que eu vim buscar?". Segura que vem treta. No finalzinho do papo, Fahur foi direto ao ponto sobre Bolsonaro e o famoso 8 de Janeiro.</p><p>Olhando direto pro Igor, o deputado disparou: "Na minha concepção ele não comandou, não chefiou porra de golpe nenhuma". E não parou aí. Fahur foi além, detonando o STF, citando Alexandre de Moraes e Dino, e fazendo aquela defesa apaixonada que divide a internet ao meio.</p><p>A visão dele é clara: Bolsonaro está sendo perseguido por um sistema que ele enfrentou. "Se você fala pra mim que o Bolsonaro foi preso com 500 mil dentro de uma mala, não tem justificativa, eu tinha que baixar minha bola. Mas não, eu entendo que ele tá perseguido", explicou o sargento. Pode concordar ou discordar, mas uma coisa é certa: o cara não tem papas na língua e joga na mesa o que pensa, sem filtro. Exatamente o que se espera dele.</p><h3>"Ladrão bom é ladrão morto" - explicado</h3><p>Uma das frases mais polêmicas que tornaram Fahur viral finalmente ganhou uma explicação completa no Flow. E olha, tem nuance.</p><p>"Quando o Fahur fala 'ladrão bom é ladrão morto', eu quero deixar bem claro", começou ele. A parada é: pra ele, tem dois significados. O cara que era bandido e saiu do crime, voltou pra sociedade, "matou o ladrão que tinha dentro dele" - esse é ladrão bom porque o ladrão morreu.</p><p>Agora, se o cara resistir à prisão? Aí vai na literalidade da palavra. "Resistiu? É saco. Resistiu? É saco", finalizou, enquanto Igor brincava: "Que bonitinho! Vai tomar no..., sou legal"*.</p><p>É aquela filosofia linha dura que marca a trajetória do sargento, mas que ele fez questão de explicar que não é pura e simples defesa de violência gratuita.</p><h3>Os bastidores da caserna</h3><p>Pra equilibrar o clima pesado, os três sargentos contaram causos épicos da vida em alojamento. Castro relatou a vez que encheu a marmita de um colega com areia só pra zoar. Nantes trouxe a perspectiva do policial mais jovem, ainda na ativa, mostrando que a cultura da zoeira continua viva.</p><p>E tem a história do Fahur parando de beber. Em 1979, ele foi preso disciplinarmente por 15 dias por estar bebendo fora de serviço. Desde aquele dia, nunca mais tocou em álcool. "A cachaça quando ela não mata, ela humilha", filosofou.</p><h3>Vale assistir?</h3><p>E esse foi só o aperitivo. No episódio completo de quase 3 horas, a galera ainda fala sobre Lei Seca, perfil ideal pra entrar na polícia hoje, educação dos filhos (com opiniões MUITO polêmicas do Castro sobre palmada), e mais histórias de rodovia que vão do engraçado ao perturbador.</p><p>Se você curte papo sem filtro, histórias reais que parecem filme e opiniões fortes sobre o Brasil de hoje, esse episódio é pra você. É uma aula sobre o que significa estar na linha de frente da segurança pública - com todo o humor, trauma e filosofia questionável que vem junto.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/-peguei-com-a-pazinha---fahur-revela-trauma-das-rodovias.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Fahur, Castro, Nantes, Flow550</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">697d0a67f6f8db5a28ea629c</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:23:47 +0000</pubDate><title>Castro adota tom duro ao comentar desafios da educação</title><description>Ex-sargento virou podcaster e não tem medo de polêmica - defende palmada, conta zoeira pesada da caserna e detona geração &quot;héterofeminada&quot;</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/dm/ki/ez/dmkieztb2pzxyq2h572ixt7bu.jpg"><figcaption>Ex-sargento virou podcaster e não tem medo de polêmica - defende palmada, conta zoeira pesada da caserna e detona geração 'héterofeminada'<span class="copyright">Reprodução/Youtube - Flow </span></figcaption></figure><p>Tem gente que entra no <strong>Flow</strong> e você já sabe que vai dar treta. <strong>Sargento Castro</strong>, o ex-militar que trocou a farda pelo microfone e hoje é criador de conteúdo, chegou no episódio #550 sem freio, sem filtro e principalmente sem medo de cancelamento. E olha, o cara entregou exatamente o que prometeu.</p><p>Enquanto Fahur (o deputado federal viral) e Nantes (o policial da nova geração) completavam o trio de sargentos linha dura, foi Castro quem soltou as opiniões mais explosivas da noite. Do tipo que vai ter textão nos dois lados das trincheiras da internet.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/tueyOL4eo78" frameborder="0"></iframe><p>Logo de cara dava pra sentir a energia: três gerações de polícia, cada um com seu estilo, mas todos com aquele papo de caserna sem papas na língua. Só que Castro... cara, o Castro veio pra incomodar mesmo.</p><h3>A polêmica que vai explodir a internet</h3><p>Educação de filhos. Esse foi o tema que fez Castro cravar sua posição de forma tão direta que até Igor ficou de olho arregalado. "Esse negócio de 'ai não pode bater no filho' - o caralho que não pode bater, velho!", disparou o ex-sargento.</p><p>E não parou por aí. Castro foi fundo na argumentação dele sobre o que considera o "direito líquido e certo do pai" de dar palmada nos filhos. Na visão dele, a geração atual está criando uma molecada sem limites justamente porque os pais perderam a autoridade.</p><p>"Se o cara é um pai... esses aí não pode bater no filho, não pode bater...", continuou, claramente irritado com o que considera um excesso de protecionismo. É aquela opinião old school que vai fazer metade da galera bater palma e a outra metade pegar o celular pra escrever textão de revolta.</p><p>Concorde ou não, uma coisa é certa: Castro joga na mesa o que muita gente pensa mas tem medo de falar alto. E ele não tá nem aí.</p><h3>O ataque à "geração frágil"</h3><p>Mas a tacada de Castro sobre educação não foi isolada. Ele aproveitou pra cutucar o que chamou de uma geração de homens "héterofeminados". Sim, ele inventou essa categoria.</p><p>"Agora tem uma parte de cara... mano, que porra que é essa, mano?", questionou, visivelmente incomodado com o que considera uma mudança no padrão de masculinidade. É o tipo de comentário que vai render corte no TikTok, textão no Twitter e briga de família no WhatsApp.</p><p>A visão de Castro é clara: ele vem de uma geração onde as coisas eram mais "brutas", onde recruta queria "dar tiro e cachorro na rua" (frase dele mesmo), e ele não esconde que acha que alguma coisa se perdeu no caminho.</p><h3>A zoeira brutal da caserna</h3><p>Mas calma, porque nem tudo é discurso pesado. Uma das histórias mais engraçadas da noite veio justamente do Castro, mostrando o lado sacana da vida militar.</p><p>A cena: alojamento da polícia, aquele ambiente de irmandade mas também de zoeira sem limites. Castro tinha um colega apelidado de "Miguelão" que ele decidiu trollar de um jeito que só policial pensa. O plano? Encher a marmita do cara de areia. Isso mesmo. Areia pura. E esperar pra ver a reação na hora do almoço.</p><p>É o tipo de humor negro e sacana que marca a cultura da caserna - aquele ambiente onde você precisa aguentar pressão e ainda lidar com os "amigos" te zoando 24 horas por dia. Quem já serviu sabe: quanto mais zoado você é, mais querido você é.</p><h3>O policial que virou influencer</h3><p>O que torna Castro especialmente interessante nesse trio é a transição dele. Ex-sargento, especialista em segurança, hoje criador de conteúdo e podcaster. O cara pegou toda aquela vivência de rua, de confronto, de situações extremas, e transformou em conteúdo digital.</p><p>E diferente de muita gente que suaviza o discurso quando ganha audiência, Castro fez o oposto: ele usa o microfone pra falar ainda mais alto as paradas que sempre pensou. É a figura do policial linha dura que encontrou na internet um megafone.</p><p>Durante o papo, dá pra sentir que ele tá confortável nesse novo papel. Conta histórias, opina sobre política, cutuca onde dói e não demonstra medo nenhum de perder seguidor. É o anti-marketeiro digital.</p><h3>"Recruta quer dar tiro e cachorro na rua"</h3><p>Uma das frases que Castro soltou e que resume bem a mentalidade dele sobre formação policial: "Recruta quer dar tiro e cachorro na rua".</p><p>Ele tava falando sobre o perfil de quem entra na polícia hoje versus antigamente. Na visão dele, tinha mais vocação, mais vontade genuína de estar na rua, de enfrentar o crime de verdade. Hoje, segundo sua análise, tem muito "concurseiro" que passa mas não tem a gana necessária.</p><p>É uma crítica dura ao sistema de formação atual, mas que vem de alguém que viveu décadas na ativa e viu as mudanças acontecerem de perto.</p><h3>Entre o humor e a polêmica</h3><p>O grande lance do Castro no episódio é esse: ele transita entre a zoeira pesada e a opinião controversa sem mudar o tom. Um minuto tá contando história hilária de caserna, no outro tá defendendo métodos educativos que fariam pedagogo ter um treco.</p><p>E ele faz isso com uma tranquilidade de quem realmente não tá preocupado com as consequências. É sinceridade bruta, sem filtro corporativo, sem medo de perder patrocínio. O que você vê é o que você leva.</p><p>Fahur pode ser o viral, Nantes pode ser a nova geração, mas Castro é o cara que fala o que muita gente só comenta no grupo fechado do Telegram.</p><h3>Vale seu play?</h3><p>Se você quer entender como pensa uma parte significativa das forças de segurança no Brasil, esse episódio é obrigatório. Castro não representa todos os policiais, óbvio, mas ele representa uma corrente forte - aquela que acha que o Brasil tá suavizando demais, que tá perdendo autoridade, que precisa voltar a ter pulso firme.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tueyOL4eo78&list=PLWieWKZeFoVRmUNn9KA2dVpQswo19QkwQ&index=8" target="_blank" rel="noopener nofollow">No episódio completo</a>, o trio ainda discute Lei Seca, histórias chocantes de rodovia (cortesia do Fahur), a realidade das abordagens policiais e muito mais. São quase 3 horas de papo que vai do engraçado ao perturbador, do nostálgico ao polêmico.</p><p>Você não vai concordar com tudo. Provavelmente vai ficar puto com alguma coisa. Mas vai entender melhor o Brasil real, longe das bolhas ideológicas. E no fim, não é pra isso que serve o Flow?</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-02-17/castro-adota-tom-duro-ao-comentar-desafios-da-educacao.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Reprodução/Youtube - Flow </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Sargento Castro, Fahur, Nantes, Educação</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">698e8e8de12ce0542c09f22f</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:17:54 +0000</pubDate><title>&quot;Rato comendo rato&quot;: deputado detona guerra na direita no Flow</title><description>Glauber Braga expõe disputa entre Nikolas Ferreira e família Bolsonaro enquanto Tramontina revela esquema bilionário do Banco Master</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/bm/8g/qs/bm8gqstroklgzeh35gd28ijwp.jpg"><figcaption>Igor 3K e Carlos Tramontina recebem Glauber Braga, Olívia Carneiro e Lucas Pavanato no episódio mais polêmico do Flow News, que expôs desde fraudes bilionárias até disputas internas na extrema-direita<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p>Você acha que a direita brasileira é unida? Pensa de novo. No <strong>Flow News</strong> #029, o deputado <strong>Glauber Braga</strong> (PSOL-RJ) soltou uma das frases mais pesadas do ano: "é rato comendo rato". Ele tava falando da famosa caminhada de <strong>Nikolas Ferreira</strong> até <strong>Brasília</strong>, e segundo ele, aquilo não era apoio ao Bolsonaro não. Era pura disputa de poder dentro do que ele chama de extrema-direita.</p><p>E não para por aí. Enquanto a galera debatia quem manda mais na direita, Carlos Tramontina e a economista Olívia Carneiro detonaram um escândalo financeiro que tá deixando o Brasil de cabelo em pé: o esquema do Banco Master, que pode envolver ministros do STF, bilhões desviados e uma fraude que vai fazer todo mundo pagar a conta.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/Fz-LIJHwbVI" frameborder="0"></iframe><p>Ah, e teve Lucas Pavanato, aliado de Nikolas, tentando se defender das críticas sobre o raio que caiu na manifestação e feriu pessoas. Resumindo: foi treta, denúncia e revelação bombástica do começo ao fim. Bora entender essa loucura?</p><h3>A guerra interna que ninguém esperava</h3><p>Quando Glauber Braga sentou no Flow News, ninguém imaginava que ele ia ser TÃO direto. O deputado do PSOL analisou a caminhada de Nikolas Ferreira como uma jogada política pra desbancar a família Bolsonaro do trono da extrema-direita. Nas palavras dele: "o Nikolas Ferreira dá uma cagada pro Eduardo Bolsonaro como se ele tivesse atrapalhando o almoço".</p><p>E aí ele soltou a frase que já tá viralizando: "é rato comendo rato essa é a disputa, o Nikolas Ferreira sai fortalecido dessa disputa junto à extrema direita nessa disputa com a família Bolsonaro". Cara, a sinceridade foi tanta que até Igor e Tramontina ficaram em silêncio por uns segundos processando.</p><p>Glauber deixou claro que, na visão dele, Nikolas tá se cacifando como o novo líder dos que ele chamou de fascistas. E que a caminhada toda foi uma forma de mostrar força própria, não de apoiar o ex-presidente. Plot twist total na narrativa que todo mundo conhecia.</p><h3>O golpe do Banco Master que vai te deixar puto</h3><p class="   ">Mas se você acha que a treta política foi pesada, espera até ouvir sobre o Banco Master. Tramontina começou o programa já nervoso: "parece que esse daqui é o tipo de merda que quanto mais mexe mais fede". E ele não tava exagerando.</p><p>Olívia Carneiro explicou de um jeito que até sua vó entenderia: "O Banco Master foi criando o mundo em cima do vazio". Basicamente, o banco comprava dívidas podres (aquelas que ninguém vai pagar nunca) e registrava como se fossem ativos valiosos. Com isso, inflava o patrimônio e oferecia rendimentos absurdos pros clientes - tipo 140% do CDI. Óbvio que era pirâmide, né?</p><p>E aqui vem o pior: pra se proteger e continuar o esquema, o dono Daniel Vorcaro foi amarrando gente poderosa no negócio. Ex-ministros da Fazenda, políticos, etc. </p><h3>Quando o STF vira personagem do escândalo</h3><p>Ó a bomba: a esposa de Alexandre de Moraes tinha um contrato de 3,6 milhões com o Banco Master. Os irmãos de Dias Toffoli apareceram em transações suspeitas envolvendo um resort. E Tramontina não perdoou: "explica para mim como é que quem tem dinheiro para entrar num negócio de investimento e depois vende a sua parte e recebe milhões mora numa casa muito simples".</p><p>A lista de gente envolvida parece aqueles memes de "quanto mais você olha, pior fica": Michel Temer, Henrique Meirelles, Guido Mantega... Todos faziam parte do Conselho Consultivo do banco. E olha que ironia, o banco tava podre e eles lá "aconselhando".</p><p>Igor 3K resumiu o sentimento geral: "tá todo mundo ficando de saco cheio" dessa corrupção sistêmica que nunca acaba. E a conta? Ah, a conta quem vai pagar somos nós. Olívia explicou que essa fraude vai encarecer o crédito pra todo mundo. "É muito bonitinho que vamos todos pagar a conta de cartão de crédito de Daniel Vorcaro não é 1 milhão por mês", ela ironizou.</p><h3>O raio, a polêmica e o cara de pau</h3><p>Aí entra Lucas Pavanato, vereador e ativista bolsonarista que participou da caminhada de Nikolas. O cara veio pra se defender das críticas sobre o acidente do raio que feriu pessoas na manifestação. E olha, a defesa dele foi... ousada.</p><p>Pavanato jogou tudo na conta de "caso fortuito" e acusou a mídia de só ter dado atenção ao evento por causa da tragédia: "a mídia só se pronunciou e só deu a cobertura devido ao evento quando aconteceu uma tragédia isso mostra muito do envenenamento da mídia".</p><p>Tramontina não deixou barato e pressionou sobre a responsabilidade da organização em garantir segurança. A tensão rolou solta. E Igor aproveitou pra zoar: "tu é cara de pau hein tu andou os últimos 50 centavos da caminhada tu não foi de Minas até lá não". Pavanato admitiu que caminhou "uns 190 km" e não o percurso todo.</p><h3>E ainda teve história de cachorro que mexe com todo mundo</h3><p>No final do episódio, teve um momento mais pesado: a discussão sobre Orelha, um cachorro comunitário que foi espancado por adolescentes de classe média alta. Os suspeitos? Estavam nos Estados Unidos, na Disney. </p><p>Tramontina soltou uma reflexão que fica na cabeça: "o ser humano é capaz de coisas inacreditáveis para o bem e para o mal". Foi aquele momento de respiro necessário depois de tanta treta política e denúncia de corrupção.</p><p>E esse foi só o aperitivo. No episódio completo, o pessoal ainda fala sobre a liquidação do Banco Will, a situação dos pensionistas da Rio Previdência e até dá uma passada pelo vírus Nipah que tá rolando na Índia. Vale MUITO assistir pra entender a dimensão de cada escândalo!</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-02-17/-rato-comendo-rato---deputado-detona-guerra-na-direita-no-flow.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow News, Política, Glauber Braga, Nikolas Ferreira, Brasília</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">697cff441c81445304f9c91b</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:16:46 +0000</pubDate><title>Paul confessa: &quot;Não tomo banho depois da academia&quot;</title><description>Francês confirma o estereótipo, revela que academias na França não têm chuveiro e ensina técnica secreta para criticar brasileiro sem causar treta</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/1f/jt/he/1fjtheyovb1plyit08oldx070.jpg"><figcaption>Paul Cabannes detalha para Igor 3K e Osvaldo Barros as diferenças chocantes entre higiene francesa e brasileira<span class="copyright">Reprodução/Youtube - Flow </span></figcaption></figure><p>Prepare-se porque o que você vai ler agora vai te fazer questionar tudo sobre higiene pessoal. <strong>Paul Cabannes</strong> chegou no <strong>Flow Podcast</strong> e soltou a bomba que todo mundo suspeitava mas ninguém queria confirmar: francês realmente não toma banho direito. E não é lenda urbana não. O cara admitiu na lata que depois da academia ele só "se seca" e segue a vida. Sem chuveiro. Sem sabonete. Só uma toalhinha básica e tá tudo certo.</p><p>A reação de Igor 3K e Osvaldo Barros foi exatamente a que você tá tendo agora: uma mistura de choque, nojo e curiosidade mórbida. Mas Paul não parou por aí. Ele explicou que na França muitas academias nem TÊM chuveiro, e quando têm, ninguém usa. É tipo aquele bebedouro de shopping que tá lá só de enfeite.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/VBFukuopE7U" frameborder="0"></iframe><p class="  ">O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VBFukuopE7U" target="_blank" rel="noopener nofollow">episódio virou praticamente uma aula de antropologia maluca</a> sobre por que brasileiro é obcecado por banho e francês acha isso frescura. Spoiler: tem até teoria sobre Revolução Industrial e guerras mundiais no meio. Mas a parte mais genial mesmo foi quando Paul revelou a "técnica do sanduíche" - o método secreto que ele usa pra conseguir criticar brasileiro sem levar voadora. Porque convenhamos, criticar brasileiro é esporte de risco.</p><h3>O momento que todo mundo estava esperando</h3><p>Vamos direto ao ponto: sim, o estereótipo é real. Quando Igor perguntou sobre os hábitos pós-treino, Paul não enrolou. "Eu só me seco e vou embora", confessou sem peso na consciência. O silêncio que deve ter rolado no estúdio foi ensurdecedor.</p><p>Mas aí vem a explicação que deixa tudo ainda mais surreal. Segundo Paul, na Europa a galera tem uma tolerância muito maior com cheiro de corpo. Enquanto brasileiro sente aquele cheirinho de suor e já corre pro chuveiro, o francês tá de boa. "Um pouco de cheiro de pele da pessoa ali, vocês já acham insuportável", disse ele, diagnosticando que o brasileiro tem tolerância zero para odores naturais.</p><p>A justificativa histórica que ele deu é de chorar de rir. Paul mencionou desde ruas medievais estreitas que não deixavam o ar circular até racionamento de água nas guerras mundiais. Basicamente, a França tem desculpa pronta pra tudo. É tipo quando você não faz a lição de casa e inventa que o cachorro comeu, só que versão geopolítica.</p><h3>A teoria da "revanche histórica" do brasileiro</h3><p>Aqui é onde a parada fica filosófica. Paul tem uma teoria de que o brasileiro compensa o atraso da Revolução Industrial com higiene excessiva. É a "revanche histórica", nas palavras dele. Tipo assim: enquanto a Europa tava lá construindo fábricas e locomotivas, o Brasil ficou pra trás. Aí agora a gente se vinga tendo o hálito mais fresco do mundo.</p><p>Ele zoou pesado o fato de brasileiro escovar os dentes em público, até em restaurante. Pra ele, ver alguém usando fio dental na mesa depois do almoço é tipo assistir uma cirurgia ao vivo. Constrangedor, desnecessário, mas aparentemente necessário pros padrões brasileiros de higiene.</p><p>"Vocês compensam com hálito de hortelã", brincou Paul, provocando aquela risada desconfortável de quem sabe que é verdade. Enquanto na França a galera aceita um dente com resíduo de almoço, no Brasil você é praticamente excomungado socialmente se aparecer com bafo.</p><h3>A técnica ninja para criticar brasileiro sem morrer</h3><p>Depois de anos morando no Brasil, Paul percebeu algo crucial: brasileiro não aguenta crítica direta. A franqueza europeia que ele usava na França aqui vira sinônimo de grosseria. Aí o cara bolou um esquema genial que ele chama de "técnica do sanduíche".</p><p>A lógica é simples mas eficaz: você esconde a crítica (a carne) entre dois elogios (o pão). Paul deu um exemplo prático de como ele falaria mal de um relógio horroroso de um amigo sem causar treta: </p><ul><li>Elogio 1 (o pão): "Poxa, adorei o teu estilo, você tem muito estilo"</li><li>Crítica (a carne): "O relógio talvez pudesse ter uma cor menos filha da puta"</li><li>Elogio 2 (o pão de baixo): "Dito isso, a tatuagem combina bem com o conjunto"</li></ul><p>É praticamente uma engenharia emocional. Você empana a crítica em elogios até a pessoa nem perceber que você acabou de falar mal dela. Funciona porque no Brasil a vibe importa mais que o conteúdo, segundo Paul. Você pode falar qualquer coisa, desde que fale sorrindo.</p><h3>Educado mas com cara séria vs. grosso mas simpático</h3><p>A análise cultural mais interessante da entrevista foi sobre a diferença entre ser educado e ser simpático. Na França, todo mundo fala "por favor", "obrigado", "com licença" religiosamente, mas com a expressão facial de quem tá sendo assaltado. É a educação protocolar, aquela que aprendeu na escola mas não tem sentimento.</p><p>No Brasil é o oposto total. "O brasileiro liga pela tua energia e menos pela formação do conteúdo", explicou Paul. Aqui a galera nem sempre usa as palavras mágicas, mas te atende com um sorrisão de orelha a orelha que vale mais que mil "por favores" gelados.</p><p>Paul confessou que antes de vir pro Brasil, ele tinha orgulho de ter "cara de cu" - aquela expressão séria e fechada que na Europa passa seriedade e profissionalismo. Mas o Brasil "amoleceu" ele. Agora o cara sorri pra tudo, virou simpático demais pros padrões franceses. Basicamente, o Brasil corrompeu a seriedade europeia dele.</p><p>Mas tem limite. Ele ainda se choca com certas coisas, tipo ter que cobrar dívida de amigo "com um sorriso no rosto" pra não parecer rude. É uma ginástica social que só existe aqui. Na França você simplesmente fala "cadê meu dinheiro?" e pronto. No Brasil você tem que mandar mensagem com emoji, perguntar como tá a família, falar do tempo, aí no final, quase como quem não quer nada, mencionar aquela graninha que tá faltando.</p><p>No episódio completo, Paul ainda fala sobre outras diferenças bizarras entre França e Brasil, conta mais histórias constrangedoras de adaptação e explica por que brasileiro acha que todo mundo é melhor amigo depois de 5 minutos de conversa.</p><p>Se você curte entender por que a gente é do jeito que somos (e por que o resto do mundo nos acha malucos), esse <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VBFukuopE7U" target="_blank" rel="noopener nofollow">Flow #554</a> é obrigatório. Tá lá no YouTube do Flow Podcast esperando por você!</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/paul-confessa---nao-tomo-banho-depois-da-academia-.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Reprodução/Youtube - Flow </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Paul Cabannes, Igor 3K, Flow, Humorista francês, Osvaldo Barros</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6980b1dbf302aab126fd4f33</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:05:44 +0000</pubDate><title>&quot;Tiros na nuca&quot;: Nantes revela trauma que não sai da cabeça</title><description>O policial mais jovem do Flow #550 representa a nova geração da PM, defende Lei Seca e conta o caso de sequestro que mudou sua visão sobre o crime</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/b6/u4/gz/b6u4gzzuaswvb1rjrxyh53xwc.jpg"><figcaption>Sargento Nantes ao lado de Fahur e Castro: o PM da nova geração, ainda na ativa, equilibrando rua, ensino e redes sociais<span class="copyright">Reprodução/Youtube - Flow </span></figcaption></figure><p>No meio de dois titãs da velha guarda policial, <strong>Sargento Nantes</strong> chegou no <strong>Flow</strong> #550 representando algo diferente: a nova geração de <strong>PMs</strong> que cresceu entre a rua e as redes sociais. Ainda na ativa, instrutor e influenciador digital, o cara trouxe pro episódio a perspectiva de quem tá vivendo o caos das ruas brasileiras agora, em 2024, não só nas histórias de décadas atrás.</p><p>E cara, se você acha que por ser mais novo o papo ia ser mais leve, se enganou feio. Nantes soltou um relato que deixou até Fahur e Castro em silêncio - e olha que esses dois já viram de tudo.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/tueyOL4eo78" frameborder="0"></iframe><p>Enquanto os veteranos lembravam casos antigos com aquele distanciamento que só o tempo dá, Nantes trouxe a ferida ainda aberta. A diferença entre ouvir uma história de guerra de um aposentado e de um soldado que acabou de sair do campo de batalha.</p><h3>O caso que não sai da cabeça</h3><p>Tem momento no episódio que você percebe quando a conversa muda de tom. Foi assim quando Nantes começou a contar sobre um sequestro em Campinas que ele acompanhou. Uma menina japonesa, 24 anos, sequestrada. A família tentando negociar, a polícia trabalhando contra o relógio.</p><p>E aí vem a parte que te pega no estômago: ela foi encontrada morta. Com tiros na nuca.</p><p>A forma como Nantes conta é diferente dos veteranos. Não tem aquela casca grossa de quem já processou mil tragédias. Dá pra sentir que esse caso ainda dói. É o tipo de ocorrência que marca um policial pro resto da vida - aquela sensação de impotência, de ter chegado tarde demais, de uma vida jovem desperdiçada pela violência mais fria e calculada.</p><p>"Cara, quando você vê uma execução assim... dois tiros na nuca... é diferente", explicou Nantes, mostrando que por mais preparado que um PM seja, tem coisa que mexe com qualquer um. E deveria mexer mesmo.</p><h3>O policial da era digital</h3><p>O lance do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tueyOL4eo78" target="_blank" rel="noopener nofollow">Nantes </a>é que ele representa uma transição importante na corporação. Instrutor, influenciador digital, ainda na ativa - o cara equilibra três mundos ao mesmo tempo: a operação na rua, o ensino dos novos recrutas e a produção de conteúdo nas redes.</p><p>É a geração que entrou na PM já sabendo que ia ter que lidar com celular na cara durante abordagem, vídeo viralizando em segundos, cancelamento instantâneo. A parada mudou, e Nantes tá ali no meio dessa transformação.</p><p>Enquanto Fahur e Castro contavam como era "na época deles", Nantes mostrava como é hoje - o policial que precisa ser técnico, diplomático, comunicador e ainda manter a autoridade. É muito mais complexo do que parece.</p><h3>Defesa inesperada da Lei Seca</h3><p>Um dos momentos mais interessantes do Nantes no episódio foi quando ele bateu de frente com uma opinião impopular: "Eu sou 100% a favor da Lei Seca".</p><p>E olha, na moral? A argumentação dele fez sentido. "Na moral, um monte de gente reclama, mas eu vou falar: quando tem um acidente, é rápido para acontecer e é trágico", explicou o sargento.</p><p>É aquela visão de quem tá na rua agora, atendendo acidente toda semana, vendo família destruída por causa de gente que resolveu dirigir bêbado. Nantes não tá falando de teoria ou estatística - tá falando de corpo coberto com lençol na rodovia.</p><p>A galera reclama da blitz, do bafômetro, da "chateação". Mas Nantes trouxe o contraponto cru: o acidente com álcool envolvido é rápido e devastador. Não tem meio termo, não tem "só bebi uma cervejinha". Ou você não bebe e dirige, ou pode virar estatística - ou pior, transformar alguém em estatística.</p><h3>O contraste entre gerações</h3><p>Um dos rolês mais interessantes do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tueyOL4eo78" target="_blank" rel="noopener nofollow">episódio foi ver a dinâmica entre os três sargentos</a>. Fahur, com seus 35 anos de estrada, solto na aposentadoria e na política. Castro, já na reserva, virando criador de conteúdo. E Nantes, o único ainda na ativa, ainda vivendo o dia a dia da corporação.</p><p>Quando Fahur e Castro falavam "na nossa época", Nantes entrava com "mas hoje em dia...". E aí você vê as mudanças: os protocolos mais rígidos, a fiscalização maior, as câmeras em todo lugar, a pressão da opinião pública.</p><p>Ser policial em 2024 não é igual ser policial em 1990. E Nantes é a ponte entre essas realidades - ouviu as histórias lendárias dos veteranos, mas vive a pressão da polícia moderna.</p><h3>O instrutor que forma a próxima geração</h3><p>Outro ponto importante: Nantes não tá só na rua. Ele é instrutor. Ou seja, é ele que tá moldando os PMs que vão chegar nas ruas nos próximos anos. E pela conversa no Flow, dá pra ver que o cara leva isso a sério.</p><p>Ele falou sobre o perfil de quem entra na polícia hoje - concordando parcialmente com a crítica dos veteranos de que tem muito "concurseiro" sem vocação, mas também defendendo que a profissionalização é importante. É o equilíbrio entre manter o tesão pela farda e ter preparo técnico adequado.</p><p>"Aluno é a imagem do cão", repetiu a frase clássica que Fahur soltou, mas com a consciência de quem precisa lidar com essa realidade na prática. Como você transforma jovem que tá ali só pelo salário em policial que vai salvar vida?</p><h3>A influência digital</h3><p>E tem o lado das redes sociais. Nantes é influenciador digital - usa Instagram, provavelmente TikTok, pra mostrar o dia a dia da profissão. É uma ferramenta poderosa tanto pra humanizar a polícia quanto pra educar a população.</p><p>Imagina a importância de ter um PM ativo, contando história real, mostrando os bastidores, explicando procedimentos. Num país onde a relação da população com a polícia é tensa, caras como Nantes fazem diferença.</p><p>Ele não tá ali só pra fazer dancinha (se é que faz). Tá usando a plataforma pra aproximar a corporação da sociedade. É comunicação estratégica, é ponte, é transparência.</p><h3>Entre o real e o ideal</h3><p>O que Nantes trouxe de mais valioso pro episódio foi a honestidade sobre o conflito interno do policial moderno. Ele defende a Lei Seca, mas também entende por que a galera reclama. Ele quer polícia dura com bandido, mas sabe que tem limite legal. Ele viu horror demais, mas não deixou endurecer completamente.</p><p>É o equilíbrio que os novos PMs precisam encontrar: ser firme sem ser violento, ser humano sem ser fraco, seguir protocolo sem perder a agilidade. E cara, não é fácil.</p><h3>O peso que ele ainda carrega</h3><p>Voltando ao relato da menina japonesa: aquilo não foi só mais uma história no podcast. Foi Nantes colocando pra fora um trauma que ele ainda carrega. E isso é importante.</p><p>Mostra que polícia também sofre. Que também leva pra casa. Que também precisa processar. A galera às vezes esquece que por trás da farda tem gente - gente que vê o pior da humanidade e ainda assim tem que acordar no dia seguinte e fazer o trabalho.</p><h3>Vale conferir?</h3><p>No episódio completo de quase 3 horas, você vai ver o choque de gerações, as histórias absurdas da dupla veterana e a perspectiva realista de quem tá nas ruas hoje. Nantes pode ser o menos falante dos três, mas quando abre a boca, entrega conteúdo pesado.</p><p>É uma aula sobre como a profissão mudou, sobre os desafios da polícia moderna, sobre o custo emocional de estar na linha de frente. E sobre como a nova geração de PMs tá tentando fazer diferente - sem perder a essência, mas adaptando pro mundo atual.</p><p>Se você quer entender o Brasil real de 2024 pela ótica de quem tá na rua agora, não de quem tá contando história de 20 anos atrás, dá o play. Nantes representa o presente. E o presente tá punk.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/-tiros-na-nuca---nantes-revela-trauma-que-nao-sai-da-cabeca.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Reprodução/Youtube - Flow </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Podcast, PMs, Igor 3K, Sargento Nantes</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6984bd32e93eb0773c2467d2</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:03:50 +0000</pubDate><title>3 milhões de páginas de Epstein: STF, Gates e o fim do real</title><description>Daniel Lopez revela documentos do FBI sobre rituais na ilha do bilionário e a conexão explosiva entre STF e Banco Master que ninguém quer falar</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/3v/oy/7i/3voy7id1h8ool6a88rvwkzqim.jpg"><figcaption>Daniel Lopez participa do Flow com Igor 3K<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p>Esse é um daqueles <strong>podcasts</strong> que transpassa por tanta coisa de uma só vez que dá muito trabalho para digerir tudo. Mal começou a conversa e <strong>Daniel Lopez</strong> já soltou a bomba que fez até o <strong>Igor 3K</strong> perder o rumo: nas 3 milhões de páginas dos documentos de Jeffrey <strong>Epstein</strong> que acabaram de vazar, tem relatório do <strong>FBI</strong> descrevendo rituais que fariam até roteirista de terror passar mal. E não, não é teoria da conspiração - são documentos oficiais.</p><p>"Eles fizeram maldade com o menininho e depois, num ritual, arrancaram os pés dele", descreve Daniel, citando denúncias contidas nos arquivos. A coisa fica tão pesada que ele menciona outro caso: um cara sacrificado, ventre aberto, tripas pra fora. Mas espera, porque isso é só o aperitivo de uma conversa que vai te fazer questionar tudo que você acha que sabe sobre poder, dinheiro e controle.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/ZiZDih9vWTg" frameborder="0"></iframe><h3>O escândalo que está debaixo do seu nariz</h3><p>Enquanto todo mundo fica preso nos arquivos do Epstein (e com razão, já vamos voltar nisso), durante a entrevista, Daniel joga holofote num esquema bem aqui no Brasil que tá passando batido: o <a href="https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2026-02-03/dono-do-banco-master-pede-adiamento-de-depoimento-a-cpmi-do-inss.html">caso do Banco Master.</a></p><p>E aí vem o plot twist que ninguém esperava: esposas de ministros do STF aparecem na história. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZiZDih9vWTg&list=PLWieWKZeFoVRmUNn9KA2dVpQswo19QkwQ" target="_blank" rel="noopener nofollow">Daniel não tem papas na língua</a>: "Como é que sai uma notícia dizendo que o escritório da esposa tem um contrato absurdo, completamente fora de qualquer padrão? Parcelas de 3 milhões por 10 anos".</p><h3>Bill Gates, russas menores de idade e chantagem bilionária</h3><p>Voltando pros arquivos de Epstein, porque tem MUITA coisa ali, Daniel revela um dos esquemas mais sujos: Bill Gates sendo chantageado. O motivo? Supostos casos com meninas russas menores de idade que Epstein sabia de tudo e usava como moeda de troca.</p><p>"Tem muito e-mail do Jeffrey mandando pra ele mesmo", conta Daniel, sugerindo que Epstein já sabia que tava sendo espionado e queria queimar alguém de propósito. O cara era tão calculista que deixou as provas plantadas tipo minas terrestres esperando explodir.</p><p>E a cereja do bolo? A morte dele na prisão que quase ninguém acredita que foi suicídio.</p><h3>O futuro distópico que tá mais perto do que você imagina</h3><p>Agora segura na cadeira porque vem a parte que parece Black Mirror, mas Daniel jura que é real: o fim do dinheiro. Não aquele papo de "dinheiro digital" que você já tá acostumado. Pior.</p><p>"Não vai ter mais dinheiro, vai ter só crédito de energia", explica Daniel sobre o plano do tal "Grande Reset". E aí vem o pulo do gato: esse crédito é intransferível - você não pode passar pra ninguém, não pode vender, não pode guardar. E ainda tem prazo de validade: recebe dia 1º, expira dia 30.</p><p>Traduzindo: controle total sobre o que você compra, quando compra e onde gasta. Quer comprar um hambúrguer? O sistema calcula quanta energia foi gasta pra fazer aquele lanche e desconta do seu crédito. Chau, liberdade financeira.</p><p>Igor só consegue rir nervoso: "Como tem otário no mundo, cara".</p><h3>Trump, Putin e o "Conselho da Paz" de 1 bilhão</h3><p>Enquanto isso, Trump tá fazendo Trump things: criando um "Conselho da Paz" pra substituir a ONU. O detalhe? Pra entrar, você paga 1 bilhão de dólares. Isso mesmo, entrada VIP no clube dos países poderosos.</p><p>E Putin? "Achei lindo, vou pagar 1 bilhão pra entrar", segundo Daniel. Porque quando você tem bilhões guardados, o que é 1 bilhão pra sentar na mesa dos grandões?</p><h3>Quando a Bíblia encontra a inteligência artificial</h3><p>A parte que vai fundir o motor da sua cabeça: Daniel faz uma releitura da profecia bíblica sobre a "imagem da besta" do Apocalipse. Só que segundo ele, o Apóstolo João não tava vendo um demônio. Ele tava vendo um robô com IA.</p><p>"Imagina um cara no ano 90 depois de Cristo vendo um robô Optimus. O cara não sabe o que é um robô, então ele fala: 'Vi uma imagem da besta que andava, falava e tinha vida própria'".</p><p>Pensa bem: um homem de 2 mil anos atrás tentando descrever tecnologia que nem existia. Não dá pra negar que faz sentido. Igor concorda: "É de fundir o motor da cabeça do cara, né?".</p><h3>A história mais aleatória (e genial) da conversa</h3><p>No meio de tanta conspiração pesada, Daniel solta uma pérola sobre a origem do brigadeiro: o doce teria surgido da campanha de um candidato "bonito e solteiro" que distribuía o docinho. O slogan? "Vote no brigadeiro, é bonito e é solteiro".</p><p>Plot twist? Quem ganhou foi o feioso. A malandragem brasileira vem de longe, viu?</p><h3>E a Arca de Daniel Lopez</h3><p>Entre todas essas bombas, Daniel ainda toca a comunidade "A Arca" e o canal dele no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZiZDih9vWTg&list=PLWieWKZeFoVRmUNn9KA2dVpQswo19QkwQ" target="_blank" rel="noopener nofollow">YouTube</a> onde ele aprofunda essas análises. O cara é especialista em símbolos, geopolítica e, aparentemente, em tirar o sono de quem assiste.</p><p>"A malandragem não é exclusividade do carioca, a malandragem é universal, meu irmão", filosofa Daniel. E depois dessa conversa, fica difícil discordar.</p><h3>O que mais tem no episódio completo</h3><p>E olha, isso aqui foi só a degustação. No episódio completo, Daniel ainda:</p><ul><li>Detalha o mapa "Technate" de 1940 que mostra o plano de união energética das Américas (e explica o interesse na Venezuela) </li><li>Explica a diferença entre clones e alienígenas na perspectiva espiritual</li><li>Conta sobre os agentes provocadores nos protestos de 8 de janeiro no Brasil e no Capitólio</li><li>Revela por que Trump disse que Biden foi substituído por um robô</li></ul><p>São mais de duas horas de revelações, teorias e histórias que vão te deixar desconfiado de tudo. Vale muito o play.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/3-milhoes-de-paginas-de-epstein--stf--gates-e-o-fim-do-real.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Podcasts, Igor 3K, Daniel Lopez, FBI, Epstein, Banco Master</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">6980b590a82a3b7119abcc79</guid><pubDate>Tue, 17 Feb 2026 22:02:43 +0000</pubDate><title>Murilo Gun revela por que aliens acham a Terra &quot;Série B&quot;</title><description>Ex-comediante que quase criou o iFood explica teoria hilária sobre cocô, espiritualidade e por que Neymar é seu mestre espiritual</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/8w/08/6u/8w086uqupkkj5fcc3dj7svb7v.jpg"><figcaption>Murilo Gun é o convidado da vez de Igor 3K no Flow<span class="copyright">Reprodução/Youtube - Flow </span></figcaption></figure><p>Esquece tudo que você acha que sabe sobre desenvolvimento pessoal. <strong>Murilo Gun</strong> chegou no <strong>Flow Podcast</strong> com uma teoria que vai fazer você repensar desde onde você caga até como você lida com o Neymar te irritando na TV. E não, você não leu errado.</p><p>O cara que já foi nerd da internet nos anos 90, <strong>comediante</strong> de stand-up e palestrante corporativo, hoje viaja o Brasil pregando uma filosofia chamada "<strong>Fé no Flow</strong>" – basicamente, a arte de aceitar que a vida sabe o que tá fazendo, mesmo quando parece que tá tudo dando errado. Mas a forma como ele explica isso é que torna tudo genial.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/KCzkfyJl1x0" frameborder="0"></iframe><p class="     ">Logo de cara, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCzkfyJl1x0&list=PLWieWKZeFoVRmUNn9KA2dVpQswo19QkwQ&index=7" target="_blank" rel="noopener nofollow">Murilo soltou uma bomba</a>: "Eu acho que as civilizações alienígenas dividem a gente entre Série A e Série B. Cagou na água? Série B, irmão. Cagou na terra? Série A". A lógica é simples e devastadora – enquanto o cocô é o adubo mais natural do mundo, a humanidade inteira decidiu jogar ele na água potável em vez de usar pra fertilizar a terra. Imagina o ET funcionário público lá no espaço olhando pra gente e pensando: "Essa galera não passa da fase".</p><h3>O dia que Neymar virou guru espiritual</h3><p>Mas espera que fica melhor. Murilo contou como transformou a irritação da esposa com o Neymar em uma aula de autoconhecimento. Sabe aquela raiva que você sente quando o menino Ney faz uma cera no jogo? Pois é, segundo Murilo, isso diz mais sobre você do que sobre ele.</p><p>"Quem te irrita é teu mestre", disparou. "O Neymar tá apertando um botão que você tem. Ele não tem culpa se você tem esse botão. Então ele é teu mestre involuntário, te convidando pra fazer uma autobservação sobre qual é esse botão que precisa ser trabalhado". A conclusão? Neymar é tipo um Buda de chuteiras que nem sabe que tá te ensinando algo. </p><p>Igor 3K só conseguiu responder: "Ela vai ficar mais puta ainda, né?". E provavelmente vai mesmo. Mas faz todo sentido quando você para pra pensar.</p><h3>Aos 17 anos, ele quase fundou o iFood (sério)</h3><p>Agora vem a parte que vai fazer você questionar todas as suas escolhas de vida. Murilo Gun, com 17 anos de idade, criou o "Peça Comida" – basicamente um iFood que funcionava via fax nos anos 90. E não foi uma brincadeira de garagem não: o moleque captou 1 MILHÃO DE DÓLARES ainda no primeiro ano do ensino médio e largou a escola pra tocar o negócio.</p><p>Mas era 1996, a internet ainda engatinhava e a parada dependia de fax. Não deu certo. A pergunta óbvia que você tá se fazendo é: "Cara, você não se arrepende?". A resposta dele é puro "Fé no Flow": "Se eu mudasse meu passado, talvez minhas filhas não existissem. Então não, eu não mudaria nada".</p><p>É o tipo de resposta que te faz parar de stalkear o ex nas redes sociais e repensar suas próprias escolhas.</p><h3>A jogada mais maluca da pandemia</h3><p>Em 2020, quando todo mundo tava entrando em pânico e segurando grana, Murilo fez o oposto. Ele liberou todos os seus cursos pagos de graça, contra a opinião de toda sua equipe. Sem plano, sem estratégia, só uma intuição bizarra de que era isso que tinha que fazer.</p><p>O time perguntou: "Murilo, tá louco? Qual é o racional?". Ele respondeu: "Eu sinto que é isso". Resultado? Nos cinco anos anteriores, ele tinha 20 mil alunos pagantes. Nos primeiros seis meses de pandemia, conseguiu 500 mil alunos.</p><p>Esse é o tipo de história que os coaches vão usar nos próximos 50 anos, mas com Murilo tem autenticidade porque o cara já tinha fracassado antes e não tem medo de admitir.</p><h3>Quando o sucesso vira uma prisão</h3><p>Mas nem tudo é Flow na vida do Flow. Murilo também contou sobre o momento em que, tendo alcançado todo o sucesso empresarial que sempre quis, se viu vomitando em casa, se sentindo completamente preso ao próprio negócio que criou.</p><p>"Eu criei a empresa, dei o nome, criei os produtos, contratei o time, montei o planejamento... e tô me sentindo preso", desabafou. É aquela sensação bizarra de você construir sua própria jaula de ouro e perceber que continua sendo uma jaula.</p><p>Foi esse colapso que o levou pro caminho da espiritualidade e do autoconhecimento. Hoje, ele dá aula justamente sobre isso: como não deixar o sucesso te sugar pra dentro de uma máquina que você mesmo construiu.</p><h3>Caos, ordem e por que você tá ansioso</h3><p>A parada mais profunda da conversa foi sobre "caos" versus "ordem". Murilo explicou que a sociedade atual tá doente porque tem medo do caos – todo mundo quer controlar tudo o tempo todo. Mas é justamente no caos que mora a criatividade, o novo, a inovação.</p><p>"O caos é a fonte do novo. Não existe novo na ordem. A ordem só organiza o que veio do caos", ensinou. E o excesso de ordem? "O controle é a ordem que perdeu a mão".</p><p>Ele cita o cara que fundou a Visa, Dee Hock, que criou o conceito de "caórdico" – a mistura saudável entre caos e ordem. É tipo aquele ponto doce onde você tem estrutura suficiente pra não pirar, mas flexibilidade suficiente pra não travar.</p><p>A gente vive numa era de extremos: ou é o caos total (colapso) ou é o controle total (autoritarismo). O caminho do meio, segundo Murilo, é onde mora a sanidade.</p><h3>Pisar na grama como terapia</h3><p>Uma das paradas mais práticas que ele trouxe foi sobre "grounding" – literalmente pisar descalço na terra. Não é papo de hippie: tem a ver com descarregar a eletricidade estática do corpo e equilibrar a bioeletricidade.</p><p>"Um pedaço de grama é uma tomada de energia", afirmou. Ele critica pesado o estilo de vida moderno de viver em "caixotes no ar" (prédios), sem contato com a terra, sem tomar sol direito. É parte da mesma teoria dos alienígenas: a gente se afastou tanto da natureza que tá literalmente perdendo o contato com o chão.</p><p>E antes que você ache que é pseudociência, ele argumenta: "Se Wi-Fi e frequências invisíveis existem e ninguém questiona, por que duvidar que pisar na terra faz diferença?". Touché.</p><h3>O novo projeto musical com IA</h3><p>Pra fechar, Murilo revelou seu novo trampo: uma banda/projeto musical chamado "Ganzito", onde ele usa inteligência artificial pra ajudar a criar letras e composições. É filosofia virando música, com aquele humor ácido dele temperando tudo.</p><p>A mensagem final dele é poderosa: "Jesus não tá em busca de crédito. Ele só quer que a mensagem seja colocada em prática". Traduzindo: não importa se você vai chamar isso de espiritualidade, terapia, filosofia ou só bom senso – importa é que funcione na sua vida.</p><p>E esse foi só o aperitivo. No episódio completo, Murilo ainda fala sobre perdão, sexualidade consciente, a criação do "Outro" como ferramenta divina e muito mais. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCzkfyJl1x0&list=PLWieWKZeFoVRmUNn9KA2dVpQswo19QkwQ&index=7" target="_blank" rel="noopener nofollow">Vale muito dar o play</a> e deixar o cara bagunçar tua cabeça por umas horinhas.</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/podcast/2026-02-17/murilo-gun-revela-por-que-aliens-acham-a-terra--serie-b-.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Reprodução/Youtube - Flow </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Murilo Gun, comediante, Igor 3K, Flow, Fé no Flow</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311004fe48660623c3b51</section></item><item><guid isPermaLink="false">698a2d175e67f73465e965c6</guid><pubDate>Mon, 16 Feb 2026 18:31:43 +0000</pubDate><title>&quot;Prefiro presidente putanheiro&quot;, dispara Ronald no Flow</title><description>Humorista revelou qual perfil político considera mais perigoso e deixou o estúdio em choque durante conversa com Arthur Petry sobre eleições 2026</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/au/31/cm/au31cma1dnh4dwxac4xy8g1ms.jpg"><figcaption>Igor 3K, Ronald Rios e Arthur Petry em uma conversa sobre se a política virou um debate explosivo sobre perfis de presidentes ideais (ou menos piores)<span class="copyright">Divulgação </span></figcaption></figure><p>Mal começou o papo sobre <strong>política</strong> e <strong>Ronald Rios</strong> já soltou a bomba que virou o episódio de ponta cabeça. Numa conversa sem filtro com <strong>Arthur Petry</strong> no <strong>Flow Podcast</strong>, o humorista e ex-repórter do CQC não teve papas na língua ao comparar perfis de políticos. E olha, a conclusão dele foi no mínimo... surpreendente.</p><p>"Eu prefiro putanheiro", declarou Ronald categoricamente quando questionado sobre qual tipo de presidente seria menos pior para o Brasil. Segundo ele, um político que frequenta prostíbulos tem mais "habilidades sociais" que um que usa drogas. </p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/EYCsiV3iifc" frameborder="0"></iframe><p>"O cheirador ganha confiança demais, cara. Você não quer ter um presidente com super confiança", justificou, enquanto Igor 3K e Petry processavam a lógica torta que, convenhamos, até que faz sentido.</p><p>Mas essa foi só a primeira de muitas declarações polêmicas do episódio que durou mais de três horas. Entre análises políticas afiadas e momentos de humor ácido, Ronald e Petry provaram por que são duas das vozes mais relevantes da "bolha" dos podcasts brasileiros. E sim, teve muita treta, revelação bombástica e até confissão de sentimentos violentos.</p><h3>Quando Petry confessou vontade de "deformar" os agressores</h3><p>Se você acha que conhece o Arthur Petry, precisa ver o lado dele que poucos conhecem. Durante o papo, ele abriu o jogo sobre sua participação no protesto pelo caso do cão Orelha, aquele cachorro comunitário brutalmente assassinado por adolescentes em São Paulo.</p><p>"O que eu senti foi raiva, foi vontade de pegar os moleques e espancar até o cara ficar deformado", confessou Petry com uma honestidade brutal. O humorista, conhecido pela postura estoica e pelo humor niilista, revelou um lado vulnerável que chocou até quem já o acompanha há anos.</p><p>Ronald, que também é tutor de cachorro e recentemente perdeu seu pet, demonstrou total empatia. "O cara tava na manifestação", comentou impressionado, enquanto ambos discutiam a sensação de impunidade que paira sobre casos assim. "Agradece que você não vai passar dois anos na cadeia e agradece que você não é um retofe. Pode ser bem pior", ironizou Ronald sobre os agressores.</p><h3>A treta antiga que virou amizade</h3><p>Poucos sabem, mas Ronald e Petry tinham um climão antigo. Petry achava que Ronald tinha "vendido" a comédia ao mudar seu estilo de humor para algo mais politicamente correto. Mas nesse episódio, Ronald explicou de vez o que realmente aconteceu.</p><p>"Eu não ficava mais confortável fazendo piada machista", revelou Ronald. "Por mais irônico que eu fosse, a galera não entendia. Começavam a aparecer perfis de fã no Twitter com os moleques falando 'depósito de porra' e outras merdas".</p><p>Foi quando ele percebeu que seu público – os chamados "lelé" – não captava a ironia e simplesmente concordava com o preconceito. A revelação não veio de militância, mas de responsabilidade. "Eu não posso mais fazer isso porque percebi que estou alimentando extremistas", admitiu.</p><p>Petry, que estava na mesa, confessou: "Na época eu achei que você tinha traído a comédia, mas depois eu entendi". E é justamente essa honestidade que torna o episódio tão especial. Dois caras que discordaram publicamente conseguindo dialogar e entender os caminhos diferentes que cada um tomou.</p><h3>A novela vertical que precisa existir</h3><p>Mas nem tudo foi treta e revelação pesada. Em um dos momentos mais hilários do episódio, a turma começou a criar uma "novela vertical" feita especialmente para TikTok e Reels. A premissa? Um romance proibido entre dois lutadores de boxe patrocinados por marcas rivais.</p><p>"Marcos Palmeira e Selton Melo", sugeriu alguém na mesa. "Eles têm uma diferença fundamental econômica entre eles, é meio que o Romeu e Julieta do capitalismo", completou Ronald entre risos. A sacada era genial: satirizar tanto a indústria de conteúdo superficial quanto o formato vertical que domina as redes sociais.</p><p>O improviso gerou alguns dos melhores momentos do episódio, com os três construindo cenas inteiras e até criando conflitos dramáticos envolvendo patrocinadores fictícios. "Isso seria mais interessante que 90% do conteúdo que rola no TikTok", disparou Igor.</p><h3>Algoritmo virou Deus e a gente tá adorando</h3><p>Falando em redes sociais, Ronald soltou uma análise devastadora sobre como criadores de conteúdo viraram escravos do algoritmo. "Se a sua mensagem não consegue chegar com 70 caracteres, você não tem uma mensagem", provocou ao falar sobre o Twitter (atual X).</p><p>Para ele, plataformas como TikTok e Instagram não são ferramentas neutras. Elas moldam ativamente o conteúdo para ser fragmentado, viciante e superficial. "A gente tá agradando o sol [algoritmo] em vez de criar arte genuína", desabafou. "É o 'dumb scrolling', cara. A galera não aguenta mais assistir nada por mais de 30 segundos".</p><p>Petry concordou e emendou uma reflexão ainda mais sombria: "A gente viu quando tinha organização e não tanto caos. Agora tá tudo muito caótico". Ronald completou citando a nostalgia dos anos 2000, quando o Nu Metal e o Emo dominavam. "O 90 voltou, o 2000 tá voltando. A gente nunca tá feliz na década que tá", filosofou.</p><h3>Política é teatro, mas quem tá no palco?</h3><p>Voltando ao tema político, a dupla detonou tanto a esquerda quanto a direita. Ronald foi direto: "Quem tá cuidando do Brasil há 26, 27, 30 anos desde que saímos da ditadura? É o Itaú, é o Santander, é essa galera".</p><p>Para ele, política brasileira virou um teatro onde os atores (Lula, Bolsonaro, Boulos, Nikolas Ferreira) fazem a performance, mas o roteiro já tá escrito pelos bancos e grandes corporações. "O homem político é um teatro, então a gente se importa bastante com o que é o homem", explicou.</p><p>Sobre as eleições de 2026? Ronald foi cético. Criticou a esquerda por "discutir pronome neutro enquanto deveria estar botando comida na mesa dos outros" e elogiou a direita por saber usar as redes sociais, mesmo discordando ideologicamente. "A esquerda não sabe falar com a base dela", finalizou.</p><h3>Paranoia com a CIA e outras tretas digitais</h3><p>Num momento mais leve (mas nem tanto), Ronald confessou que tem medo de ser assassinado pela CIA por causa de suas críticas aos Estados Unidos. "Eu não sou um problema nem pro meu bairro, mas tenho medo de entrar numa lista dessas", disse entre risos nervosos.</p><p>Igor e Petry caíram na gargalhada com a paranoia, mas Ronald manteve o ponto: "Você não sabe quem tá te vigiando, tá ligado? O algoritmo conhece você melhor que sua mãe". A discussão tocou em temas sérios como vigilância digital e privacidade, tudo embalado no humor característico do podcast.</p><p>E esse foi só o aperitivo. No episódio completo, os três ainda falam sobre K-Pop (sim, Ronald treina ouvindo Black Pink), funk carioca, a volta das boy bands dos anos 2000 e por que "nerds acabam com folclore". São mais de três horas de conversa sem filtro que valem cada segundo. Vale MUITO a pena assistir!</p>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-02-16/-prefiro-presidente-putanheiro---dispara-ronald-no-flow.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Flow Podcast, Igor 3k, Arthur Petry, Política, Ronald Rios</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item><item><guid isPermaLink="false">697a18306c1b863a2a870f8e</guid><pubDate>Mon, 16 Feb 2026 18:30:38 +0000</pubDate><title>Pare de negociar: o excesso de explicações cria filhos ansiosos</title><description>Especialista em educação infantil alerta no Flow que tratar crianças pequenas como mini-adultos retira o direito delas de relaxar e ser apenas criança</description><content:encoded><![CDATA[<figure><img src="https://i0.statig.com.br/bancodeimagens/1b/hp/i1/1bhpi1w34jfvlcdnnv60mg9fl.jpg"><figcaption> Ivana Jauregui no Flow: 'A criança precisa de autoridade para descansar, assim como o adulto precisa de fé'.<span class="copyright">Divulgação/Flow </span></figcaption></figure><p>Você já se viu no meio de um shopping center, agachado na altura do seu filho de três anos, tentando explicar com gráficos mentais, lógica financeira e argumentos racionais o motivo pelo qual não pode levar aquele brinquedo para casa? Ou talvez já tenha gastado trinta minutos negociando a ida para o banho, oferecendo opções como "o patinho azul ou o vermelho", na esperança de evitar um escândalo?</p><p>Se a resposta é sim, você não está sozinho. Vivemos numa era em que os pais, na tentativa de não repetirem o autoritarismo do passado, migraram para o extremo oposto: a negociação excessiva. Mas, segundo Ivana Jauregui, especialista em orientação parental e convidada do Flow Podcast #552 com Igor 3K, essa atitude bem-intencionada pode ser o maior erro da parentalidade moderna.</p><p>Durante uma conversa franca que viralizou nas redes sociais, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VCITHlClBcQ" target="_blank" rel="noopener nofollow">Ivana foi categórica ao afirmar</a> que a tendência atual de querer "ser amigo" dos filhos e explicar cada decisão às crianças pequenas não gera respeito. Pelo contrário: gera ansiedade, insegurança e retira da criança o direito sagrado de ser apenas criança.</p><h3>O erro fatal de tratar a criança como um "mini-adulto"</h3><p>Para entender onde os pais contemporâneos erram, é preciso primeiro compreender a biologia do desenvolvimento infantil. Ivana explica que crianças pequenas, geralmente até aos 10 ou 11 anos, pensam de forma concreta. Elas simplesmente não possuem o equipamento mental necessário para processar lógica abstrata, projeções futuras ou argumentos complexos sobre finanças, saúde ou consequências de longo prazo.</p><p>A especialista ilustra isto com um exemplo clássico do cotidiano que todo pai ou mãe reconhece imediatamente: a negociação do casaco. "A mãe fala: 'tem que botar o casaco'. Ela [a criança] fala: 'Não quero'. 'E se a gente combinar que você bota o casaco quando chegar no carro? Combinado?' A menina vai falar sim, porque as crianças pequenas, elas pensam em concreto: me livrei do casaco [agora]", explica Ivana.</p><p>O resultado dessa negociação aparentemente democrática é previsível e frustrante. Quando chegam ao carro e a mãe cobra o "combinado", a criança recusa-se novamente, pois no pensamento concreto dela, aquele momento já passou. A mãe sente-se traída, achando que o filho não tem palavra ou não respeita acordos, quando na verdade ele apenas não possui a capacidade cognitiva de sustentar um compromisso futuro.</p><h3>A epidemia silenciosa da ansiedade infantil</h3><p>Ao pedir constantemente a opinião da criança sobre tudo, desde qual roupa vestir até o que comer no jantar, os pais criam um estado de alerta constante na mente infantil. A criança sente, de forma inconsciente, que precisa construir a sua própria segurança porque os adultos à sua volta parecem indecisos, pedindo validação a ela o tempo todo.</p><p>Essa inversão de papéis tem consequências graves. Ivana é enfática ao afirmar: "Quando a criança não tem essa figura de autoridade, a criança não relaxa. A criança, ela deveria se dedicar a ser criança. Ela não deveria estar preocupada se tem que botar casaco ou não". E complementa de forma ainda mais contundente: "Ela deveria poder ter o direito de chorar injustiçada porque a mãe obrigou a botar um casaco e se dedicar a ser criança, relaxar".</p><h3>A autoridade parental é como a fé em Deus</h3><p>Um dos momentos mais profundos e reveladores do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VCITHlClBcQ" target="_blank" rel="noopener nofollow">episódio #552 do Flow Podcast</a> foi a analogia que Ivana fez entre a autoridade parental e a fé religiosa. Segundo a especialista, a criança precisa sentir em relação aos pais o mesmo que um adulto sente quando entrega os seus problemas a uma força maior.</p><p>"Eu comparo a relação de pais e filhos com adultos e Deus, a fé em Deus. Quando você consegue acreditar, confiar, você entrega, você relaxa a algo maior que você. Isso te dá tranquilidade. A mesma coisa acontece com a criança quando ela consegue confiar, se entregar", afirma a especialista com convicção.</p><p>Quando os pais hesitam, pedem desculpa por dizer "não" ou tentam negociar excessivamente cada limite, a mensagem subconsciente que transmitem é de insegurança profunda. Ivana alerta que, sem uma figura de autoridade clara na vida dela, alguém que demonstra saber o que está fazendo, a criança não consegue "desligar" o modo de alerta. Ela permanece em vigilância constante, tentando decifrar o que é seguro e o que não é, função que deveria ser exclusiva dos adultos.</p><h3>Como validar o sentimento sem ceder ao pedido</h3><p>Muitos pais modernos caem na armadilha da explicação excessiva porque têm medo do choro ou da frustração do filho. Crescemos numa geração que foi ensinada a ver o sofrimento infantil como algo terrível que deve ser evitado a todo custo. Ivana esclarece que exercer autoridade não é ser violento ou autoritário no sentido negativo, mas sim ser o "porto seguro" que a criança tanto precisa.</p><p>A chave para sair do caos da negociação constante não é explicar a fatura do cartão de crédito quando a criança quer um brinquedo de 200 reais, mas sim validar o desejo dela enquanto mantém o limite com firmeza e amor. A diferença entre validar e ceder é sutil, mas revolucionária.</p><p>Ivana dá um exemplo prático de uma criança pedindo água enquanto a mãe conversa com alguém. Em vez de dizer "espera, a mamãe está ocupada, você tem que entender", o que a criança pequena não consegue fazer cognitivamente, a mãe deve validar o pedido: "Você vira e fala: 'Você quer água?' [A criança pensa:] 'Eu ouvi, você quer água, ela me ouviu, eu quero água'. 'Então eu vou te dar água daqui a pouquinho'. Ela para. São coisas, detalhes que fazem toda a diferença", explica a especialista.</p><p>A criança tem o direito sagrado de querer e de ficar frustrada por não ter tudo o que quer. Essa é uma das lições mais importantes da infância. O papel do adulto não é impedir o choro com negociações infinitas, mas acolher a emoção enquanto mantém o limite necessário. "O que que você tá buscando? Ser amigo? Que teu filho não fique chateado com você? É justo que ele fique chateado com você", provoca Ivana.</p><h3>O perigo real de criar adolescentes despreparados</h3><p>A conversa destaca ainda o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VCITHlClBcQ" target="_blank" rel="noopener nofollow">alerta sério de Ivana sobre as consequências de longo prazo dessa educação negociadora</a>. A "birra" aos dois ou três anos não é apenas uma fase chata que os pais precisam atravessar. É o momento crucial em que a criança descobre uma verdade fundamental sobre a vida: "Posso querer, mas não tudo que eu quero, você pode. Isso é um tombo", nas palavras da especialista.</p><p>Se os pais evitam esse sofrimento necessário agora, negociando tudo para evitar o conflito momentâneo, estão criando um problema muito maior para o futuro próximo. "Se você fica distraindo, evitando que teu filho enfrente a verdade, só vai atrasar. Depois, na adolescência, te desejo sorte, que você chega com um adolescente completamente despreparado", alerta Ivana com a autoridade de quem viveu isso na própria pele.</p><h3>A transformação é possível e rápida</h3><p>Ivana compartilha sua própria experiência como mãe para dar esperança aos pais que se identificam com o caos da negociação constante. Ela confessa que viveu essa realidade com o próprio filho até ele ter 8 anos, sempre gritando, sempre cansada, sempre perdendo o controle. Mas quando decidiu mudar de abordagem e realmente assumir a liderança da relação, os resultados foram impressionantes.</p><p>"Numa semana, meu filho se transformou. Foi a mágica mais forte que eu já vi", relata ela com emoção, após decidir parar de gritar e passar a exercer autoridade real, aquela que vem da certeza e não da força bruta. A mudança não exigiu cursos caros ou anos de terapia, mas sim a coragem de ocupar o lugar de mãe, de líder, de quem sabe o que está fazendo e não precisa da validação constante da criança.</p><h3>Conclusão: Lidere, não negocie</h3><p>A lição central do episódio #552 do <a href="https://www.grupoflow.media/" target="_blank" rel="noopener nofollow">Flow </a>Podcast com Ivana Jauregui é clara e urgente para os pais modernos: pare de negociar com crianças pequenas e comece a liderar com amor e firmeza. O seu filho não precisa das suas longas explicações lógicas sobre orçamento familiar, saúde ou consequências futuras. Ele precisa da sua segurança, da sua autoridade tranquila, para poder finalmente descansar a mente, desligar o modo de alerta constante e fazer o que toda criança deveria fazer: brincar, imaginar, crescer sem o peso de decisões que não lhe cabem.</p><p>A autoridade parental, quando exercida com amor e presença, não é opressão. É o maior presente que você pode dar ao seu filho: a liberdade de ser criança enquanto pode.</p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/VCITHlClBcQ" frameborder="0"></iframe>]]></content:encoded><link>https://flow.ig.com.br/news/2026-02-16/pare-de-negociar--o-excesso-de-explicacoes-cria-filhos-ansiosos.html</link><dc:creator>Willian Oliveira</dc:creator><media:credit>Divulgação/Flow </media:credit><author>Willian Oliveira</author><keywords>Educação e comportamento, Flow Podcast, Ivana Jauregui, crianças, Podcast</keywords><internationalize>false</internationalize><section>699311234fe48660623c3b54</section></item></channel></rss>